“A gentrificação é o mal urbano da nossa era. É a questão
mais premente hoje quando falamos em habitação e urbanismo”, diz o urbanista Alan Ehrenhalt, autor de A grande inversão
e o futuro da cidade americana. Ehrenhalt estuda como as cidades vivem esse fenômeno urbano cada vez mais forte. Em
inglês arcaico, “gentry” significa “de origem nobre”. Isso já dá
uma ideia do que gentrificação expressa. Ela acontece quando
um bairro ou uma região tem sua dinâmica alterada pela chegada de novos comércios ou empreendimentos imobiliários
que trazem consigo a valorização do local e afetam a população que vive ali, que precisa de mais dinheiro para continuar
morando onde sempre morou, o que nem sempre é possível.
O resultado é a migração dessas pessoas para outras
áreas e o fechamento dos comércios menores que resistiam
por anos. Não há grande cidade que não tenha passado por
um processo gentrificador em alguma região. Apesar de não
ser fenômeno novo, ele se tornou mais relevante com a aceleração da economia global.
Muitas vezes o processo é confundido com uma revitalização urbana, principalmente quando acontece de forma velada, gradativa. “A gentrificação sempre fez parte do processo
da expansão das grandes cidades. Ela ocorre pelo interesse
do setor privado, com a contribuição dos governos por meio
de legislações de uso e ocupação do solo e o plano diretor
dos municípios”, explica Luiz Kohara, do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Assim,
empreendimentos ressaltam melhorias de acesso e segurança e shopping centers prometem gerar mais empregos na
região. Tudo em nome de um bem para a população. “Mas
quase sempre com medidas de curto prazo e sem preocupação com os efeitos coletivos, sistêmicos, de cada obra”, diz.
(Rafael Tonon. Revista Galileu, 29 de novembro de 2013. Adaptado)
De acordo com o texto, é correto afirmar que a gentrificação