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Q2435911 Português

Analise o texto abaixo:


"Todos reconheceram os direitos de Pedro Bala à chefia, e foi desta época que a Cidade começou a ouvir falar nos Capitães da Areia, crianças abandonadas que viviam do furto. Nunca ninguém soube o número exato de meninos que assim viviam. Eram bem uns cem e destes mais de quarenta dormiam nas ruínas do velho trapiche".


(Jorge Amado. Capitães da Areia. Editora Record).


Após análise, assinale a alternativa INCORRETA:

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Tema central: A questão explora interpretação de texto literário, figuras de linguagem (metonímia), tempos verbais, regência nominal com crase e análise de informações explícitas. Trata-se de um tema frequentemente abordado em concursos para Professor de Língua Portuguesa, fundamental para a leitura crítica de textos e compreensão das regras normativas.

Alternativa A (INCORRETA - GABARITO): O trapiche, em “Capitães da Areia”, não simboliza oposição às condições subumanas das crianças, mas sim a concretização da marginalização: é o espaço degradado onde os meninos vivem, evidenciando e não combatendo sua situação de abandono. Segundo Cunha & Cintra, interpretar símbolos exige considerar sua função no enredo; e aqui o trapiche é, justamente, parte do drama vivido pelos protagonistas.

Alternativa B (CORRETA): “Cidade começou a ouvir falar nos Capitães da Areia” é metonímia, pois “Cidade” representa os habitantes (parte pelo todo), conforme ensina a gramática tradicional (Cunha & Cintra, Bechara).

Alternativa C (CORRETA): A descrição de tempos verbais está de acordo com a norma: o pretérito perfeito narra fatos centrais/concluídos, enquanto o pretérito imperfeito serve de pano de fundo (ações habituais ou em progresso no passado). Estratégia: sempre observe como tempo verbal estrutura a narrativa.

Alternativa D (CORRETA): O uso da crase em “à chefia” resulta da regência nominal de “direitos”, que exige preposição “a” + artigo feminino “a” = à. Bechara ressalta: “há crase quando a regência/estrutura frásica impõe a fusão da preposição com o artigo”.

Alternativa E (CORRETA): O texto é claro ao afirmar que “Nunca ninguém soube o número exato de meninos que assim viviam”. Logo, não há dado quantitativo concreto, e sim uma estimativa (bem uns cem, mais de quarenta dormiam…). Pegadinha frequente: confundir dado exato com aproximação.

Resumo: O domínio da interpretação textual e das regras gramaticais é fundamental; atenção especial ao simbólico na literatura e aos nuances dos tempos verbais. Questões desse tipo exigem leitura atenta e compreensão semântica apurada.

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Comentários

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Não seria personificação na alternativa B)?

não é personificação. Cidade se refere à pessoas.

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