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Q3952465 Português
Não sou igual a você

Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.

Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.

O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.

Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?

CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026. 
Considerando a tipologia e o gênero textual que caracterizam o texto apresentado, analise a forma de organização discursiva, a finalidade comunicativa predominante e os recursos linguísticos mobilizados pelo autor na construção do sentido, e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O trecho "Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano." apresenta a tese central do texto e orienta a leitura para uma reflexão valorativa sobre a convivência com as diferenças. Esse eixo de exposição de ideia geral, com contraposição e avaliação, sustenta o predomínio expositivo-argumentativo e invalida as alternativas que pressupõem injunção, narrativa ou descrição.

Tema central: convivência com diferenças
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque identifica o eixo real de organização do texto: o autor expõe um tema geral, assume um ponto de vista sobre o valor e a dificuldade de conviver com o diferente e desenvolve essa posição de modo progressivo. Isso aparece na formulação de juízos gerais, na contraposição argumentativa em "Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro" e no fechamento reflexivo com "Será que você consegue?". O objetivo predominante não é contar fatos nem instruir passo a passo, mas provocar reflexão sobre o comportamento humano diante das divergências.
B
Errada
Está errada porque atribui predomínio injuntivo a um texto que não traz comandos, prescrições sequenciadas nem instruções operacionais. A interlocução com o leitor e a pergunta final não organizam um roteiro de ação; servem para intensificar a reflexão e a avaliação sobre a convivência com a diferença.
C
Errada
Está errada porque o texto não apresenta sequência narrativa essencial. Não há enredo, personagens individualizados, recorte temporal nem sucessão de acontecimentos concretos. As referências a conflitos entre grupos aparecem como generalização argumentativa, não como fatos narrados.
D
Errada
Está errada porque o texto não se concentra em descrição estática de elementos sociais. Mesmo quando enumera "pensamento, ideologias e costumes" ou emoções possíveis, esses elementos funcionam como apoio à tese defendida. Há desenvolvimento argumentativo claro, com avaliação, contraste e conclusão reflexiva.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre interlocução com o leitor e injunção: o uso de "você" e a pergunta final podem sugerir aconselhamento, mas aqui servem à argumentação reflexiva, não a instruções práticas.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o texto defende uma ideia geral com juízos e contraposições; isso aponta para predomínio expositivo-argumentativo.
  • Não classifique como injuntivo apenas porque há segunda pessoa ou interpelação ao leitor; procure comandos e instruções em sequência.
  • Separe traços acessórios do eixo do texto: enumeração isolada não basta para torná-lo descritivo, e situação hipotética não o transforma em narrativo.

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