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Q4271951 Direito Administrativo
Um Auditor Fiscal de Tributos municipais está diante de um caso onde uma empresa local, apesar de cumprir todas as normas tributárias, utiliza práticas comerciais que levantam questões éticas. Considerando os Poderes Administrativos, qual das seguintes ações é mais apropriada para o Auditor Fiscal?
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O art. 142, § 1º, do CTN estabelece: "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Como a empresa cumpre as normas tributárias, o auditor deve aplicar os critérios legais, sem usar a reprovação ética como fundamento para exigências ou sanções; por isso, a alternativa D é a correta.

Tema central: Vinculação da atuação tributária
Análise das alternativas
A
Errada
O exercício regular do poder de polícia exige órgão competente e observância dos limites legais, conforme o art. 78, parágrafo único, do CTN. Não foram informados competência normativa do auditor nem fundamento legal específico para regulamentar essas práticas. A avaliação ética, isoladamente, não supre esses requisitos.
B
Errada
A discricionariedade não permite criar infração ou penalidade. O art. 97, V, do CTN reserva à lei a cominação de penalidades por condutas contrárias a seus dispositivos ou por outras infrações nela definidas. Sem infração legalmente prevista, não cabe multa destinada apenas a desencorajar práticas consideradas antiéticas.
C
Errada
A proposta de alteração futura não substitui o dever de aplicar a legislação vigente ao caso concreto, decorrente da legalidade administrativa do art. 37, caput, da Constituição e da vinculação prevista no art. 142, § 1º, do CTN. Recomendar aperfeiçoamentos normativos pode ser providência complementar legítima, mas não resolve a atuação tributária atual exigida pela questão.
D
Certa
Não considerar as práticas comerciais significa não utilizá-las, apenas por sua reprovação ética, como fundamento de exigência tributária. Isso não significa ignorar a moralidade administrativa nem eventual ilícito previsto em outra legislação.
Pegadinha da questão
Confundir moralidade administrativa com autorização para impor obrigações ou sanções por mera reprovação ética. Outra armadilha é considerar C necessariamente ilícita: sua exclusão decorre de não substituir a aplicação vinculada da legislação vigente.
Dica para questões semelhantes
  • No lançamento tributário, verifique os pressupostos legais: juízos pessoais de conveniência ou reprovação ética não os substituem.
  • Para admitir multa, identifique a infração e a penalidade previstas em lei; a discricionariedade não dispensa essa previsão.
  • No poder de polícia, confira a competência do agente e os limites da lei aplicável.
  • Distinga a solução jurídica atual de uma proposta de mudança normativa: recomendar alterações não afasta o dever de cumprir o direito vigente.

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Comentários

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Poder vinculado: o Auditor não tem liberdade para escolher se aplica ou não a norma. Se a lei determina determinada atuação e os requisitos estão presentes, ele deve agir conforme a lei.

No caso, a empresa está cumprindo todas as normas tributárias.

O fato de as práticas comerciais parecerem eticamente questionáveis, por si só, não autoriza o Auditor Fiscal a criar uma punição ou exigir algo que a legislação tributária não prevê.

Portanto, a conduta adequada é:

“Agir segundo o poder vinculado, aplicando as normas tributárias conforme estão escritas, sem considerar as práticas comerciais da empresa.”

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