Um criador de aves de corte relata um aumento súbito na mort...
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Tema central: Micotoxicoses em aves de corte por grãos úmidos contaminados. O quadro agudo com prostração, recusa alimentar, diarreia hemorrágica e enterite hemorrágica severa na necropsia aponta para tricotecenos, especialmente a T-2 toxina.
Alternativa correta: E — T-2 toxina
A T-2 é um tricoteceno produzido por Fusarium spp. que prolifera em grãos armazenados com alta umidade. Mecanismo: inibe a síntese proteica (peptidil-transferase na subunidade 60S ribossomal), causando dano citotóxico às células de rápida renovação do TGI, resultando em ulcerações e hemorragias intestinais, além de imunossupressão. Clínica típica em aves: queda abrupta de consumo, depressão, diarreia sanguinolenta, lesões necrótico-hemorrágicas em boca/esôfago e intestino e mortalidade aumentada. Esse perfil casa perfeitamente com o caso descrito.
Por que as demais estão incorretas?
A) Zearalenona: efeito estrogênico, marcante em suínos (edema vulvar, infertilidade). Aves são pouco sensíveis; não causa enterite hemorrágica aguda.
B) Ocratoxina A: nefrotóxica (Aspergillus/Penicillium). Em aves: nefrose, atraso de crescimento, aumento de mortalidade crônica. Lesões principais são renais, não hemorragia intestinal severa.
C) Aflatoxina B1: hepatotóxica (Aspergillus flavus). Em aves: hepatomegalia, icterícia, hemorragias secundárias por coagulopatia e imunossupressão; quadro típico não é enterite hemorrágica aguda.
D) Fumonisina B1: disruptora de esfingolipídios (Fusarium verticillioides). Leucoencefalomalácia em equinos, edema pulmonar em suínos; em aves, queda de desempenho e lesões hepáticas leves, sem enterite hemorrágica marcante.
Estratégia de prova (pegadinhas): Aflatoxina B1 costuma atrair por ser “a mais famosa”. Foque no local da lesão: fígado (aflatoxina), rim (ocratoxina), trato reprodutivo (zearalenona), vs. trato gastrointestinal hemorrágico (T-2). Alta umidade do grão favorece Fusarium, alinhando-se à T-2.
Diagnóstico e diferenciais práticos: Confirmar por análise da ração (ELISA/LC-MS/MS). Diferenciar de coccidiose (Eimeria, cecos com “tampões”/cecal cores) e enterite necrótica (Clostridium, pseudomembranas). Lesões orais/esofágicas e múltiplos lotes afetados após nova ração reforçam tricoteceno.
Conduta e prevenção na granja: Retirar/diluir a ração contaminada, suporte (eletrólitos, vitaminas). Adsorventes têm eficácia limitada para tricotecenos; preferir desativadores enzimáticos quando disponíveis. Controle de umidade do grão (<13–14%), uso de ácidos orgânicos, limpeza de silos e rotação de estoques.
Referências essenciais: Merck Veterinary Manual (Mycotoxicosis in Poultry); FAO/WHO – Mycotoxin guidelines; EFSA (2011, 2017) sobre T-2/HT-2 em rações.
Gabarito: E
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Comentários
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A T-2 toxina é uma tricotecena, micotoxina produzida principalmente por fungos do gênero Fusarium, que se desenvolvem em grãos armazenados sob condições de alta umidade.
Em aves, essa toxina é classicamente associada a:
- Alta mortalidade súbita
- Prostração e anorexia
- Diarreia hemorrágica
- Lesões intestinais hemorrágicas severas na necropsia
- Necrose da mucosa oral e do trato gastrointestinal
- Efeito citotóxico intenso por inibição da síntese proteica
Essas características coincidem perfeitamente com o quadro descrito.
- A) Zearalenona ❌
- Micotoxina estrogênica → causa distúrbios reprodutivos, não lesões hemorrágicas intestinais.
- B) Ocratoxina A ❌
- Principalmente nefrotóxica, com impacto crônico e menor associação a hemorragias intestinais agudas.
- C) Aflatoxina B1 ❌
- Predominantemente hepatotóxica e carcinogênica, não causa enterite hemorrágica aguda típica.
- D) Fumonisina B1 ❌
- Associada a leucoencefalomalácia em equinos e edema pulmonar em suínos; em aves, os sinais são mais discretos.
- E) T-2 toxina ✅
- Enterite hemorrágica, necrose intestinal, alta mortalidade → quadro clássico em aves.
Resposta correta: E – T-2 toxina
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