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Q3832358 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Comunicar ainda é um ato humano


Vivemos um tempo paradoxal: nunca foi tão fácil produzir conteúdo, mas nunca foi tão difícil produzir sentido. Em meio a textos automatizados e narrativas guiadas por algoritmos, surge uma questão essencial: o que acontece quando delegamos às máquinas não apenas a forma, mas a intenção do que comunicamos? O risco central não é a substituição do humano, mas o esvaziamento do significado.

Sem intenção consciente, a comunicação se transforma em mero estímulo eficiente, porém vazio. Quando sistemas decidem o que deve emocionar ou convencer, perde-se a responsabilidade sobre o porquê da mensagem. Onde não há intenção humana, há o perigo da manipulação disfarçada de inovação.

Nesse cenário, comunicar exige ética. Não basta dominar ferramentas tecnológicas; é preciso usá-las para ampliar a consciência, não para anestesiá-la. A inteligência artificial reflete valores e visões de mundo de quem a cria, mas carece de um elemento insubstituível: a consciência ética humana.

A IA pode ampliar e organizar vozes, mas não cria intenção. A intenção é o núcleo da comunicação. Criar e comunicar continuam sendo atos humanos profundos, encontros entre consciência e linguagem. A tecnologia pode amplificar, mas apenas o humano decide o que merece ser dito.

Texto Adaptado

MCSILL, James. Comunicar ainda é um ato humano. Hoje em Dia, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/comunicar-ainda-e-um-at o-humano-1.1097630 . Acesso em: 16 dez. 2025. 
A partir das ideias desenvolvidas no texto "Comunicar ainda é um ato humano", analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A resolução depende de leitura literal e inferência direta do trecho obrigatório — "A IA pode ampliar e organizar vozes, mas não cria intenção. A intenção é o núcleo da comunicação. [...] A tecnologia pode amplificar, mas apenas o humano decide o que merece ser dito." — que atribui à IA apenas função instrumental e preserva ao humano a intenção e a decisão comunicativa; por isso, a alternativa D é a única compatível com a tese do texto.

Tema central: limites da IA na comunicação
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por contradição direta com o texto. A alternativa atribui à tecnologia autonomia para decidir o que deve ser comunicado, mas o texto afirma o contrário: "apenas o humano decide o que merece ser dito".
B
Errada
Está errada porque o texto nega expressamente a intencionalidade e a consciência ética atribuídas à IA: "mas não cria intenção" e "carece de um elemento insubstituível: a consciência ética humana".
C
Errada
Está errada por inverter o sentido argumentativo do texto. O texto não diz que a automatização neutraliza riscos éticos; ao contrário, afirma: "Onde não há intenção humana, há o perigo da manipulação disfarçada de inovação."
D
Certa
A alternativa D está correta porque retoma com fidelidade a ideia central do texto: a inteligência artificial pode ampliar e organizar vozes, mas não cria intenção. Isso corresponde ao que o autor afirma ao tratar a intenção como núcleo da comunicação e ao reservar ao humano a decisão sobre o que merece ser dito. O texto também reforça que a IA carece de consciência ética humana, o que sustenta o limite atribuído à tecnologia.
E
Errada
Está errada porque altera a hierarquia afirmada pelo texto. A alternativa coloca o domínio das ferramentas acima da intencionalidade do emissor, mas o autor diz: "Não basta dominar ferramentas tecnológicas" e afirma que "A intenção é o núcleo da comunicação."
Pegadinha da questão
A pegadinha foi trocar função instrumental da IA por autonomia comunicativa plena: o texto admite que a tecnologia "pode ampliar e organizar vozes", mas as alternativas erradas transformam isso em capacidade de decidir, intencionar, neutralizar riscos éticos ou valer mais que a intenção humana.
Dica para questões semelhantes
  • Localize a tese explícita do texto e procure a alternativa que a parafraseia sem trocar o sentido.
  • Desconfie de alternativas que convertam capacidade técnica em intenção, consciência ética ou autonomia decisória se o texto separa esses planos.
  • Quando o texto usa negações claras como "não cria intenção" ou "não basta", elimine alternativas que afirmem o contrário.

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