A referência ao algodão-doce colorido, no primeiro período ...

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Q738774 Português

Texto

                                                        A mentirosa liberdade

    Comecei a escrever um novo livro, sobre os mitos e mentiras que nossa cultura expõe em prateleiras enfeitadas, para que a gente enfie esse material na cabeça e, pior, na alma - como se fosse algodão-doce colorido. Com ele chegam os medos que tudo isso nos inspira: medo de não estar bem enquadrados, medo de não ser valorizados pela turma, medo de não ser suficientemente ricos, magros, musculosos, de não participar da melhor balada, de um clube mais chique, de não ter feito a viagem certa nem possuir a tecnologia de ponta no celular. Medo de não ser livres.

    Na verdade, estamos presos numa rede de falsas liberdades. Nunca se falou tanto em liberdade, e poucas vezes fomos tão pressionados por exigências absurdas, que constituem o que chamo a síndrome do “ter de”. Fala-se em liberdade de escolha, mas somos conduzidos pela propaganda como gado para o matadouro, e as opções são tantas que não conseguimos escolher com calma. Medicados como somos (a pressão, a gordura, a fadiga, a insônia, o sono, a depressão e a euforia, a solidão e o medo tratados a remédio), [...] a alegria, de tanta tensão, nos escapa. [...]

    Parece que do começo ao fim passamos a vida sendo cobrados: O que você vai ser? O que vai estudar? Como? Fracassou em mais um vestibular? [...] Treze anos e ainda não ficou? [...] Já precisa trabalhar? Que chatice! E depois: Quarenta anos ganhando tão pouco e trabalhando tanto? E não tem aquele carro? Nunca esteve naquele resort?

    Talvez a gente possa escapar dessas cobranças sendo mais natural, cumprindo deveres reais, curtindo a vida sem se atordoar. Nadar contra toda essa correnteza. Ter opiniões próprias, amadurecer ajuda. Combater a ânsia por coisas que nem queremos, ignorar ofertas no fundo desinteressantes, como roupas ridículas e viagens sem graça, isso ajuda. Descobrir o que queremos e podemos é um aprendizado, mas leva algum tempo: não é preciso escalar o Himalaia social nem ser uma linda mulher nem um homem poderoso. É possível estar contente e ter projetos bem depois dos 40 anos, sem um iate, físico perfeito e grande fortuna. Sem cumprir tantas obrigações fúteis e inúteis, como nos ordenam os mitos e mentiras de uma sociedade insegura, desorientada, em crise. Liberdade não vem de correr atrás de “deveres” impostos de fora, mas de construir a nossa existência, para a qual, com todo esse esforço e desgaste, sobra tão pouco tempo. Não temos de correr angustiados atrás de modelos que nada têm a ver conosco, máscaras, ilusões e melancolia para aguentar a vida, sem liberdade para descobrir o que a gente gostaria mesmo de ter feito.

(LUFT, Lya. Veja, 25/03/09, adaptado)

A referência ao algodão-doce colorido, no primeiro período do texto, ilustra a expressividade da linguagem por meio da seguinte figura de estilo:
Alternativas

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Tema central da questão: Figuras de linguagem (mais especificamente, comparação e diferenciação entre recursos expressivos).

Análise do trecho: No início do texto, encontra-se: “para que a gente enfie esse material na cabeça e, pior, na alma – como se fosse algodão-doce colorido.” O trecho usa a expressão “como” para aproximar explicitamente dois universos distintos: o “material” cultural e o “algodão-doce colorido”.

Na Língua Portuguesa, conforme Cunha & Cintra e Bechara, comparação ocorre sempre que há relacionamento explícito de semelhança com termos como “como”, “assim como”, “tal qual”, entre outros.

Justificativa da alternativa correta: Alternativa C) comparação. A escolha do termo “como se fosse” mostra claramente a presença da comparação, pois evidencia a relação direta de similaridade, com o conectivo comparativo sendo o elemento-chave.

Por que as demais estão erradas?

  • Metáfora: Diferente da comparação, a metáfora ocorre sem expressões comparativas (exemplo: “meu pensamento é um rio”). Aqui, o conectivo torna-a explicitamente uma comparação.
  • Eufemismo: Suaviza uma ideia desagradável (exemplo: “foi para um lugar melhor” ao invés de “morreu”). Não é o objetivo do trecho.
  • Hipérbole: Expressa exagero intencional (exemplo: “chorou rios de lágrimas”). No trecho, não há intensificação exagerada.
  • Personificação: Dá características humanas a não-humanos (“o vento sussurra”). Não está presente na construção analisada.

Estratégias para provas: Ao analisar figuras de linguagem, procure por conectivos (como/assim como) e avalie se a relação de semelhança é explícita ou implícita. Atenção: muitos confundem metáfora e comparação — o segredo é observar se o termo comparativo aparece!

Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra: “A comparação distingue-se da metáfora pelo uso explícito do elemento comparativo”. Portanto, sempre que houver “como”, estamos diante de uma comparação na norma-padrão.

Resumo: A alternativa correta é C) comparação, pois há relação explícita de semelhança com uso de conectivo.

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Comentários

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(C)

Comecei a escrever um novo livro, sobre os mitos e mentiras que nossa cultura expõe em prateleiras enfeitadas, para que a gente enfie esse material na cabeça e, pior, na alma - como se fosse algodão-doce colorido.

Na metáfora, há uma comparação implícita sem utilizar o emprego do COMO, Já na comparação há o emprego da palavra COMO.

Exemplos: Meu pensamento é um rio subterrâneo.(matáfora)

                  Essa garotinha é linda como uma princesa.(comparação)

 

GABARITO C

 

Usou "COMO se fosse"  entao é comparacao!!!  Nada de metafora!!!

Fiquem atentos!

Comparação ou Símile: É a irmã gêmea da metáfora! (tal qual, igual a, como).

 "como se fosse algodão-doce colorido."

#SEGUEOPLANOCOMCRISTO

Eufemismo: suavização de uma ideia para evitar o impacto de uma mensagem cruel, negativa ou ofensiva.

ex: Você está faltando com a verdade. AO INVÉS DE: Você está mentindo!

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