Com 12 horas de internação, JAS evolui com piora da acidose ...

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Q3833339 Medicina
Com 12 horas de internação, JAS evolui com piora da acidose respiratória (pH 7,21 / PaCO₂ 72 mmHg), mesmo em uso de VNI (IPAP 16 / EPAP 6) por 2 horas. Permanece taquipneico, agitado e com rebaixamento do nível de consciência.
Qual a conduta mais apropriada e a estratégia ventilatória inicial indicada?
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que resolve a questão é falha de VNI na exacerbação de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica: o enunciado mostra piora do pH e da PaCO2 após 2 horas de VNI, além de taquipneia, agitação e rebaixamento do nível de consciência, achados que indicam intubação orotraqueal; após intubar, a estratégia inicial deve evitar aprisionamento aéreo e auto-PEEP, com volume corrente baixo e PEEP mínima/baixa.

Tema central: Falha de VNI na DPOC
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o quadro não é de hipercapnia crônica estável da DPOC, mas de acidose respiratória aguda em piora durante VNI. A combinação de piora gasométrica, taquipneia, agitação e rebaixamento do nível de consciência caracteriza falha do método. Manter VNI por mais horas posterga via aérea definitiva em falência ventilatória progressiva.
B
Errada
Está errada porque, embora a intubação seja indicada, volume corrente alto é inadequado na DPOC exacerbada. Na obstrução expiratória, volumes elevados favorecem hiperinsuflação dinâmica e auto-PEEP, elevam pressões intratorácicas e aumentam risco de barotrauma. O objetivo inicial não é corrigir a acidose rapidamente à custa de piorar a mecânica pulmonar.
C
Certa
A alternativa C acerta os dois passos decisivos do caso. Primeiro, reconhece que houve insucesso da VNI, porque a acidose respiratória piorou e houve deterioração clínica e neurológica, o que compromete a eficácia do método e a proteção de via aérea. Segundo, propõe a estratégia ventilatória compatível com fisiologia obstrutiva da DPOC: volume corrente baixo e PEEP mínima/baixa para reduzir hiperinsuflação dinâmica, aprisionamento aéreo e auto-PEEP. Esse é o fundamento técnico específico que sustenta a alternativa.
D
Errada
Está errada porque PEEP alta para recrutamento alveolar é lógica de doença com colapso alveolar difuso recrutável, não do mecanismo dominante da exacerbação hipercápnica da DPOC. Aqui, o problema central é limitação ao fluxo expiratório com aprisionamento aéreo e auto-PEEP; elevar a PEEP rotineiramente nessa situação pode agravar a hiperinsuflação dinâmica.
E
Errada
Está errada porque risco de barotrauma não é contraindicação para intubação quando há falha de VNI e deterioração gasométrica e neurológica. O erro técnico é transformar um risco potencial da ventilação invasiva em motivo para omitir uma conduta indicada. O manejo correto é intubar e ajustar a ventilação de modo a minimizar hiperinsuflação dinâmica.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: achar que hipercapnia em DPOC permite tolerar acidose progressiva durante VNI e supor que a acidose deve ser corrigida com ventilação agressiva, quando na fisiologia obstrutiva a prioridade é reconhecer falha da VNI e evitar hiperinsuflação dinâmica.
Dica para questões semelhantes
  • Em exacerbação de DPOC, piora de pH/PaCO2 associada a desconforto respiratório persistente ou deterioração do estado mental durante VNI aponta falha do método e necessidade de ventilação invasiva.
  • Na DPOC intubada, pense primeiro em reduzir aprisionamento aéreo e auto-PEEP; isso afasta estratégias com volume corrente alto e PEEP alta.
  • Não confunda hipercapnia crônica compensada com acidose respiratória aguda progressiva.
  • Se a alternativa propõe recrutamento alveolar com PEEP alta, confronte com o mecanismo da questão: obstrução expiratória não se resolve como síndrome alveolar difusa.

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