“Para ela, o tédio não surge da falta de estímulos, mas do ...

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Q3794468 Português
O que fazer em viagens longas?

    As redes sociais não entregam mais nada interessante, as paisagens ficaram ___________ e o sono não vem. Ainda faltam horas para o destino, e a mente e o corpo imploram por atividade, mas o que fazer nesse espaço apertado? Como lidar com os pensamentos que insistem em correr?

    Segundo a psicóloga e professora Júlia Murta, o desafio começa porque nos desacostumamos a lidar com o tempo livre. “A rotina atual exige produtividade constante. Quando o tempo se alonga, como em uma viagem, somos convidados a encarar um tipo de silêncio interno e externo que normalmente abafamos”, explica.

    Júlia destaca que a associação entre tédio e negatividade é fruto de um mal-estar contemporâneo: “O tédio pode ser um sintoma da dependência de produtividade para nos sentirmos válidos. Ele incomoda, mas também pode ser revelador”. 

    Para ela, o tédio não surge da falta de estímulos, mas do enfrentamento do vazio — e viajar também é autodescoberta. Encarar o tempo livre como autocuidado, porém, requer processo.

    “Leituras leves, anotações pessoais, escutar músicas ou podcasts com temas subjetivos podem ajudar a atravessar o tempo sem cair na aceleração compulsiva da mente. Não se trata de preencher, mas de sustentar a presença”.  

    Além do cuidado com a mente, o corpo também precisa de atenção: passar horas na mesma posição é prejudicial em qualquer lugar, especialmente em viagens, quando o espaço é limitado.

    A especialista também diferencia as dores comuns das que são um alerta — de acordo com ela, desconfortos no pescoço, na lombar e nas pernas são normais, afinal, a coluna é sobrecarregada ao se posicionar sentado.  

    No entanto, dores musculares e articulares, formigamentos e dormência são indícios de risco para o corpo. 

                                                                                                                                          Fonte: Revista Bom Voyage. Adaptado. 
“Para ela, o tédio não surge da falta de estímulos, mas do enfrentamento do vazio. [...]” (4º parágrafo).
Os termos sublinhados, respectivamente, exercem as funções sintáticas de: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A distinção decisiva é entre objeto indireto e complemento nominal: objeto indireto é termo preposicionado exigido por verbo, locução verbal ou, em construções cristalizadas, por palavra de valor relacional; complemento nominal é termo preposicionado que completa o sentido de nome, adjetivo ou advérbio. Na leitura adotada pela banca, em “Além do cuidado com a mente”, o segmento preposicionado é regido por “além”, motivo pelo qual foi enquadrado como objeto indireto; em “do enfrentamento do vazio”, “do vazio” completa o sentido do nome de ação “enfrentamento”, caracterizando complemento nominal. Essa combinação mantém a alternativa D.

Tema central: Objeto indireto e complemento nominal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o primeiro termo não foi classificado pela banca como complemento nominal. Em “Além do cuidado com a mente”, o segmento preposicionado foi tomado como objeto indireto pela construção com “além de”.
B
Errada
Está errada porque “do vazio” não é adjunto adnominal. O núcleo “enfrentamento” é substantivo abstrato de ação, e “do vazio” completa o seu sentido, o que caracteriza complemento nominal.
C
Errada
Está errada porque, embora a primeira classificação coincida com a adotada pela banca, a segunda não procede. “Do vazio” completa o nome “enfrentamento” e, por isso, é complemento nominal, não adjunto adnominal.
D
Certa
A alternativa D é a correta porque a banca classificou o primeiro termo, “do cuidado com a mente”, como objeto indireto na construção com “além de”, sem tratá-lo como termo que determina um substantivo. Já “do vazio” completa o nome “enfrentamento”, que é substantivo abstrato de ação, e por isso funciona como complemento nominal. Como a segunda classificação é segura e a primeira é a adotada pela chave oficial, a sequência indicada na letra D é a compatível com o gabarito.
Pegadinha da questão
A questão explora a confusão entre complemento nominal e adjunto adnominal e, no primeiro trecho, a leitura específica da banca para a construção com “além de”.
Dica para questões semelhantes
  • Em substantivo abstrato de ação, verifique se o termo preposicionado completa o nome; se completar, tende a ser complemento nominal.
  • Não classifique automaticamente como adjunto adnominal todo termo preposicionado ligado a substantivo.
  • Quando a banca adotar leitura específica de construção relacional, siga a chave de correção para resolver a alternativa.

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Comentários

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O gabarito está errado, a resposta correta é a A.

GABARITO D

> "Do enfrentamento"

O tédio não surge do enfrentamento. Então "do enfrentamento" está complementando um verbo (surge), e não um nome, por preposição, então só pode ser objeto indireto. Quem surge, surge de ...

Alguns gramáticos modernos classificam como adjunto adverbial de origem, mas, pela regência do verbo, a função de complemento é a mais aceita.

> "Do vazio"

Complementa "Do enfrentamento", que é um substantivo abstrato.

O "vazio" não "enfrenta" nada; ele "é enfrentado". Como o termo tem sentido passivo (sofre a ação de ser enfrentado), ele é obrigatoriamente um Complemento Nominal.

Gabarito: D

Existe paralelismo sintático, por isso a expressão preposicionada "do enfrentamento do vazio" é um objeto indireto, assim como "da falta de estímulos" a expressão preposicionada mais próximas do verbo "surgir".

"Do vazio" é um complemento nominal, que faz complemento à expressão enfrentamento.

Elaboração sobre paralelismo, segundo Gemini:

As conjunções coordenativas (como o "mas") servem como um "espelho" ou uma ponte entre termos de mesma hierarquia.

Na frase: "O tédio não surge [da falta de estímulos], mas [do enfrentamento do vazio]", o "mas" está ligando dois blocos que completam o mesmo verbo.

  • O tédio não surge disso...
  • ...mas surge daquilo.

Ambos os blocos são Objetos Indiretos do verbo "surgir". O fato de haver uma conjunção no meio não muda a natureza da relação com o verbo; ela apenas introduz uma ideia de oposição entre dois complementos que possuem a mesma função."

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