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Q3655178 Português
A diversidade linguística e cultural, quando considerada no ensino da Língua Portuguesa, suscita avanços epistemológicos e pedagógicos que se relacionam às práticas de valorização das variações de fala e escrita, assim como às dimensões éticas da formação cidadã. Nesse sentido, ao refletir sobre a articulação entre diversidade, ética e ensino da língua, o professor deve ter em vista que:
Alternativas

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Tema central: A questão aborda a diversidade linguística, o preconceito linguístico e a função da norma culta no ensino de Língua Portuguesa, com foco na ética docente e na formação cidadã. Trata-se de interpretação de texto aplicada a conhecimentos sociolinguísticos, exigindo do candidato compreensão de conceitos contemporâneos de ensino da língua.

Justificativa da alternativa correta (A):
A alternativa A está perfeitamente alinhada à Sociolinguística, à ótica de autores como Marcos Bagno e Carlos Alberto Faraco. O texto destaca que o ensino da norma culta é estratégico para a inclusão social, mas deve ser feito com respeito às variedades populares, reconhecendo-as como parte da identidade cultural dos falantes. Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), o ensino inclusivo da norma culta não desqualifica outras variedades linguísticas, mas amplia a competência social do aluno.

Portanto, a alternativa A respeita o princípio da pluralidade linguística, combate o preconceito linguístico e atende à dimensão cidadã do ensino, conforme estabelecem as Diretrizes Curriculares Nacionais e o Manual de Redação da PR, que reconhecem a adequação linguística como instrumento de cidadania.

Análise das alternativas incorretas:

B) Defende a neutralidade axiológica do professor, ignorando a responsabilidade ética de combater o preconceito linguístico. O professor deve adotar postura crítica frente à discriminação, pois o discurso neutro perpetua desigualdades, contrariando os princípios éticos educacionais.

C) Sugere relativizar a norma culta como referência, o que é inadequado: o domínio da norma culta é essencial para inclusão e mobilidade social. O erro está em deslegitimar o ensino da norma culta, que, segundo Cunha & Cintra, deve orientar o aluno para atuar em diferentes contextos sociais, sem menosprezar sua identidade linguística.

D) Propõe a eliminação da distinção entre usos legítimos e ilegítimos em qualquer contexto, o que é inviável na prática social. Faraco (2017) ensina que a adequação linguística depende do contexto comunicativo: nem todos os registros são adequados para todas as situações, sobretudo em ambientes formais como concursos e redação oficial.

Síntese e orientação: O candidato deve saber distinguir respeito à diversidade (promoção da autoestima sociolinguística) de relativização indiscriminada da norma culta. Um ensino crítico e responsável valoriza as diferentes formas de falar, mas promove o letramento formal como ferramenta de igualdade.

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Comentários

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A alternativa A reflete o entendimento presente nos estudos de Sociolinguística Educacional (Bortoni-Ricardo, Faraco, Marcos Bagno, etc.). Esses autores defendem que:

  • A norma culta é um recurso socialmente valorizado e deve ser ensinada como instrumento de ascensão e participação social.
  • Ao mesmo tempo, variedades populares não devem ser desqualificadas, pois fazem parte da identidade cultural dos falantes.
  • O professor deve atuar contra o preconceito linguístico, valorizando a diversidade e reconhecendo que todas as variedades são legítimas dentro de seus contextos de uso.

Essa postura integra ética, diversidade e ensino, sem abandonar a necessidade de ensinar a norma-padrão e sem reproduzir desigualdades simbólicas.

Por que as outras estão incorretas?

B – Falsa: o professor não deve ser neutro diante do preconceito linguístico. Combater discriminações é uma postura ética e pedagógica, não “interferência ideológica”.

C – Parcialmente correta, mas incorreta no conjunto: a diversidade deve ser valorizada, mas não se relativiza a norma culta como referência escolar. Ela continua sendo um modelo importante para práticas públicas e formais.

D – Falsa: nem todas as variedades são adequadas para todos os contextos. O ensino deve desenvolver a competência de alternar registros, não abolir distinções.

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