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Q3329659 Técnicas em Laboratório
Na urinálise, o exame EAS (Elementos Anormais do Sedimento) geralmente é o primeiro a ser solicitado para auxiliar na identificação de infecções urinárias e de outros agravos do trato urinário. Esta metodologia serve para avaliar aspectos físicos (ex.: pH), químicos (ex.: proteínas e corpos cetônicos) e detecção de elementos normalmente não encontrados na urina (ex.: bactérias, cristais, muco, células epiteliais, hemoglobina, entre outros). A cistite, ocasionada por infecção bacteriana é muito frequente, principalmente em mulheres. Com relação ao resultado do exame de EAS pode-se afirmar que:  
Alternativas

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Tema central: interpretação do EAS (urina tipo 1) na suspeita de infecção do trato urinário (ITU), com foco em testes químicos (nitrito, esterase leucocitária), pH e achados do sedimento. Conhecer limitações e especificidades desses marcadores é crucial em provas e na prática (Harrison’s; UpToDate; Diretrizes IDSA para cistite).

Alternativa correta: AO nitrito pode ser negativo mesmo com urocultura positiva. Nem todas as bactérias reduzem nitrato a nitrito; logo, cultura positiva ≠ nitrito positivo. Ex.: Enterococcus spp. e Staphylococcus saprophyticus (gram-positivas) geralmente não produzem nitrito. Além disso, é preciso tempo de permanência na bexiga (~4 horas) e nitrato dietético para o teste positivar; vitamina C e diurese frequente geram falso-negativos. Assim, o teste de nitrito tem alta especificidade e sensibilidade limitada (comuns valores de 35–60%) (UpToDate; IDSA).

Por que as demais estão incorretas?

B) Valores de referência do pH urinário são ~4,5 a 8,0, não 7,0–10,0. pH alcalino (>8) sugere bactérias urease-positivas (ex.: Proteus) ou amostra antiga; pH ácido ocorre em jejum, cetoacidose diabética, diarreia. A alternativa inverteu a interpretação e trouxe faixa irreal (Tietz; UpToDate).

C) A positividade do nitrito se relaciona sobretudo a gram-negativos redutores de nitrato (ex.: E. coli, Enterobacteriaceae), não a gram-positivos. Gram-positivos comuns em ITU (Enterococcus, S. saprophyticus) costumam não produzir nitrito. Logo, a afirmação contraria a microbiologia básica (Harrison’s; UpToDate).

D) Leucocitúria indica inflamação/infeção, mas não é padrão-ouro. O padrão-ouro para ITU é a urocultura com crescimento significativo (em mulheres sintomáticas, frequentemente ≥10²–10³ UFC/mL) (IDSA). Há piúria estéril (ex.: tubulointersticial, DSTs, TB) e há ITU com piúria discreta/ausente em alguns contextos; portanto, não define sozinha o diagnóstico.

E) Corpos cetônicos indicam lipólise aumentada (jejum, vômitos, cetoacidose diabética, gravidez), não ITU por gram-negativos. Não há relação causal entre cetonúria e etiologia bacteriana da ITU (Harrison’s; UpToDate).

Dicas de prova (pegadinhas):
• “Padrão-ouro” em ITU = urocultura, não fita reagente.
Nitrito: alta especificidade, sensibilidade limitada; precisa de tempo na bexiga e bactéria redutora.
pH urinário normal 4,5–8,0; pH muito alcalino sugere urease-positivas ou amostra antiga.
Vitamina C pode gerar falso-negativo para nitrito e esterase.

Conclusão: A é a única que reflete corretamente as limitações do nitrito no EAS e sua relação com a urocultura, em consonância com Harrison’s, UpToDate e diretrizes IDSA.

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