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Q738777 Português

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                                                        A mentirosa liberdade

    Comecei a escrever um novo livro, sobre os mitos e mentiras que nossa cultura expõe em prateleiras enfeitadas, para que a gente enfie esse material na cabeça e, pior, na alma - como se fosse algodão-doce colorido. Com ele chegam os medos que tudo isso nos inspira: medo de não estar bem enquadrados, medo de não ser valorizados pela turma, medo de não ser suficientemente ricos, magros, musculosos, de não participar da melhor balada, de um clube mais chique, de não ter feito a viagem certa nem possuir a tecnologia de ponta no celular. Medo de não ser livres.

    Na verdade, estamos presos numa rede de falsas liberdades. Nunca se falou tanto em liberdade, e poucas vezes fomos tão pressionados por exigências absurdas, que constituem o que chamo a síndrome do “ter de”. Fala-se em liberdade de escolha, mas somos conduzidos pela propaganda como gado para o matadouro, e as opções são tantas que não conseguimos escolher com calma. Medicados como somos (a pressão, a gordura, a fadiga, a insônia, o sono, a depressão e a euforia, a solidão e o medo tratados a remédio), [...] a alegria, de tanta tensão, nos escapa. [...]

    Parece que do começo ao fim passamos a vida sendo cobrados: O que você vai ser? O que vai estudar? Como? Fracassou em mais um vestibular? [...] Treze anos e ainda não ficou? [...] Já precisa trabalhar? Que chatice! E depois: Quarenta anos ganhando tão pouco e trabalhando tanto? E não tem aquele carro? Nunca esteve naquele resort?

    Talvez a gente possa escapar dessas cobranças sendo mais natural, cumprindo deveres reais, curtindo a vida sem se atordoar. Nadar contra toda essa correnteza. Ter opiniões próprias, amadurecer ajuda. Combater a ânsia por coisas que nem queremos, ignorar ofertas no fundo desinteressantes, como roupas ridículas e viagens sem graça, isso ajuda. Descobrir o que queremos e podemos é um aprendizado, mas leva algum tempo: não é preciso escalar o Himalaia social nem ser uma linda mulher nem um homem poderoso. É possível estar contente e ter projetos bem depois dos 40 anos, sem um iate, físico perfeito e grande fortuna. Sem cumprir tantas obrigações fúteis e inúteis, como nos ordenam os mitos e mentiras de uma sociedade insegura, desorientada, em crise. Liberdade não vem de correr atrás de “deveres” impostos de fora, mas de construir a nossa existência, para a qual, com todo esse esforço e desgaste, sobra tão pouco tempo. Não temos de correr angustiados atrás de modelos que nada têm a ver conosco, máscaras, ilusões e melancolia para aguentar a vida, sem liberdade para descobrir o que a gente gostaria mesmo de ter feito.

(LUFT, Lya. Veja, 25/03/09, adaptado)

Considere o fragmento abaixo para responder à questão seguinte. “Talvez a gente possa escapar dessas cobranças sendo mais natural, cumprindo deveres reais, curtindo a vida sem se atordoar. Nadar contra toda essa correnteza. "(4°§)
No trecho em análise, a incerteza introduzida pelo advérbio “Talvez” é reforçada pela forma verbal “possa”, cuja correta classificação da flexão é:
Alternativas

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Tema central da questão: Morfologia – Verbos (tempo e modo verbal)

No contexto do fragmento “Talvez a gente possa escapar dessas cobranças...”, o ponto central está na identificação do modo e do tempo do verbo “possa”.

Regra gramatical essencial: O modo subjuntivo exprime dúvida, possibilidade ou hipótese, diferentemente do indicativo, que expressa certeza. O presente do subjuntivo é geralmente usado em contextos de incerteza, desejo ou suposição, sendo facilmente reconhecido pela presença de advérbios de dúvida como “talvez”.

De acordo com Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e Celso Cunha & Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), a conjugação do verbo poder no presente do subjuntivo é: que eu possa, que tu possas, que ele possa, etc.

Aplicação ao enunciado: O verbo “possa” está no presente do subjuntivo, pois a ação de escapar é incerta, sugerida por “talvez”.

Análise das alternativas:

A) Presente do Subjuntivo: Certa. “Posso” (indicativo) transforma-se em “possa” (subjuntivo) para marcar hipótese.

B) Futuro do Presente do Indicativo: Forma seria “poderá”. Não corresponde à hipótese nem à incerteza.

C) Presente do Indicativo: Forma seria “pode”. Expressaria certeza, não dúvida.

D) Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: Forma seria “pudesse”. Usada para hipóteses relacionadas ao passado ou condicionais irreais.

E) Futuro do Subjuntivo: Forma seria “puder”. Geralmente aparece em frases condicionais como “quando eu puder”.

Estratégia para provas: Fique atento à relação entre advérbios de dúvida (como “talvez”) e o tempo verbal. Isso geralmente indica o uso do subjuntivo. Observe a terminação verbal e mentalize: “O verbo indica certeza (indicativo) ou possibilidade/hipótese (subjuntivo)?”

Em resumo: A alternativa A é a correta, pois “possa” está conjugado no presente do subjuntivo, indicando incerteza acerca da ação. Essa identificação é fundamental tanto para provas objetivas quanto para uma redação alinhada à norma-padrão.

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Gabarito A

 

Que eu Possa

- Presente do Subjuntivo.

 

Verbo no Subjuntivo exprime possibilidade.

Verbos no presente do Subjuntivo pode exprimir desejo, hipótese, concessão ou dúvida (precedido do talvez).

 

http://www.filologia.org.br/abf/volume1/numero1/06.htm

 

Presente Subjuntivo

que eupossaque tupossasque elepossaque nóspossamosque vóspossaisque elespossam

 

Futuro Subjuntivo

quando eupuderquando tupuderesquando elepuderquando nóspudermosquando vóspuderdesquando elespuderem

 

 Gab.: A 

  

a) Presente do Subjuntivo (QUE EU POSSA

b) Futuro do Presente do Indicativo (EU PODEREI) 

c) Presente do Indicativo (EU POSSO) 

d) Pretérito Imperfeito do Subjuntivo (SE EU PUDESSE) 

e) Futuro do Subjuntivo (QUANDO EU PUDER) 

 

(QUE) eu POSSA ...

Presente do subjuntivo

Gabarito A

 

Modo Indicativo: é o modo da realidade; serve para anunciar um fato ou um estado verdadeiro ou suposto verdadeiro.

Ex: Quem canta seus males espanta.

 

Modo Subjuntivo: é o modo da incerteza, possibilidade, dúvida, suposição.

Ex: Eu vou para Coimbra logo que estejas bom.

 

Modo Imperativo: serve para expressar uma ordem, um conselho, uma exortação, pedido.

Ex: Agora escutai e respondei sinceramente às minhas perguntas.

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