“Um amigo não dá carona apenas para festa. Te leva para o m...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3875190 Português
Entre amigos


    Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona para a festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

    Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, “A Identidade”, que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. 

    Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo construído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.

    Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.

    Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. 

    Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.

    Um amigo não dá carona apenas para festa. Te leva para o mundo dele, e topa conhecer o teu.

    Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o réveillon.

    Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.

    Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

    Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.


Fonte: Martha Medeiros.
“Um amigo não dá carona apenas para festa. Te leva para o mundo dele, e topa conhecer o teu.” (7º parágrafo).

O pronome oblíquo “te” deveria estar em posição enclítica ao verbo. Nesse sentido, assinalar a alternativa em que a colocação do pronome foi realizada de forma CORRETA. 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a regra de colocação pronominal: o enunciado toma “Te leva para o mundo dele, e topa conhecer o teu.” como exemplo de forma sem ênclise em início de oração, enquanto as alternativas devem ser julgadas pelo mesmo critério normativo. Nesse conjunto, a opção B é a escolhida pelo gabarito oficial por apresentar a posição do pronome átono aceita no contexto dado.

Tema central: colocação pronominal
Análise das alternativas
A
Errada
O gabarito oficial não a admite como correta. A própria base registra controvérsia: a ênclise em “conquista-te” pode ser tida como formalmente possível em tradição normativa, já que não há fator de atração obrigatório antes do verbo. Por isso, a exclusão de A não é plenamente pacífica. Ainda assim, pela base e pela aderência obrigatória ao gabarito oficial, ela não é a opção validada.
B
Certa
A alternativa B está correta porque apresenta ênclise ao verbo finito sem fator de atração precedente: “reclamou-se”. Segundo a base, nessa estrutura não há elemento que imponha próclise, e a ênclise é compatível com a norma-padrão. O eventual estranhamento de sentido não interfere na resolução, porque o foco da questão é exclusivamente a posição do pronome oblíquo átono.
C
Errada
Está incorreta porque a construção “se fazendo” traz posição inadequada do pronome diante de forma no gerúndio nesse arranjo. A base indica que essa não é a colocação esperada no padrão pedido; se a intenção fosse ligar o pronome ao verbo, a forma normativa seria “fazendo-se”. O erro decisivo, portanto, é a posição indevida do pronome em estrutura com gerúndio.
D
Errada
Está incorreta porque a próclise em “se falam” aparece depois de “Agora,” com vírgula. Pela base, a pausa enfraquece a força atrativa do advérbio, de modo que essa próclise não se legitima na tradição normativa escolar. O ponto decisivo aqui é a pontuação: o advérbio isolado por vírgula não autoriza, nesse item, a colocação usada.
Pegadinha da questão
A banca mistura um trecho literário com uma cobrança de norma-padrão e ainda cria distração com alternativas que parecem aceitáveis à primeira vista, especialmente a A; além disso, em D, a vírgula após “Agora” é decisiva para invalidar a próclise.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro se há palavra atrativa antes do verbo; sem esse fator, a ênclise tende a ser a forma acolhida pela norma-padrão escolar.
  • Observe a pontuação: advérbio seguido de vírgula pode perder a força de atração para próclise.
  • Com gerúndio, não aceite automaticamente pronome solto antes do verbo; confira se a posição do átono está de fato de acordo com a norma cobrada.
  • Se uma alternativa parecer defensável, mas a base apontar controvérsia e o gabarito oficial escolher outra, resolva pelo critério central explicitado na base.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Sujeito expresso, próclise eu ênclise é facultativo. Portanto, qual o erro da C?

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo