O paciente Sicrano, um homem de 35 anos, foi diagnosticado c...

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Q3880205 Fisioterapia
O paciente Sicrano, um homem de 35 anos, foi diagnosticado com politraumatismo grave decorrente de acidente de trânsito, apresentando fraturas de costelas e contusão pulmonar. Ele está internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) sob ventilação mecânica (VM) e possui o diagnóstico prévio de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), além de estar com pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PJP), o que eleva drasticamente o risco de transmissão de patógenos. O Dr. Fulano, fisioterapeuta responsável, iniciou a rotina de reabilitação pulmonar e cinesioterapia. Contudo, devido a uma falha institucional na gestão de insumos, o estoque de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) estava comprometido. O Dr. Fulano atendeu Sicrano de forma insegura, utilizando apenas luvas de procedimento simples e uma máscara comum, sem dispor de itens essenciais, como avental impermeável, óculos de proteção e/ou protetor facial, ou a máscara N95 (adequada para procedimentos que geram aerossóis, como a aspiração). Durante a manobra de aspiração de secreções do tubo endotraqueal, Sicrano apresentou um acesso de tosse súbita e intensa. Esse evento resultou em um refluxo e na projeção de secreção (material biológico contendo sangue e muco) que atingiu a mucosa ocular e a área desprotegida da boca (entre a borda inferior da máscara e o pescoço) do profissional. O caso enfatiza que a disponibilidade contínua de EPI adequado é uma responsabilidade institucional fundamental, especialmente na Fisioterapia Respiratória em UTI, que é uma das áreas com o maior risco de acidentes com exposição a material biológico devido à natureza invasiva e aerossolizante de suas intervenções. Com base nas informações, analise as seguintes assertivas:

I- Dr. Fulano sofreu um Acidente com Material Biológico (AMB), necessitando de avaliação e, provavelmente, do início imediato da Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para prevenir a transmissão do HIV e/ou outras (Vírus da Imunodeficiência Humana) infecções.
II- Princípio da Utilização de Barreiras de Proteção Adequadas ao Risco. Esta é a falha central. O profissional não utilizou o Equipamento de Proteção Individual (EPI) completo e adequado para o procedimento de alto risco que realizaria.
III- Princípio da Avaliação de Risco e da Precaução Específica: O profissional e/ou a instituição falharam em avaliar corretamente o risco agregado do paciente (SIDA + pneumonia por PJP + procedimento gerador de aerossóis) e, portanto, não implementaram o conjunto de precauções necessárias.
IV- Princípio da Responsabilidade Institucional na Disponibilidade de EPI. A falha institucional na gestão de estoque de EPIs é um princípio de biossegurança fundamental que foi violado. A instituição é obrigada a fornecer, de forma contínua e acessível, todos os EPIs necessários para a proteção da equipe e dos pacientes.
V- Princípio da Precaução Padrão (Universal). Este princípio fundamental afirma que todo paciente deve ser tratado como potencialmente infeccioso, independentemente de diagnóstico conhecido. No entanto, no caso descrito, mesmo com um diagnóstico de infecção transmitida por aerossóis (pneumonia) e sangue (SIDA), as precauções foram relaxadas com relação à falta de EPI.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A combinação de exposição de mucosa a secreção com sangue durante aspiração endotraqueal, procedimento com risco de aerossóis, caracteriza acidente com material biológico e exige precauções padrão somadas a barreiras específicas e avaliação imediata para conduta pós-exposição; por isso, as assertivas I, II, III, IV e V estão corretas.

Tema central: Biossegurança em UTI
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque exclui III e V. A III é verdadeira: o cenário exigia avaliação de risco ampliada pelo procedimento gerador de aerossóis, pela ventilação mecânica e pela projeção de secreção com sangue, com implementação de precauções específicas. A V também é verdadeira: precauções padrão valem para qualquer paciente e não são substituídas pelo fato de existir diagnóstico infeccioso conhecido; neste caso, deveriam ser mantidas e somadas a medidas adicionais.
B
Certa
A alternativa B está correta porque integra todos os elementos técnicos presentes no caso. A assertiva I é sustentada pela definição de acidente com material biológico: houve exposição ocupacional relevante de mucosa ocular e oral a material biológico com sangue, o que impõe avaliação imediata do risco e consideração de PEP conforme protocolo, sem afirmar de modo indevido que toda exposição obrigatoriamente recebe PEP. A assertiva II está correta porque a aspiração de via aérea, com possibilidade de tosse, respingo e aerossol, exige barreiras adequadas ao risco; luvas e máscara comum, sem proteção ocular/facial, avental impermeável e sem proteção respiratória apropriada, são insuficientes. A assertiva III também procede, pois além das precauções padrão havia risco agregado pelo contexto de ventilação mecânica, aspiração endotraqueal e patógeno respiratório, exigindo precauções específicas. A IV é correta porque o fornecimento contínuo e acessível de EPI adequado é dever institucional. A V é correta porque a precaução padrão se aplica a todos os pacientes independentemente do diagnóstico; no caso, a presença de SIDA e pneumonia não altera essa universalidade, apenas reforça a necessidade de precauções específicas adicionais.
C
Errada
Está errada porque exclui I e IV. A I é verdadeira porque exposição de mucosa ocular e oral a secreção com sangue caracteriza acidente com material biológico e exige avaliação imediata da exposição, com provável consideração de PEP conforme protocolo. A IV é verdadeira porque a indisponibilidade de EPI adequado não é mero detalhe administrativo: configura falha institucional direta na gestão do risco ocupacional.
D
Errada
Está errada porque exclui II. O erro médico dessa exclusão é ignorar a prevenção primária do acidente: em aspiração endotraqueal há risco conhecido de aerossóis e respingos, de modo que o uso de EPI completo e compatível com esse risco é parte central da biossegurança. Máscara comum e luvas simples não cobrem a proteção necessária nesse cenário.
E
Errada
Está errada porque exclui V. A assertiva V está correta ao afirmar que a precaução padrão é universal e independe de diagnóstico prévio. O caso não afasta esse princípio; ao contrário, mostra seu descumprimento e a necessidade de acrescentar precauções específicas pelo tipo de procedimento e pela via de transmissão envolvida. A confusão aqui seria opor precaução padrão a precauções específicas, quando elas são cumulativas.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre precaução padrão e precauções específicas, e também a falsa ideia de que acidente com material biológico só existe em exposição percutânea; aqui houve AMB por contato de mucosa com secreção contendo sangue, e as medidas padrão não deixam de valer por haver diagnóstico infeccioso conhecido.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver contato de sangue ou material biológico potencialmente contaminado com mucosa ocular, oral ou pele não íntegra, reconheça acidente com material biológico mesmo sem perfuração por agulha.
  • Em procedimento respiratório invasivo com chance de tosse, respingo ou aerossol, avalie se o EPI estava compatível com o risco: proteção ocular/facial, avental, luvas e proteção respiratória apropriada.
  • Não trate precaução padrão e precauções específicas como alternativas excludentes; a primeira sempre se aplica, e a segunda se soma quando o risco do procedimento ou da via de transmissão exige.
  • Se o enunciado mencionar falta de EPI por problema de estoque, considere responsabilidade institucional como parte do erro de biossegurança, não apenas falha individual.

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