Homem 48 anos, sem doença cardiovascular conhecida, IMC 29 ...

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Q3908970 Medicina
Homem 48 anos, sem doença cardiovascular conhecida, IMC 29 kg/m², tabagista 20 maços-ano, PA controlada, sem diabetes, com LDL-C 162 mg/dL e TG 175 mg/dL em jejum, relata dificuldade de aderir a mudanças de estilo de vida e deseja orientação terapêutica farmacológica, tendo sido calculado para ele risco global elevado conforme calculadoras usuais; considerando a avaliação inicial desse cenário de tratamento de dislipidemias, assinale a alternativa correta sobre o manejo farmacológico.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Na prevenção primária de indivíduo com risco global elevado, como o caso descrito, o LDL-C é o alvo terapêutico primário e a estatina é a classe com melhor evidência para reduzir eventos cardiovasculares maiores; quando indicada e tolerada, a alta intensidade é a estratégia preferencial para maior redução do LDL-C, o que sustenta a alternativa B.

Tema central: Dislipidemia em alto risco
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por transformar individualização de tolerabilidade em regra universal. Não existe recomendação de que estatina de alta potência e alta intensidade deva sempre ser titulada lentamente nem de que seja desaconselhável iniciar em dose plena. O critério correto é escolher a intensidade conforme o risco cardiovascular e a meta de redução do LDL-C, usando a dose indicada ou a máxima tolerada.
B
Certa
A alternativa B está correta porque aplica o critério central do manejo farmacológico inicial da dislipidemia nesse contexto: o problema terapêutico principal é a redução do LDL-C, e estatinas são a classe de primeira linha com maior robustez de evidência para reduzir desfechos ateroscleróticos maiores. Em indivíduo de risco elevado, a estratégia preferencial é alta intensidade quando indicada e tolerada, justamente para obter maior redução de LDL-C e maior benefício clínico.
C
Errada
Está errada por fazer uma vedação absoluta falsa. Ezetimiba não deve ser sempre evitada na prevenção primária; a base informa que ela pode ser associada à estatina quando a meta de LDL-C não é atingida ou quando se busca intensificação do efeito hipolipemiante. O erro é confundir evidência clássica mais forte em prevenção secundária com inexistência de papel em prevenção primária.
D
Errada
Está errada porque desloca o tratamento para o alvo lipídico errado e superestima o fibrato. Neste caso, o alvo principal é LDL-C elevado em paciente de risco alto, e fibrato atua predominantemente sobre triglicerídeos. Além disso, a base afirma que fibrato em monoterapia não reduz de forma consistente desfechos ateroscleróticos maiores nesse perfil, portanto não é estratégia inicial preferencial.
Pegadinha da questão
A banca tentou desviar o foco do LDL-C usando triglicerídeos discretamente elevados e expressões absolutas como "sempre" e "desaconselhável", além de sugerir falsamente que ezetimiba não teria papel algum na prevenção primária.
Dica para questões semelhantes
  • Em prevenção primária baseada em risco, primeiro identifique o alvo lipídico principal: nesta base, é o LDL-C.
  • Se o paciente é de risco elevado, pense em estatina como tratamento de primeira linha e em alta intensidade quando indicada e tolerada.
  • Desconfie de alternativas com termos absolutos como "sempre" e "nunca" quando a diretriz descreve conduta individualizada pela tolerabilidade e pela meta.
  • Não troque estatina por fibrato quando o problema central for LDL-C alto com triglicerídeos apenas discretamente elevados.

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