Associado desta maneira ao processo civilizador segundo
as classes dominantes, arraigado na consciência de grupos sociais
cada vez mais numerosos, o índio não teve dificuldade em
tornar-se personagem literário privilegiado. Nos três poemas
referidos há pouco — O Uraguai, Vila Rica, Caramuru —,
sobretudo no primeiro e no terceiro, ele entra como força
pitoresca e humana, enquanto em outras composições menores
vai aparecendo cada vez mais como símbolo da terra e, depois,
dos sentimentos locais. Para os escritores da segunda metade do
século XVIII, muitos dos quais seguiam as convenções da poesia
pastoral, e, portanto, proclamavam a beleza e dignidade da vida
rústica, o reconhecimento do índio como tipo de “homem
natural” era quase uma extensão lógica. Depois de 1840 os
românticos fizeram do Indianismo uma paixão nacionalista, que
transbordou o círculo dos leitores e se espalhou por todo o País,
onde perdura o uso dos nomes indígenas, muitos dos quais
tomados a personagens de romances e poemas daquela época. Os
dois escritores mais eminentes do Indianismo romântico,
Gonçalves Dias e José de Alencar, foram considerados pelos
contemporâneos como realizadores de uma literatura que
finalmente era nacional, porque manifestava a nossa
sensibilidade e a nossa visão das coisas.
Antonio Candido. Literatura de dois gumes. In: A educação pela noite.
Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006, p. 210-211.
Julgue o item a seguir, em relação ao texto de Antonio Candido e ao Indianismo.
A expressão “há pouco” (segundo período) transmite ao
leitor um sentido temporal referente a algo ocorrido ou dito
em um passado muito recente.
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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