A catarata em que ocorre a liquefação do córtex, com conseq...
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: classificação das cataratas senis, especialmente o estágio hipermaduro em que há alterações estruturais marcantes do cristalino.
Alternativa correta: B — catarata morganiana
Na catarata morganiana ocorre liquefação do córtex do cristalino; com a perda do suporte cortical, o núcleo denso “afunda” inferiormente por gravidade, podendo ficar móvel dentro de um conteúdo esbranquiçado e “leitosa”. Biomicroscopicamente, observa-se câmara anterior turva pelos conteúdos proteicos e um núcleo deslocado inferiormente. Complicações associadas incluem glaucoma facolítico (bloqueio do trabeculado por proteínas/lactoferrina e macrófagos) e uveíte induzida pela lente. Esse quadro é clássico de hipermaturidade do cristalino. Referências: Kanski’s Clinical Ophthalmology; AAO BCSC (Lens and Cataract); UpToDate (Age-related cataract).
Estratégia para a prova: identifique as “palavras-chave” liquefação do córtex + afundamento do núcleo. Esse pareamento aponta diretamente para morganiana, diferenciando-a de outros estágios/entidades.
Análise das alternativas incorretas
A — catarata nigra: forma extrema de esclerose nuclear com núcleo muito denso e escurecido (“preto”), sem liquefação cortical e sem “afundamento” do núcleo. É a coloração/consistência do núcleo que define, não a posição.
C — madura: todo o cristalino opacificado com perda do reflexo vermelho, porém o córtex ainda não está liquefeito e o núcleo permanece central. O “afundamento” é típico da hipermadura morganiana.
D — nuclear esclerótica: aumento progressivo da densidade do núcleo (muitas vezes com myopic shift), sem liquefação cortical e sem mobilidade do núcleo. Estágio comum da catarata senil, mas não explica o achado descrito.
E — ectopia lentis: deslocamento do cristalino por fraqueza zonular (ex.: Marfan, homocistinúria, trauma). Não é um tipo de catarata, e o mecanismo não envolve liquefação do córtex com queda do núcleo.
Diagnóstico e conduta prática
Biomicroscopia confirma conteúdo cortical “leitoso” e núcleo dependente inferior; avalie PIO (risco de glaucoma facolítico) e, se necessário, ultrassom modo B para avaliar retina quando a visualização é ruim. Tratamento é cirúrgico (facoemulsificação ou extração extracapsular), com atenção a cápsula frágil e possível fraqueza zonular. Diretrizes da AAO e consensos atuais recomendam manejo individualizado conforme densidade nuclear e integridade capsular.
Resumo para fixar: “córtex líquido + núcleo que afunda” = catarata morganiana.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo