Dentro do campo mais amplo da Psicologia, os analistas do
comportamento adotam um conjunto de pressupostos e
orientações presentes em uma proposta epistemológica
específica, denominada behaviorismo radical. Essa proposta foi
inicialmente apresentada pelo psicólogo estadunidense B. F.
Skinner (1904-1990).
A fundamentação no behaviorismo radical faz com que os
analistas do comportamento compartilhem formas específicas de
caracterizar e pesquisar os fenômenos psicológicos e também de
intervir sobre eles. Na análise do comportamento, há uma ligação
estreita entre essas atividades – caracterizar, pesquisar e intervir.
Em certa ocasião, Skinner afirmou que o comportamento
humano é “possivelmente o mais difícil objeto já submetido à
análise científica”. A forma como os analistas do comportamento
caracterizam e estudam seu objeto produz um conjunto singular
de conhecimentos, que permite intervir de maneiras efetivas
sobre o comportamento de pessoas e grupos em seu cotidiano.
As intervenções realizadas pela análise do comportamento
derivam diretamente dos conhecimentos científicos produzidos
pelos analistas do comportamento dedicados à pesquisa. Isso dá
aos analistas do comportamento a confiança de que suas
intervenções têm fundamentação científica sólida.
Assim, os analistas do comportamento são especialmente
céticos em relação a propostas psicológicas que não descrevam
claramente seus conceitos, suas evidências empíricas e métodos
utilizados para produzi-las. Auxiliar as pessoas a mudar
comportamentos demanda quantidade considerável de
conhecimento, tempo e trabalho. Esse é um campo em que é fácil
encontrar pessoas sem preparo profissional adequado vendendo
soluções mágicas por meio de teorias vagas. Basta pensar nas
tantas promessas de que é possível “mudar sua vida” praticando
certos rituais ou comprando certos produtos. No campo mais
amplo dos estudos do comportamento, a aplicação de métodos
científicos constitui a exceção, não a regra. A disciplina Análise do
comportamento faz parte da exceção.
O objetivo primordial do analista do comportamento é
descobrir por que uma pessoa, ou grupo de pessoas, faz o que faz,
da maneira como faz. Analisar o comportamento é identificar
relações funcionais entre aspectos do ambiente e aspectos do
comportamento das pessoas. Essa identificação não é baseada
apenas no que o analista do comportamento “acha” que pode
afetar o comportamento. As relações funcionais precisam ser
descritas empiricamente, por meio de métodos experimentais
que permitam verificar com clareza os efeitos de variáveis
ambientais sobre o comportamento do indivíduo (Cooper et al.,
2007; Johnston; Pennypacker, 2009; Sidman, 1960).
Alexandre Dittrich. Bruno Angelo Strapasson. In: Sella, Ana Carolina; Ribeiro,
Daniela Mendonça (Org.). Análise do comportamento aplicada ao transtorno
do espectro autista. Curitiba: Appris, 2018. Capítulo 4. “Bases Filosóficas da
Análise do Comportamento Aplicada”, edição digital. Adaptado.
O termo sublinhado em “Assim, os analistas do comportamento são especialmente céticos em relação a propostas
psicológicas que não descrevam claramente seus conceitos”
(5º parágrafo) introduz uma
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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