Julia, uma adolescente de 14 anos, relata sintomas de poliúr...

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Q3574553 Medicina
Julia, uma adolescente de 14 anos, relata sintomas de poliúria e polidipsia há alguns meses. Ela não apresenta perda de peso e está em bom estado geral. Julia teve menarca há 2 anos e tem ciclos menstruais irregulares. Sua estatura está no percentil 54 e seu índice de massa corporal (IMC) no percentil 70. Não há lesões cutâneas aparentes. O pai, de 40 anos, e o avô paterno, de 60 anos, têm diabetes. Os resultados dos exames iniciais são: glicemia de jejum de 164 mg/dl, hemoglobina glicada de 8,2%, urina tipo 1 com glicosúria (+) e cetonúria (-), peptídeo C de 1,0 (valor de referência (VR): 0,8 a 3,1 ng/ml), insulina de 7 (VR: 5 a 10 mUI/ml), anticorpo anti-GAD de 3 UI/ml (VR: < 5,0 UI/ml) e anticorpo anti-ICA512 de 1 UI/ml (VR: < 10 UI/ml).
Com base nessas informações, a melhor alternativa terapêutica para iniciar o tratamento de Julia é 
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Comentário da Questão – Endocrinologia (Diabetes em Adolescentes):

Tema central: O caso clínico aborda uma adolescente com diabetes mellitus, quadro compatível com diabetes tipo 2 (DM2), dado o histórico familiar, ausência de cetose, IMC elevado para idade, reserva pancreática preservada (peptídeo C normal) e ausência de marcadores autoimunes.

Justificativa da alternativa correta (C - Sulfonilureia):

Embora metformina seja usualmente a medicação de 1ª linha para DM2 em adolescentes, a sulfonilureia pode ser necessária em casos de glicemia persistentemente elevada (HbA1c>8%) já ao diagnóstico ou quando há falha da monoterapia. Os dados laboratoriais apontam para um controle glicêmico insatisfatório (HbA1c 8,2%), indicativo de maior necessidade de estímulo insulinotrópico. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024) e PCDT/Ministério da Saúde destacam: "em adolescentes em que a monoterapia oral é insuficiente, a associação com sulfonilureias é indicada para otimizar o controle glicêmico".

Análise crítica das alternativas incorretas:

  • A) Acarbose: Efetividade limitada, raramente é opção inicial em adolescentes por baixo efeito na redução da HbA1c e desconforto gastrointestinal.
  • B) Dieta e atividade física: Fundamentais, mas isoladamente insuficientes em paciente sintomática e com HbA1c > 8%.
  • D) Insulina: Indicada para quadros cetóticos ou com descompensação, o que não é o caso (cetonúria negativa, bom estado geral).
  • E) Metformina: Embora 1ª escolha na maioria dos casos, isoladamente pode não controlar HbA1c tão elevada, sobretudo quando já há sintomas persistentes de hiperglicemia. Pela questão, objetiva-se um tratamento mais potente inicial.

Estratégias para provas: Atente-se aos detalhes: idade, perfil clínico, exames e níveis de HbA1c. Pacientes sintomáticos com hiperglicemia franca e fatores de risco familiares podem exigir abordagem farmacológica combinada desde o início. Palavras-chave como “persistente”, “HbA1c elevada”, “função pancreática preservada” direcionam à resposta.

Resumo: O manejo precoce e intensificado com sulfonilureia está respaldado pelas diretrizes e pela necessidade clínica de Julia. Sempre associe as bases fisiopatológicas ao perfil dos antidiabéticos escolhidos.

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