Considerando o funcionamento dos dois vocábulos "que" empre...

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Q3952470 Português
Não sou igual a você

Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.

Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.

O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.

Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?

CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026. 
Considerando o funcionamento dos dois vocábulos "que" empregados no trecho "Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz...", analise seus valores sintáticos e discursivos no período complexo, observando a relação entre oração subordinante e elementos retomados ou introduzidos, e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: No trecho "Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz...", o ponto decisivo é distinguir os dois "que": o primeiro apenas introduz a oração completiva ligada a "saber"; quanto à sua rotulação tradicional, a base registra possível controvérsia, sem alteração do gabarito. Já o segundo "que" retoma explicitamente "pessoa", funcionando como pronome relativo e introduzindo oração subordinada adjetiva restritiva. Esse contraste sustenta a alternativa D.

Tema central: Funções de que
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o primeiro "que" não introduz estrutura explicativa sobre o sujeito; em "Saber que ao seu lado tem uma pessoa", ele introduz o conteúdo subordinado ao verbo "saber". Também erra ao atribuir valor comparativo ao segundo "que", pois em "uma pessoa que pensa diferente de você" ele retoma "pessoa" e introduz oração adjetiva restritiva, não comparação.
B
Errada
Está errada por inverter as classificações. O primeiro "que" não é pronome relativo, porque não há antecedente nominal expresso a ser retomado em "Saber que ao seu lado tem uma pessoa". Já o segundo "que" não é conjunção integrante, porque retoma o substantivo "pessoa" e o caracteriza em "uma pessoa que pensa diferente de você".
C
Errada
Está errada porque o primeiro "que" não exerce anáfora discursiva em relação ao período anterior; sua função é interna ao próprio período, como introdutor da oração completiva ligada a "saber". O segundo "que" também não tem sentido conclusivo: ele introduz oração subordinada adjetiva restritiva vinculada a "pessoa".
D
Certa
A alternativa D é a correta porque identifica que o segundo "que" retoma o antecedente "pessoa" em "uma pessoa que pensa diferente de você", caracterizando-o como pronome relativo e introduzindo oração subordinada adjetiva restritiva. No mesmo período, o primeiro "que" apenas abre o conteúdo associado ao verbo "saber", sem antecedente nominal expresso a ser retomado. Assim, a distinção funcional entre os dois vocábulos confirma a resposta oficial.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre "que" conjunção integrante e "que" pronome relativo, além de tentar deslocar o segundo para valores semânticos indevidos, como comparação ou conclusão.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o "que" retoma um substantivo anterior; se retoma, o critério aponta para pronome relativo.
  • Se o "que" apenas introduz o conteúdo de um verbo, sem antecedente nominal expresso, a função é de introdutor de oração completiva.
  • Não troque análise sintática por impressão de sentido: comparação, conclusão e explicação só valem quando a estrutura realmente sustenta esses valores.

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