Considere o excerto a seguir para responder à questão.“Cada...

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Estudo com esponjas de 300 anos mostra que a Terra ficou 1,5ºC mais quente


O Acordo de Paris, um dos principais tratados internacionais sobre a crise climática, tem como objetivo evitar que o aquecimento global ultrapasse 2ºC até 2100. A meta é que esse aumento não seja maior do que 1,5ºC. No entanto, em estudo publicado na revista Nature nesta segunda-feira (5), pesquisadores apontam que o planeta já atingiu esse valor.


Liderado por Malcolm McCulloch, da Universidade da Austrália Ocidental, o estudo utiliza um método alternativo para mensurar o aquecimento da Terra. A análise de esqueletos de esponjas sugere que o aquecimento da era industrial começou em meados dos anos 1860 – mais de 80 anos antes do que indicavam outros métodos.


O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU), por exemplo, tem como referência o registro da temperatura da superfície do oceano, que começou a ser feito instrumentalmente entre 1850 e 1900. Esse é o período considerado pré-industrial. A partir dele, calcula-se quanto o planeta tem aquecido. No entanto, McCulloch aponta que, nesse mesmo período, as temperaturas globais já haviam subido 0,5ºC. “Nosso resultado é 0,5ºC mais elevado do que a estimativa do IPCC, com um aquecimento global de 2ºC projetado para o final dos anos 2020, quase duas décadas mais cedo do que se esperava”, diz a pesquisa. Segundo os pesquisadores, o planeta ultrapassou 1,5ºC de aquecimento entre 2010 e 2012.


Esponjas antigas


Para chegar a tais conclusões, os cientistas avaliaram a proporção de estrôncio e cálcio em esqueletos de esponjas de 300 anos da espécie Ceratoporella nicholsoni, cuja proporção muda somente com a temperatura da água, o que permite que seja empregada como uma espécie de termômetro. As esponjas são típicas da costa de Porto Rico e ficam em uma área protegida de grandes correntes marítimas e ciclos climáticos, na qual há menor variabilidade na temperatura da água. De acordo com a pesquisa, esponjas antigas podem fornecer evidências relativas a temperaturas até mesmo do século 18.


Os exemplares analisados foram coletados no Caribe a uma profundidade entre 33 e 91 metros, em uma região denominada camada de mistura oceânica. “A temperatura da superfície do mar pode ser altamente variável em cima”, reconhece McCulloch. “Mas essa camada de mistura representa o sistema inteiro dentro de algumas centenas de metros e está em equilíbrio com as temperaturas da atmosfera”, explica em nota. A equipe também observou que as temperaturas obtidas a partir da análise das esponjas são compatíveis aos registros de temperaturas médias de 1964 a 2012.


Não é a primeira vez que estudos sugerem que o planeta está aquecendo desde a década de 1860. Outras formas alternativas de mensurar as temperaturas globais (com núcleos de gelo e anéis de árvores, por exemplo) obtiveram resultados similares. No entanto, o assunto ainda é debatido na comunidade científica.


Sabe-se que a Terra está ficando cada vez mais quente devido à atividade humana, mas o aumento exato relativo aos níveis pré-industriais é alvo de discussões. Há cientistas que defendem que mais estudos precisam ser feitos, utilizando métodos e fontes variados. “Cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível”, afirma Hendry. “Quanto mais peças diferentes do quebra-cabeça pudermos juntar, melhor nós conseguiremos reconstruir essas diferenças de temperatura.”


Revista Galileu. Adaptado. Disponível em https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meioambiente/noticia/2024/02/estudo-com-esponjasde-300-anos-mostra-que-a-terra-ficou-15ocmais-quente.ghtml
Considere o excerto a seguir para responder à questão.

“Cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível”, afirma Hendry. 

O excerto apresentado está em discurso direto. Assinale a alternativa em que o mesmo excerto é passado para discurso indireto corretamente.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão aborda transformação de discurso direto em discurso indireto, exigindo o domínio das regras para adequação verbal, pronominal e de conectivos conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa.

O discurso direto reproduz fielmente as palavras de alguém; já o discurso indireto reporta o que foi dito, introduzindo adaptações. Segundo Cunha & Cintra: "No discurso indireto, há que adaptar tempos verbais, pronomes e advérbios ao contexto da narração." Isso evita incoerências de tempo e perspectiva.

No trecho: “Cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível”, afirma Hendry. Ao passar ao discurso indireto com verbo introdutor no passado (“afirmou”), seguem-se as regras:

  • Presente do indicativo (“é”) -> Pretérito imperfeito (“era”)
  • Futuro do presente (“terá”) -> Futuro do pretérito (“teria”)
  • Futuro do subjuntivo (“encontrarmos”) -> Pretérito imperfeito do subjuntivo (“encontrassem”)

Alternativa correta – A:
“Hendry afirmou que cada proxy de temperatura que encontrassem teria problemas, ressalvas e limitações, e que, portanto, era uma questão de juntar o máximo de proxies possível.”

Explicação: Todos os tempos verbais foram corretamente adaptados ao passado, em conformidade com a gramática normativa. Não há pronomes ou advérbios que exijam alteração adicional, pois a estrutura mantém fidelidade ao sentido original.

Análise das incorretas:
B) Mantém verbo introdutor no presente (“afirma”), contrariando o tempo do original (“afirmou”).
C) Repetem o erro acima e também usam “encontrarem” (futuro do subjuntivo), não havendo concordância com o tempo passado.
D) Apesar do introdutor no passado, mantém “encontrarem”; o correto seria “encontrassem”.
E) Erro duplo: uso de "encontrarão" (futuro do presente) e "foi" (pretérito perfeito), ambos incompatíveis com discurso indireto no passado.

Estratégia para provas: Ao ver questões sobre discurso indireto, verifique o tempo do verbo introdutor. Se estiver no passado, adapte todos os tempos verbais do período relatado, respeitando as normas.
Segundo Bechara, as alterações são obrigatórias para evitar ambiguidade e manter a coesão temporal.

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