A prática fisioterapêutica contemporânea, fundamentada na ne...

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Q3880199 Fisioterapia
A prática fisioterapêutica contemporânea, fundamentada na neurociência da dor, transcende o foco exclusivo no local da dor . Ela “ ”prioriza a educação do paciente sobre os mecanismos da dor, desmistificando-a e combatendo a cinesiofobia (medo do movimento) – um dos maiores obstáculos à recuperação. Considerando que a dor invariavelmente impacta a funcionalidade, a avaliação torna-se um processo dinâmico e diário, cujo objetivo é compreender de que maneira o sintoma compromete as atividades funcionais e as habilidades de vida diária do paciente. Conforme a informação acima, observa-se o exemplo do paciente Sicrano, 45 anos, que sofreu um acidente de moto há 10 meses com fratura no joelho direito, tratada cirurgicamente. Após quase um ano de fisioterapia convencional focada em fortalecimento e mobilidade articular, ele relata dor intensa (8/10) ao tentar ficar em pé e suportar peso na perna afetada. Os exames de imagem mostram que a fratura está consolidada e não há mais sinais de inflamação aguda. Com base na informação acima, analise as assertivas abaixo:

I- A dor intensa e persistente do paciente Sicrano, desproporcional aos achados clínicos, é um sinal clássico de sensibilização central. Seu cérebro aprendeu a interpretar qualquer carga sobre o joelho como uma ameaça grave, gerando uma resposta de dor exagerada como mecanismo de proteção.
II- Após meses sentindo dor, Sicrano desenvolveu um medo profundo de apoiar o pé no chão e ficar em pé. Seu cérebro associa essa posição a perigo. A abordagem moderna prioriza educá-lo sobre a neurociência da dor, explicando que a dor não significa necessariamente novo dano tecidual. Isso reduz o pânico e o ajuda a se reconectar com seu corpo de forma mais segura.
III- No caso de Sicrano, em vez de um comando simples, o tratamento se concentra em exercícios graduais e seguros (como apoio parcial de peso), sempre respeitando seu limite de conforto para reduzir o medo. O objetivo final é transformar Sicrano no protagonista ativo da sua própria recuperação.
IV- O fisioterapeuta vai focar no que realmente importa para Sicrano: recuperar as atividades da vida dele. Em vez de só medir a dor, a avaliação será prática e personalizada. O que será feito: Identificar tarefas específicas que o Sicrano não consegue fazer por causa da dor.
V- O fisioterapeuta vai focar exclusivamente no joelho como uma estrutura danificada e tratar a dor como um simples sinal de lesão tecidual.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso descreve dor persistente pós-fratura já consolidada, sem inflamação aguda, em que a intensidade dolorosa pode estar desproporcional ao estado tecidual atual. Nesse contexto, o raciocínio correto é biopsicossocial, com reconhecimento de sensibilização central/ameaça percebida, medo do movimento e necessidade de reabilitação funcional graduada; isso sustenta I, II, III e IV e invalida V.

Tema central: Dor persistente funcional
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a correta porque cada assertiva compatível com o modelo contemporâneo da dor persistente foi incluída e a que contraria esse modelo foi excluída. I é compatível com a ideia de que, na dor persistente, a resposta dolorosa pode ser ampliada e desproporcional aos achados periféricos após consolidação da fratura. II acerta ao valorizar a educação em neurociência da dor, que reduz ameaça percebida e cinesiofobia ao esclarecer que dor não significa obrigatoriamente novo dano tecidual. III está correta ao propor exercícios graduais, seguros e orientados à função, com progressão tolerável em vez de evitação ou sobrecarga abrupta. IV também está correta porque a avaliação deve ser centrada nas atividades e limitações funcionais relevantes para o paciente. Já V está errada por reduzir a dor a um simples sinal de lesão estrutural local e por ignorar o contexto de dor persistente descrito no enunciado.
B
Errada
Está errada porque exclui a assertiva IV. Na dor persistente musculoesquelética, a avaliação não deve se limitar à dor ou à estrutura: é necessário identificar quais tarefas e atividades estão comprometidas, pois funcionalidade é parte central do manejo.
C
Errada
Está errada porque inclui a assertiva V, que contraria o modelo contemporâneo ao tratar a dor como simples sinal de dano tecidual. Além disso, exclui I e III, que são compatíveis com dor persistente, cinesiofobia e progressão funcional graduada.
D
Errada
Está errada porque também inclui a assertiva V. O erro central dessa afirmativa é o reducionismo estrutural: focar exclusivamente no joelho como tecido lesado não corresponde ao quadro de dor persistente descrito, nem à abordagem baseada em funcionalidade e educação em dor.
E
Errada
Está errada porque inclui V, que reduz incorretamente a dor a lesão estrutural local, e exclui II, III e IV, que representam pilares do manejo contemporâneo nesse caso: educação em dor, progressão funcional graduada e avaliação centrada nas atividades de vida.
Pegadinha da questão
A questão tenta induzir a confusão entre dor intensa persistente e lesão estrutural ativa. Como a fratura está consolidada e não há inflamação aguda, a interpretação exclusivamente tecidual fica enfraquecida e ganha força a leitura baseada em sensibilização, medo do movimento e funcionalidade.
Dica para questões semelhantes
  • Se a dor persiste apesar de consolidação tecidual e ausência de sinais agudos, não conclua automaticamente novo dano estrutural; considere sensibilização e evitação por medo.
  • Em dor persistente, procure alternativas que incluam educação em dor e progressão funcional graduada, não apenas fortalecimento local.
  • Valorize itens que relacionem avaliação às atividades e limitações do paciente; medir só intensidade da dor é insuficiente.

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