Em relação aos distúrbios metabólicos e genéticos em endocri...
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: interpretação de alterações tireoidianas na infância e adolescência, com foco em valores de referência pediátricos, obesidade, hipotireoidismo central e doença de Graves, além do papel dos anticorpos antitireoidianos na conduta.
Gabarito (INCORRETA): E. A simples presença de anticorpos antitireoidianos (anti-TPO, anti-Tg) em crianças não é indicação automática de levotiroxina. Em tireoidite de Hashimoto, a indicação é guiada por TSH e T4 livre, além de sinais clínicos. Em geral, trata-se quando: TSH ≥ 10 mUI/L; ou TSH 4,5–10 mUI/L com sintomas, bócio, dislipidemia, atraso de crescimento/puberal, hipotireoxinemia, ou alto risco (ex.: síndrome de Down/Turner). Anticorpos positivos isoladamente podem ser apenas marcador de risco e requerem monitorização periódica. (Fontes: ESPE/ETA, UpToDate, ATA; Harrison’s)
Por que as demais estão corretas?
A – A faixa de normalidade do TSH é dependente da idade. Neonatos e crianças pequenas têm limites superiores mais altos que adultos, caindo progressivamente até a adolescência. Interpretar com intervalos etários específicos é essencial. (ESPE; UpToDate)
B – Crianças obesas frequentemente apresentam hipertireotropinemia leve (TSH discretamente elevado, T4L normal), mediada por leptina/inflamação e reversível com perda ponderal; não é hipotireoidismo primário na maioria. (UpToDate; estudos longitudinais)
C – No hipotireoidismo central (hipotálamo-hipófise), o TSH pode estar baixo, normal ou discretamente elevado (muitas vezes biologicamente inativo). O diagnóstico baseia-se em T4 livre baixo ou baixo-normal com TSH não apropriadamente elevado. (Harrison’s; Endocrine Society)
D – Na doença de Graves pediátrica, a oftalmopatia ocorre em minoria e tende a ser mais leve que em adultos; formas graves são raras. (ATA 2016/2022 para Graves em crianças)
Estratégia para a prova: identifique “pegadinhas” que confundem marcador de autoimunidade com indicação terapêutica. Em pediatria, trate valores e sintomas, não apenas anticorpos. Sempre checar faixas etárias do TSH e, em suspeita de disfunção central, não confie no TSH isolado; priorize T4 livre.
Referências rápidas: UpToDate (Thyroid disease in children); Harrison’s Principles of Internal Medicine; Diretrizes ATA para Graves pediátrica; posicionamentos ESPE/ETA sobre hipotireoidismo subclínico pediátrico.
Resumo prático: Anticorpos positivos ≠ obrigatoriedade de LT4. Trate quando TSH elevado de forma significativa, sintomas ou repercussões clínicas; no central, guie-se por T4L; em obesidade, TSH pode subir levemente sem ser hipotireoidismo.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo