As micotoxinas são metabólitos secundários de fungos, sendo...

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Q3329664 Técnicas em Laboratório
As micotoxinas são metabólitos secundários de fungos, sendo tóxicos para humanos e outros animais em graus variáveis. A exposição crônica a pequenas quantidades de micotoxinas pode gerar efeitos carcinogênicos e teratogênicos, dependendo da micotoxina avaliada. Além disso, as micotoxinas podem ser responsáveis pela perda de milhões de dólares em todo o mundo com gastos em saúde humana e animal, e condenação de produtos agrícolas. A ocratoxina A, que contamina milho e grãos estocados, e que é relatada como nefrotóxica, imunossupressora, carcinogênica e teratogênica, tem como produtor(es) o(s) fungo(s) do(s) gênero(s): 
Alternativas

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Tema central: micotoxinas em alimentos, com foco na ocratoxina A (OTA), um metabólito secundário de fungos que contamina milho e grãos estocados, causando nefrotoxicidade, além de efeitos imunossupressores, carcinogênicos e teratogênicos. Clinicamente, a OTA relaciona-se a nefropatia intersticial crônica (ex.: “nefropatia endêmica dos Bálcãs”).

Alternativa correta: B — Aspergillus spp. e Penicillium sp.

Justificativa: A OTA é produzida por espécies de Aspergillus (especialmente A. ochraceus, A. carbonarius e membros do complexo A. niger) e por Penicillium (principalmente P. verrucosum). Esses fungos são típicos de armazenamento, proliferando em umidade/temperaturas inadequadas, o que explica a contaminação de grãos. Diretrizes e pareceres técnicos da FAO/OMS (Codex Alimentarius) e da EFSA descrevem esses gêneros como os principais produtores de OTA; a IARC classifica a OTA como possivelmente carcinogênica para humanos (Grupo 2B). Em laboratório, a detecção se faz por ELISA como triagem e HPLC/LC-MS/MS como confirmação.

Estratégia de prova: a pista “grãos estocados” remete a fungos de armazenamento (Aspergillus/Penicillium), diferindo de Fusarium (fungo de campo). Regra-mnemônica útil: OTA → Aspergillus/Penicillium; aflatoxinas → Aspergillus; fumonisinas, DON, zearalenona → Fusarium.

Análise das alternativas incorretas:

A — Aspergillus spp. Incompleta. Embora espécies de Aspergillus produzam OTA, Penicillium verrucosum é produtor importante, sobretudo em climas temperados. Omissão relevante.

C — Penicillium sp. Também incompleta. Em clima tropical/subtropical, Aspergillus (ex.: A. ochraceus) é fonte predominante de OTA em grãos e café; excluir Aspergillus torna a opção incorreta.

D — Fusarium sp. e Alternaria spp. Incorreta por associação de toxinas. Fusarium produz fumonisinas, tricotecenos (DON, T-2/HT-2) e zearalenona; Alternaria produz alternariol e tenuazônica. Não são produtores clássicos de OTA.

E — Fusarium sp. e Trichoderma sp. Incorreta. Fusarium não é produtor típico de OTA e Trichoderma não é relevante em segurança de alimentos por OTA (peptaibóis não se enquadram aqui).

Aplicação prática: Na vigilância sanitária e no controle de qualidade, priorizar boas práticas de secagem e armazenamento para reduzir Aspergillus/Penicillium e monitorar OTA com ELISA (triagem) e LC-MS/MS (confirmação), conforme Codex/FAO/OMS e avaliações da EFSA.

Gabarito: B

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