Você está trabalhando em um ambulatório de pediatria geral, ...

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Ano: 2026 Banca: UPENET/IAUPE Órgão: SES-PE Prova: UPENET/IAUPE - 2026 - SES-PE - Pediatria |
Q3838680 Medicina
Você está trabalhando em um ambulatório de pediatria geral, e em um dos seus turnos atende os seguintes casos: 
A) Menina, 5 anos, foi levada à consulta de rotina pelos pais. Relatam que estão passando por um divórcio e a filha está com dificuldades de se adaptar a nova rotina. Questionam o que podem fazer para ajudar nesse processo, pois percebem que a criança está mais quieta e triste.
B) Menino de 8 anos chega à consulta acompanhado por avó. Cuidadora traz como queixa que neto está mais agressivo, desde que o pai foi preso. Atualmente está morando com os avós, e a mãe o visita durante a semana dependendo dos horários de trabalho.
C) Criança do sexo masculino, 3 anos, iniciou há 1 mês a vida escolar. Genitora refere que, nos primeiros dias de adaptação, chorou pedindo para voltar para casa. Hoje, no entanto, já conta quais brincadeiras fizeram na escola e fala dos amigos que fez. A mãe está preocupada, pois ainda precisou buscá-lo mais cedo um dia na última semana devido aos pedidos da criança. 
Ao fim do expediente, você reflete sobre os efeitos dos fatores estressantes no desenvolvimento infantil e classifica respectivamente os pacientes acima em relação aos tipos de estresse da seguinte forma:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: A classificação depende do tripé intensidade da adversidade, duração da resposta e presença de suporte relacional protetor. No caso A, o divórcio é adversidade significativa, mas com pais presentes, compatível com estresse tolerável; no caso B, prisão do pai, mudança de moradia/cuidador e agressividade indicam adversidade importante com suporte potencialmente fragilizado, compatível com estresse tóxico; no caso C, o início escolar com choro inicial e adaptação progressiva caracteriza estresse positivo.

Tema central: Estresse na infância
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque classifica A e C como tóxicos. No caso A, o divórcio parental é uma adversidade importante, mas o enunciado sugere rede cuidadora presente, o que afasta o padrão de ativação sem proteção relacional suficiente exigido para estresse tóxico e favorece tolerável. No caso C, o choro inicial na adaptação escolar, seguido de boa evolução, é resposta breve e esperada do desenvolvimento, portanto positiva, não tóxica.
B
Errada
Incorreta porque rebaixa o impacto do caso A e superestima o caso C. Divórcio com tristeza e dificuldade de adaptação não se enquadra como desafio leve e habitual do cotidiano; por isso A não é positivo, e sim tolerável. Já no caso C, a adaptação subsequente com relato de brincadeiras e amigos mostra resolução adaptativa de transição esperada, o que exclui estresse tolerável.
C
Certa
A alternativa C é a única que aplica corretamente a classificação conceitual. O caso A não é estressor leve do cotidiano, portanto não é positivo; porém também não há descrição de ausência de suporte protetor ou desorganização extrema, já que a criança está acompanhada pelos pais em consulta de rotina, o que sustenta estresse tolerável. O caso B reúne encarceramento parental, mudança de residência/cuidado e alteração comportamental relevante, quadro de adversidade intensa com risco de insuficiência de suporte estável, compatível com estresse tóxico. O caso C mostra reação breve e esperada à entrada na escola, seguida de integração, relato de amigos e interesse pelas atividades, padrão de adaptação que define estresse positivo.
D
Errada
Incorreta porque chama o caso A de positivo e o caso B de tolerável. O caso A envolve adversidade maior que um estressor banal do desenvolvimento, então não é positivo. No caso B, a soma de prisão do pai, mudança de moradia/cuidador e agressividade indica carga de estresse mais intensa e desorganização do suporte, o que pesa para tóxico, não tolerável.
E
Errada
Incorreta porque transforma o caso A em tóxico sem base suficiente. O enunciado não descreve ausência de suporte protetor, negligência grave, violência ou ativação prolongada sem amortecimento; ao contrário, os pais estão presentes e buscam ajuda, o que sustenta tolerável. O caso C como positivo está correto isoladamente, mas a alternativa falha pela classificação errada do caso A.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre julgar apenas o evento e julgar o contexto: o mesmo tipo de adversidade só é classificado corretamente quando se considera magnitude, duração e, principalmente, a presença ou fragilidade do suporte protetor.
Dica para questões semelhantes
  • Diferencie positivo de tolerável pela magnitude do evento: transições breves e esperadas com adaptação progressiva tendem a ser positivas; adversidades familiares significativas já saem dessa categoria.
  • Para separar tolerável de tóxico, procure no enunciado sinais de buffering relacional: cuidador estável e apoio presente favorecem tolerável; ruptura de vínculos, instabilidade de cuidado e repercussão comportamental importante favorecem tóxico.
  • Na adaptação escolar, o dado decisivo não é o choro inicial, e sim a evolução posterior.
  • Em provas, divórcio parental costuma ser tolerável quando há suporte; encarceramento parental com mudança de cuidado e comportamento alterado aponta para maior carga tóxica.

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