Schurmann, referindo-se ao mecenato no século XV, salienta q...
Schurmann, referindo-se ao mecenato no século XV, salienta que “os músicos, embora continuassem a atuar socialmente a nível da comunicação acional, se converteram, de porta-vozes de uma ampla comunidade urbana da qual eles próprios faziam parte, em uma espécie de funcionários a serviço de uma classe social que os utilizava a fim de atingir objetivos que lhes eram inteiramente estranhos”. (SCHURMANN, Ernst. F. A música como linguagem. São Paulo: Brasiliense, 1990).
Qual seria o objetivo estranho aos músicos a que se refere Schurmann?
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Tema central da questão: O papel do músico diante do mecenato no século XV, especialmente sobre quais eram os objetivos dos mecenas ao patrocinar músicos.
Conceitos essenciais: No Renascimento, mecenato é o patrocínio às artes feito por elites (aristocracia, burguesia e Igreja), não apenas por amor à arte, mas como instrumento de afirmação do prestígio e poder social. O artista (ou músico) deixava de atuar em benefício direto da comunidade e passava a exercer papel de “funcionário” dos interesses do patrono.
Justificativa para a alternativa C (correta):
O objetivo “estranho” citado por Schurmann refere-se ao uso da música como meio de ostentação social, para afirmar a magnificência e legitimar o status dos mecenas. Em vez de expressar uma coletividade ou função social ampla, os músicos serviam para consolidar e promover a imagem dos seus patronos.
Essa leitura está de acordo com a teoria sobre o mecenato: as elites buscavam, por meio da produção artística, demonstrar poder, requinte e domínio cultural. A arte tornou-se um símbolo de autoridade e distinção social (Schurmann, 1990; autores como Gombrich e Hauser corroboram essa análise nos estudos sobre arte renascentista).
Análise das alternativas incorretas:
A) Reduz o papel do mecenato à promoção da música sacra, ignorando que muitos mecenas eram laicos e buscavam afirmar sua própria posição social pelo patrocínio, não obedecendo exclusivamente interesses religiosos.
B) Afirma que o objetivo seria fomentar o “espírito de contestação” — o oposto do praticado! Os mecenas visavam a manutenção do status quo, não a emancipação dos músicos.
D) Traz uma perspectiva anacrônica, atribuindo ao mecenato o propósito de preparar a música para o futuro com estratégias composicionais específicas, o que não corresponde ao contexto do texto, focado no interesse social do mecenas, não numa evolução da linguagem musical.
Estratégia de prova: Atenção à expressão “objetivos estranhos” do enunciado: não são interesses dos músicos, e sim dos patronos. Em provas de interpretação, busque sempre identificar o foco social do fenômeno histórico descrito e desconfie de afirmações que soem ideais ou modernas para o contexto histórico.
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