O Sr. Sicrano, 65 anos, encontra-se em tratamento fisioterap...

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Q3880194 Fisioterapia
O Sr. Sicrano, 65 anos, encontra-se em tratamento fisioterapêutico para recuperação de uma artroplastia total de quadril. Ele é um paciente dedicado, mas relata dor e demonstra receio durante a realização dos exercícios. Durante as sessões, o Sr. Sicrano deposita confiança no fisioterapeuta, Dr. Fulano, e frequentemente questiona sobre temas relacionados à saúde e qualidade de vida. Esperava-se que, de acordo com a conduta ética e profissional, o fisioterapeuta orientasse o paciente com base em evidências científicas, mencionando, por exemplo, a influência do estresse na percepção da dor e sugerindo a inclusão de técnicas de respiração, relaxamento e atividades prazerosas — como hobbies, caminhadas, meditação ou oração (caso o paciente já as praticasse) — como complementos benéficos ao tratamento. No entanto, o Dr. Fulano respondeu da seguinte forma: “Sr. Sicrano! Seu problema hoje é que se afastou de Deus. Essa falta de fé é a causa principal do sofrimento e das doenças. Na minha vida, só superei minhas dificuldades quando entendi que a minha religião é o único caminho para a verdadeira cura. A Medicina convencional ajuda, mas a cura espiritual é fundamental. Você deveria visitar o meu templo que frequento sempre. Lá temos grupos de oração que fazem milagres para pessoas com dores como as suas”.

Com base na RESOLUÇÃO COFFITO nº 424/2013, Art. 10, é CORRETO afirmar que:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A Resolução COFFITO nº 424/2013, art. 10, veda ao fisioterapeuta induzir pessoa sob sua assistência a convicção religiosa; no caso, o profissional usa a relação terapêutica para atribuir o sofrimento à falta de fé, apresentar sua religião como caminho de cura e convidar o paciente ao seu templo, o que torna correta a alternativa A.

Tema central: Ética e legislação profissional
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A acerta porque identifica o núcleo da infração ética: não houve simples manifestação pessoal de crença, mas indução religiosa dirigida a pessoa sob assistência profissional. O fisioterapeuta vinculou doença e sofrimento à falta de fé, apresentou sua religião como via necessária de cura e sugeriu adesão ao seu templo. Pela Resolução COFFITO nº 424/2013, art. 10, esse uso da posição terapêutica para influenciar convicção religiosa é vedado.
B
Errada
Está errada porque nega abuso da relação terapêutica, quando o enunciado mostra exatamente o contrário: paciente em vulnerabilidade clínica, com dor, receio e confiança no profissional, sendo exposto a tentativa de persuasão religiosa. Para essa infração ética, não é necessária coerção explícita, ameaça ou obrigação formal; o uso indevido da confiança e da assimetria da relação assistencial já caracteriza a impropriedade.
C
Errada
Está errada porque houve desvio da finalidade assistencial. A sessão deixou de permanecer estritamente no campo técnico-científico da reabilitação e passou a incluir discurso religioso com atribuição causal da doença à falta de fé, afirmação de cura vinculada à religião do profissional e convite ao templo. Isso caracteriza proselitismo no contexto da assistência.
D
Errada
Está errada porque a inadequação ética não depende de prova de dano já consumado nem do conhecimento prévio da crença do paciente. Há potencial de constrangimento, culpa e confusão terapêutica quando o profissional relativiza o tratamento convencional e desloca a explicação do sofrimento para a falta de fé. O problema técnico é a indução religiosa em si no contexto assistencial.
E
Errada
Está errada porque a fala compromete, sim, a confiança na profissão e na base científica do cuidado ao afirmar que a religião do profissional é o único caminho para a verdadeira cura e que a medicina convencional apenas ajuda. Esse discurso pode distorcer a compreensão do paciente sobre o fundamento técnico do tratamento fisioterapêutico, mesmo sem abandono explícito da terapia.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre liberdade pessoal de crença do profissional e permissão para usar a relação terapêutica para converter o paciente; outra armadilha é achar que só haveria infração se existisse coerção explícita ou dano clínico imediato.
Dica para questões semelhantes
  • Se o profissional usa a posição assistencial para induzir convicção religiosa, filosófica, moral, ideológica ou política, pense em vedação ética expressa.
  • Diferencie acolhimento da espiritualidade do paciente de proselitismo do profissional: convite para templo, atribuição de doença à falta de fé e apresentação de religião como cura apontam infração.
  • Não exija ameaça formal para reconhecer abuso ético; a assimetria técnica e a confiança do paciente já tornam a persuasão indevida relevante.
  • Quando a fala desloca a sessão do campo técnico-científico para doutrinação ou promessa espiritual de cura, houve desvio da finalidade assistencial.

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