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Q3454596 Veterinária
Um criador de aves de corte relata um aumento súbito na mortalidade de seus frangos, acompanhado de sinais de prostração, perda de apetite e diarreia hemorrágica. A necropsia revela lesões hemorrágicas intestinais severas. A análise da ração fornecida às aves identifica a presença de uma toxina produzida por um fungo filamentoso que frequentemente contamina grãos armazenados em condições de alta umidade. Qual das seguintes micotoxinas é mais provavelmente a causa desse quadro clínico em aves?
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Tema central: Micotoxicoses em aves de corte por grãos úmidos contaminados. O quadro agudo com prostração, recusa alimentar, diarreia hemorrágica e enterite hemorrágica severa na necropsia aponta para tricotecenos, especialmente a T-2 toxina.

Alternativa correta: E — T-2 toxina
A T-2 é um tricoteceno produzido por Fusarium spp. que prolifera em grãos armazenados com alta umidade. Mecanismo: inibe a síntese proteica (peptidil-transferase na subunidade 60S ribossomal), causando dano citotóxico às células de rápida renovação do TGI, resultando em ulcerações e hemorragias intestinais, além de imunossupressão. Clínica típica em aves: queda abrupta de consumo, depressão, diarreia sanguinolenta, lesões necrótico-hemorrágicas em boca/esôfago e intestino e mortalidade aumentada. Esse perfil casa perfeitamente com o caso descrito.

Por que as demais estão incorretas?

A) Zearalenona: efeito estrogênico, marcante em suínos (edema vulvar, infertilidade). Aves são pouco sensíveis; não causa enterite hemorrágica aguda.

B) Ocratoxina A: nefrotóxica (Aspergillus/Penicillium). Em aves: nefrose, atraso de crescimento, aumento de mortalidade crônica. Lesões principais são renais, não hemorragia intestinal severa.

C) Aflatoxina B1: hepatotóxica (Aspergillus flavus). Em aves: hepatomegalia, icterícia, hemorragias secundárias por coagulopatia e imunossupressão; quadro típico não é enterite hemorrágica aguda.

D) Fumonisina B1: disruptora de esfingolipídios (Fusarium verticillioides). Leucoencefalomalácia em equinos, edema pulmonar em suínos; em aves, queda de desempenho e lesões hepáticas leves, sem enterite hemorrágica marcante.

Estratégia de prova (pegadinhas): Aflatoxina B1 costuma atrair por ser “a mais famosa”. Foque no local da lesão: fígado (aflatoxina), rim (ocratoxina), trato reprodutivo (zearalenona), vs. trato gastrointestinal hemorrágico (T-2). Alta umidade do grão favorece Fusarium, alinhando-se à T-2.

Diagnóstico e diferenciais práticos: Confirmar por análise da ração (ELISA/LC-MS/MS). Diferenciar de coccidiose (Eimeria, cecos com “tampões”/cecal cores) e enterite necrótica (Clostridium, pseudomembranas). Lesões orais/esofágicas e múltiplos lotes afetados após nova ração reforçam tricoteceno.

Conduta e prevenção na granja: Retirar/diluir a ração contaminada, suporte (eletrólitos, vitaminas). Adsorventes têm eficácia limitada para tricotecenos; preferir desativadores enzimáticos quando disponíveis. Controle de umidade do grão (<13–14%), uso de ácidos orgânicos, limpeza de silos e rotação de estoques.

Referências essenciais: Merck Veterinary Manual (Mycotoxicosis in Poultry); FAO/WHO – Mycotoxin guidelines; EFSA (2011, 2017) sobre T-2/HT-2 em rações.

Gabarito: E

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A T-2 toxina é uma tricotecena, micotoxina produzida principalmente por fungos do gênero Fusarium, que se desenvolvem em grãos armazenados sob condições de alta umidade.

Em aves, essa toxina é classicamente associada a:

  • Alta mortalidade súbita
  • Prostração e anorexia
  • Diarreia hemorrágica
  • Lesões intestinais hemorrágicas severas na necropsia
  • Necrose da mucosa oral e do trato gastrointestinal
  • Efeito citotóxico intenso por inibição da síntese proteica

Essas características coincidem perfeitamente com o quadro descrito.

  • A) Zearalenona
  • Micotoxina estrogênica → causa distúrbios reprodutivos, não lesões hemorrágicas intestinais.
  • B) Ocratoxina A
  • Principalmente nefrotóxica, com impacto crônico e menor associação a hemorragias intestinais agudas.
  • C) Aflatoxina B1
  • Predominantemente hepatotóxica e carcinogênica, não causa enterite hemorrágica aguda típica.
  • D) Fumonisina B1
  • Associada a leucoencefalomalácia em equinos e edema pulmonar em suínos; em aves, os sinais são mais discretos.
  • E) T-2 toxina
  • Enterite hemorrágica, necrose intestinal, alta mortalidade → quadro clássico em aves.

Resposta correta: E – T-2 toxina

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