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Q4154525 História
No capítulo III da obra “Atlântico: a história de um oceano”, ao analisar a construção dos impérios marítimos no Atlântico, detalhando as estratégias diplomáticas e náuticas adotadas pelas coroas ibéricas, Luis Carlos de Carvalho Roth registrou que a descoberta da América provocou uma nova divisão do globo entre espanhóis e portugueses, materializada por meio do Tratado de Tordesilhas, que destinou a Portugal o controle de grande parte do Atlântico Sul (Roth, 2015).
Com base na leitura de tal texto, analise as opções abaixo sobre as estratégias diplomáticas e náuticas que nortearam as Grandes Navegações ibéricas, especificamente quanto ao projeto de Cristóvão Colombo e ao Tratado de Tordesilhas, e assinale a correta. 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério central é o recorte do texto-base, que destaca “as estratégias diplomáticas e náuticas adotadas pelas coroas ibéricas” e a “nova divisão do globo entre espanhóis e portugueses”, com “controle de grande parte do Atlântico Sul” atribuído a Portugal. Assim, a alternativa correta deve preservar esse eixo duplo — diplomático e náutico — sem cair em passividade, exclusividade causal ou desvio geoestratégico.

Tema central: estratégia atlântica ibérica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada pelo reducionismo causal expresso em “exclusivamente” e “apenas”. A alternativa restringe a recusa ao projeto de Colombo a uma crise financeira e a um foco único em Arguim, mas o texto-base enquadra o tema como estratégia diplomática e náutica mais ampla. O erro decisivo é semântico: os marcadores absolutos estreitam indevidamente uma questão apresentada como complexa.
B
Errada
Está errada porque “aceito passivamente” e “sem contestações” contrariam a ideia de “nova divisão do globo entre espanhóis e portugueses”, que pressupõe disputa e negociação, não passividade. Além disso, desloca o foco para as Ilhas Canárias, quando o texto destaca o controle português de grande parte do Atlântico Sul. Há quebra de coerência com o eixo temático do texto-base.
C
Certa
A alternativa C é correta porque é a única que mantém, ao mesmo tempo, a dimensão náutica e a diplomática exigidas pelo comando. Ao relacionar a recusa ao projeto de Colombo a razões técnicas e, depois, a reivindicação portuguesa de 370 léguas em Tordesilhas para dar margem à Volta do Mar Largo, ela se ajusta ao texto-base sem introduzir absolutos nem deslocar o foco do Atlântico Sul. Entre as opções, é a única que preserva essa coerência dupla.
D
Errada
Está errada por deslocar a estratégia portuguesa para a Passagem do Noroeste no Atlântico Norte, em conflito com o destaque textual dado ao Atlântico Sul. O problema não é apenas histórico-contextual: a alternativa desvia o espaço estratégico central indicado no texto e, por isso, quebra a coerência temática exigida pelo comando.
E
Errada
Está errada porque contradiz diretamente a informação central do texto-base. Se o Tratado de Tordesilhas “destinou a Portugal o controle de grande parte do Atlântico Sul”, não se sustenta afirmar que Portugal não necessitava desse domínio e que aceitou “prontamente” a primeira proposta espanhola. O erro é de sentido textual, reforçado pelo uso indevido de formulação absoluta.
Pegadinha da questão
A banca mistura detalhes históricos específicos com alternativas semanticamente viciadas por absolutos como “exclusivamente”, “apenas”, “passivamente”, “sem contestações” e “prontamente”. Esses termos tentam dar aparência de precisão, mas entram em choque com o quadro de disputa diplomática e de centralidade do Atlântico Sul apresentado no texto.
Dica para questões semelhantes
  • Fixe primeiro o eixo do texto-base: aqui, estratégias diplomáticas e náuticas das coroas ibéricas.
  • Desconfie de alternativas com causas únicas ou aceitação sem conflito quando o texto indicar disputa e negociação.
  • Confira se o espaço estratégico da alternativa coincide com o do texto; aqui, o ponto central é o Atlântico Sul, não Canárias nem Atlântico Norte.

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Opção C (Correta): D. João II recusou o projeto de Cristóvão Colombo em 1484 após ouvir a Junta de Matemáticos (cientistas e peritos da época), que desacreditou os cálculos de Colombo. O navegador italiano calculava que a circunferência da Terra era menor do que realmente é e superestimava a extensão da Ásia, o que faria a viagem pelo Ocidente ser inviável. Já nas negociações do Tratado de Tordesilhas (1494), a exigência portuguesa de mover o meridiano de 100 para 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde visava garantir o domínio marítimo necessário para a manobra da Volta do Mar (ou Volta do Mar Largo) no Atlântico Sul, na qual os navios contornavam as correntes e ventos contrários afastando-se em direção ao largo para depois alcançar o Cabo da Boa Esperança e o Oceano Índico.

A (Incorreta): A rejeição do projeto foi fundamentada na análise da junta de sábios portugueses, e não na "crise financeira por guerras contra os mouros no norte da África" ou na impossibilidade de investir.

B (Incorreta): Portugal não aceitou passivamente a bula Inter Caetera (1493) do Papa Alexandre VI. Pelo contrário, D. João II contestou a linha de 100 léguas imposta pela bula e forçou a negociação direta com a Espanha para assinar Tordesilhas. Além disso, o Tratado de Alcáçovas (1479) já havia pacificado a questão das Canárias.

D (Incorreta): A estratégia portuguesa priorizou o contorno do continente africano (Périplo Africano) para atingir o Oceano Índico, e não a busca por uma Passagem do Noroeste no Atlântico Norte.

E (Incorreta): A Volta da Mina ou Volta do Mar exigia justamente o afastamento da costa para navegar em alto-mar e aproveitar o regime de ventos do Atlântico, razão pela qual a posse e navegação livre no alto-mar do Atlântico Sul eram vitais para Portugal.

#PMBA

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