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Modalidades dialíticas variam quanto a técnica, ultrafiltra...

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Q3912678 Medicina
Modalidades dialíticas variam quanto a técnica, ultrafiltração, clearance difusivo vs convectivo, intercorrências, prescrição e monitorização. Sobre aspectos técnicos avançados destas modalidades, analise as afirmativas a seguir.

I.Na hemodiálise, o Kt/V é índice clássico de dose dialítica baseado em cinética da ureia, mas a adequação clínica envolve mais que Kt/V, incluindo controle volêmico e avaliação de sintomas intradialíticos.
II.Na CAPD, mesmo com soluções biocompatíveis (pH neutro, baixo GDP), não se conseguiu reduzir a taxa de peritonite em estudos e metanálises; portanto, soluções biocompatíveis não têm impacto mensurável na inflamação peritoneal.
III.A diálise peritoneal automatizada (DPA) tende a privilegiar trocas curtas noturnas e pode proporcionar UF maior quando se deseja utilizar glicose hipertônica em regime controlado de menor permanência.

Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS.
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A questão se resolve pela distinção entre dose dialítica e adequação clínica: o Kt/V mede depuração de ureia, mas não esgota a avaliação da hemodiálise; em diálise peritoneal, a ausência de redução consistente de peritonite não autoriza negar impacto inflamatório ou de biocompatibilidade das soluções; e, na DPA, ciclos curtos noturnos podem favorecer ultrafiltração ao preservar o gradiente osmótico. Por isso, apenas I e III permanecem corretas.

Tema central: Adequação dialítica e diálise peritoneal
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque aceita a I, mas exclui a III, que também está correta. Do ponto de vista fisiológico, a DPA usa tipicamente trocas curtas noturnas, e permanências menores podem manter por mais tempo o gradiente osmótico da glicose, o que pode aumentar a ultrafiltração em comparação com dwells prolongados, nos quais há dissipação do gradiente e reabsorção de fluido.
B
Errada
Errada porque a assertiva II é falsa. Peritonite é desfecho infeccioso multifatorial; portanto, a falta de redução consistente desse desfecho não autoriza concluir ausência de impacto mensurável sobre inflamação peritoneal ou biocompatibilidade. O erro médico específico é tratar peritonite como substituto universal de todos os efeitos biológicos da solução.
C
Errada
Errada porque inclui a assertiva II, que é invalidada pelo caráter absoluto da conclusão. A parte decisivamente incorreta é o 'portanto': mesmo sem benefício inequívoco em peritonite, soluções de pH neutro e baixo GDP podem ter efeito sobre agressão mesotelial, inflamação local e perfil de biocompatibilidade. Assim, I e III podem ser mantidas, mas II não.
D
Certa
A alternativa D está correta porque reúne exatamente as proposições compatíveis com os princípios técnicos cobrados. A assertiva I é válida: Kt/V é índice clássico de dose dialítica baseado na cinética da ureia, mas não define sozinho adequação clínica, que também depende de controle volêmico, tolerância hemodinâmica e sintomas intradialíticos. A assertiva III também é válida: na DPA, os ciclos curtos noturnos podem preservar melhor o gradiente osmótico da glicose e, em prescrição controlada com menor tempo de permanência, favorecer ultrafiltração. A assertiva II fica excluída porque confunde ausência de benefício inequívoco em peritonite com ausência de efeito biológico ou inflamatório mensurável no peritônio.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar Kt/V como sinônimo de adequação global da hemodiálise e, principalmente, equiparar ausência de redução de peritonite à ausência de qualquer efeito inflamatório ou biológico das soluções biocompatíveis em diálise peritoneal.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a afirmação usa Kt/V, confirme se ela fala apenas de dose de ureia ou se está extrapolando para adequação clínica total.
  • Em diálise peritoneal, não trate peritonite como único marcador de biocompatibilidade; desfecho infeccioso e inflamação peritoneal não são equivalentes.
  • Na DPA, avalie a lógica do tempo de permanência: trocas curtas podem favorecer ultrafiltração ao reduzir a dissipação do gradiente osmótico.
  • Desconfie de conclusões absolutas do tipo 'portanto não há impacto', especialmente quando o enunciado mistura desfechos diferentes.

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