Sobre a atenção odontológica à pessoa com síndrome de Down,...
( ) Podem apresentar manifestações bucais variadas e podem incluir: mandíbula e a cavidade bucal com dimensões reduzidas, o palato baixo, estreito e com laterais bem desenvolvidas, dando a impressão de um palato alto, e a língua pode apresentar-se fissurada.
( ) Devido à instabilidade da articulação atlantoaxial, comum em crianças com síndrome de Down, é imprescindível a orientação aos cuidadores ou responsáveis para apoiar a cabeça da criança no momento da escovação e evitar a flexão ou a extensão excessiva do pescoço.
( ) Não há relatos na literatura que afirme a presença de agenesia dentária em pacientes com síndrome de down, possuindo geralmente 28 ou 32 dentes.
( ) Pacientes adultos apresentam certa probabilidade de fazer uso de medicamentos, como os bisfosfonatos, na tentativa de controlar quadros de baixa densidade mineral óssea, o qual não apresenta nenhuma interferência no âmbito odontológico.
Gabarito comentado
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Tema central: atenção odontológica à pessoa com síndrome de Down (SD), com foco em manifestações orais, manejo clínico seguro e implicações medicamentosas.
Gabarito: B – V – V – F – F.
(1) Verdadeiro. Pessoas com SD frequentemente apresentam micrognatia/retrognatismo e cavidade bucal relativamente reduzida, além de palato estreito, com laterais altas, gerando aparência de “palato ogival” (apesar de baixo na porção central). A língua fissurada é comum; a chamada “macroglossia” costuma ser relativa (língua normal em boca pequena). Também são frequentes erupção dentária tardia, microdontia e doença periodontal. (Neville – Oral & Maxillofacial Pathology; Burket’s Oral Medicine)
(2) Verdadeiro. A instabilidade atlantoaxial é mais prevalente na SD (laxidade ligamentar), exigindo cuidado para evitar hiperflexão/hiperextensão do pescoço durante higiene e atendimento odontológico; orientar cuidadores a apoiar a cabeça é medida prudente. (AAPD – Patients with Special Health Care Needs; UpToDate – Down syndrome: clinical features)
(3) Falso. Há vasta literatura documentando agenesia dentária em SD, sobretudo de incisivos laterais superiores, segundos pré-molares e terceiros molares. Dizer que “não há relatos” e que “possuem geralmente 28 ou 32 dentes” contraria os achados clássicos. (Neville; Burket’s; AAPD)
(4) Falso. Adultos com SD podem usar bisfosfonatos (ou denosumabe) para baixa densidade mineral óssea. Esses fármacos impactam a Odontologia por risco de osteonecrose dos maxilares associada a medicamentos (MRONJ), especialmente após exodontias; requerem planejamento preventivo e técnica atraumática. Dizer que “não apresenta nenhuma interferência” é incorreto. (American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons – MRONJ Position Paper; UpToDate)
Estratégias para a prova:
- Desconfie de termos absolutos como “não há relatos” ou “nenhuma interferência” — costumam indicar afirmações falsas.
- Na SD, lembre o binômio: cavidade bucal pequena + língua aparentemente grande, e o cuidado com coluna cervical durante atendimento/higiene.
Por que as alternativas A, C e D estão erradas?
- A (V–F–F–V): Erra ao considerar a 2 falsa (instabilidade C1–C2 exige cuidados) e a 4 verdadeira (bisfosfonato interfere sim).
- C (F–V–V–F): Erra a 1 (manifestações orais descritas são típicas) e a 3 (há agenesia na SD).
- D (F–F–V–V): Erra 1 e 2, além de considerar 4 verdadeira, o que contraria o risco de MRONJ.
Referências essenciais: Neville BW. Oral & Maxillofacial Pathology; Burket’s Oral Medicine; AAPD – Guideline on Management of Patients with Special Health Care Needs; UpToDate – Down syndrome: clinical features and diagnosis; AAOMS – Position Paper on MRONJ.
Mensagem final: Foque em sinais-clave (palato estreito, língua fissurada, AA-instabilidade) e nas implicações terapêuticas de antirreabsortivos para acertar questões semelhantes.
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