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Q377533 Português
        TEXTO: Letal é o crack


        O debate sobre a presença das chamadas armas de choque no programa “Crack, é possível vencer”, do Ministério da Justiça, precisa ser mais bem compreendido. Essa droga devastadora provoca um drama que assusta e comove a todos, e traz à tona uma triste realidade. Está ali a prova de que a família, a sociedade e a educação como um todo falharam. Hoje, além de uma questão de saúde pública, o crack virou problema de segurança pública.
        Em uma ponta, estão os dependentes que precisam urgentemente de ajuda. Na outra a população que se depara diariamente com os ameaçadores zumbis nas ruas da cidade e os profissionais que vão a campo fazer o trabalho de acolhimento para encaminhá-los a tratamento.
        Acontece que, muitas vezes, esses indivíduos se encontram extremamente agressivos. Como agir numa situação assim? Não fazer nada? Conter a fúria por arma de fogo? A resposta passa pelo uso proporcional da força, defendido pela ONU, no qual as tecnologias não letais têm papel central - entre elas estão as armas de choque, o spray de pimenta e a munição de borracha, entre outros.
        A adoção de armas de choque nessas operações tem como objetivo dar ao agente da lei, devidamente treinado, uma ferramenta para controlar uma possível reação agressiva, reduzindo ao máximo seu risco de vida e preservando a integridade dos profissionais envolvidos na operação e dos próprios viciados.
        A ideia não é distribuir choques indiscriminadamente, mas somente quando todas as etapas anteriores do uso progressivo da força, tal qual defendido pela ONU (conversa, advertência, spray de pimenta, técnicas corporais de imobilização - quando viáveis), não forem suficientes. O choque é o último grau a ser usado antes da arma de fogo.
        O problema das drogas, problema no mundo todo, se agravou com o crack, que precisa ser contido de forma contundente, em nome da recuperação de uma geração de jovens que estão perdendo a luta para a droga - esta sim, letal.

                Ricardo Balestreri (ex-secretário nacional de Segurança Pública)
                        O Globo, 02 de dezembro de 2012, 1º caderno, página 15.

O texto tem por objetivo informar, mas não é neutro, pois evidencia a posição do autor sobre o tema abordado. Reconhece-se a expressão de ponto de vista do autor em:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a presença de marca linguístico-discursiva de opinião explícita em texto predominantemente informativo. No trecho “... precisa ser contido de forma contundente...”, há modalização de necessidade em “precisa ser” e avaliação intensificadora em “de forma contundente”, o que revela defesa explícita de uma conduta e conduz ao gabarito B.

Tema central: opinião explícita
Análise das alternativas
A
Errada
“... as tecnologias não letais têm papel central...” participa da argumentação do texto, mas, isoladamente, funciona como afirmação explicativa sobre a importância desses recursos. O problema da alternativa é o menor grau de modalização avaliativa explícita: não há, como em B, prescrição direta acompanhada de expressão valorativa que evidencie de modo mais inequívoco o ponto de vista autoral.
B
Certa
A alternativa B é a correta porque contém o ponto em que o autor deixa de apenas expor o tema e passa a sustentar claramente uma posição. Em “... precisa ser contido de forma contundente...”, o verbo “precisa” introduz valor de necessidade, e a expressão “de forma contundente” acrescenta julgamento avaliativo. O resultado é uma formulação prescritiva e opinativa, exatamente o que a questão pede como evidência do ponto de vista do autor.
C
Errada
“... uma ferramenta para controlar uma possível reação agressiva...” descreve a finalidade atribuída à arma de choque. O valor predominante é funcional e explicativo: o trecho informa para que serviria o instrumento no contexto apresentado. Falta a marca decisiva de juízo de valor ou de defesa explícita de conduta que aparece em B.
D
Errada
“... os profissionais que vão a campo fazer o trabalho de acolhimento...” apenas caracteriza agentes e atuação dentro da situação descrita no texto. Trata-se de enunciado referencial e descritivo, sem modalização avaliativa explícita, sem prescrição e sem o juízo autoral exigido pelo comando da questão.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre trecho que integra uma argumentação e trecho que efetivamente mostra, de forma mais explícita, a opinião do autor. A, C e D podem parecer compatíveis com o posicionamento geral do texto, mas só B traz marca linguística inequívoca de necessidade e avaliação.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão pedir ponto de vista do autor, procure marcas de modalização, como verbos que indiquem necessidade, obrigação ou defesa de conduta.
  • Diferencie informação explicativa de opinião explícita: descrever função, procedimento ou agente não basta, se não houver julgamento ou prescrição.
  • Observe o léxico avaliativo: expressões intensificadoras podem revelar posicionamento autoral mesmo em texto com base informativa.

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Comentários

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Gab. B

“... precisa ser contido de forma contundente...”


A opinião é de um ex-secretário nacional de segurança pública, logo no decorrer da metade do texto, percebe-se sua opinião às ações contra o Crack, mas principalmente em apoio ao uso das armas não-letais. O último parágrafo evidencia essa ideia em defesa dos profissionais que fazem essas incursões.

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