Na oração explicativa “porque estão a serviço da humanidad...
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Ano: 2026
Banca:
Ribeiro Amaral
Órgão:
Câmara de Rio Espera - MG
Prova:
Ribeiro Amaral - 2026 - Câmara de Rio Espera - MG - Controlador Interno |
Q4438267
Português
Texto associado
Leia o Texto 1 para
responder à questão.
Texto 1
(...) como é que, ao longo
dos últimos 2 mil ou 3 mil
anos, nós construímos a
ideia de humanidade? Será
que ela não está na base de
muitas das escolhas erradas
que fizemos, justificando o
uso da violência? A ideia de
que os brancos europeus
podiam sair colonizando o
resto do mundo estava
sustentada na premissa de
que havia uma humanidade
esclarecida que precisava ir
ao encontro da humanidade
obscurecida, trazendo-a para
essa luz incrível.
Esse chamado para o seio da
civilização sempre foi
justificado pela noção de
que existe um jeito de estar
aqui na Terra, uma certa
verdade, ou uma concepção
de verdade, que guiou
muitas das escolhas feitas
em diferentes períodos da
história. Agora, no começo
do século XXI, algumas
colaborações entre pensadores com visões
distintas originadas em
diferentes culturas
possibilitam uma crítica
dessa ideia. Somos mesmo
uma humanidade?
Pensemos nas nossas
instituições mais bem
consolidadas, como
universidades ou
organismos multilaterais,
que surgiram no século XX:
Banco Mundial,
Organização dos Estados
Americanos (OEA),
Organização das Nações
Unidas (ONU), Organização
das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a
Cultura (Unesco). Quando a
gente quis criar uma reserva
da biosfera em uma região
do Brasil, foi preciso
justificar para a Unesco por
que era importante que o
planeta não fosse devorado
pela mineração.
Para essa instituição, é como
se bastasse manter apenas
alguns lugares como
amostra grátis da Terra. Se
sobrevivermos, vamos
brigar pelos pedaços de
planeta que a gente não
comeu, e os nossos netos ou tataranetos — ou os netos de
nossos tataranetos — vão
poder passear para ver como
era a Terra no passado.
Essas agências e instituições
foram configuradas e
mantidas como estruturas
dessa humanidade. E nós
legitimamos sua
perpetuação, aceitamos suas
decisões, que muitas vezes
são ruins e nos causam
perdas, porque estão a
serviço da humanidade que
pensamos ser. As andanças
que fiz por diferentes
culturas e lugares do mundo
me permitiram avaliar as
garantias dadas ao integrar
esse clube da humanidade. E
fiquei pensando: “Por que
insistimos tanto e durante
tanto tempo em participar
desse clube, que na maioria
das vezes só limita a nossa
capacidade de invenção,
criação, existência e
liberdade?”. Será que não
estamos sempre atualizando
aquela nossa velha
disposição para a servidão
voluntária? Quando a gente
vai entender que os Estados
nacionais já se
desmancharam, que a velha ideia dessas agências já
estava falida na origem?
Em vez disso, seguimos
arrumando um jeito de
projetar outras iguais a elas,
que também poderiam
manter a nossa coesão como
humanidade. Como
justificar que somos uma
humanidade se mais de 70%
estão totalmente alienados
do mínimo exercício de ser?
KRENAK, Aílton. Ideias para adiar o
fim do mundo. São Paulo: Companhia
das Letras, 2019, p. 10-14.
Na oração explicativa
“porque estão a serviço da
humanidade que pensamos
ser”, o pronome relativo que
introduz uma: