Mulher de 34 anos, professora, tabagista leve (≈ 3 maços/ano...

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Q3882726 Medicina
Mulher de 34 anos, professora, tabagista leve (≈ 3 maços/ano), procura a APS por disfonia persistente há 3 (Atenção Primária à Saúde) semanas. Refere que a alteração vocal começou após quadro de IVAS (Infecção das Vias Aéreas Superiores) viral já resolvido. Nega febre, disfagia, odinofagia intensa, hemoptise, dispneia, perda ponderal ou história de lesões cervicais. Não utiliza medicações contínuas e nega alergias. Relata que a voz falha principalmente ao final do dia de trabalho. Ao exame físico: orofaringe sem alterações significativas, pescoço sem massas palpáveis, ausculta pulmonar normal. Sem sinais de alarme. A paciente questiona se já seria necessário encaminhamento ao otorrinolaringologista para videolaringoscopia.
Considerando as diretrizes de Atenção Primária, manejo de disfonia e critérios de encaminhamento precoce, a conduta mais adequada nesse momento é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A diretriz AAO-HNSF 2018 orienta avaliação laríngea quando a disfonia não melhora até cerca de 4 semanas, ou antes se houver suspeita de condição grave; na ausência de sinais de alarme, é aceitável manejo conservador inicial. Como a paciente tem 3 semanas de disfonia pós-IVAS, sem hemoptise, dispneia, disfagia, perda ponderal ou massa cervical, a conduta imediata é observação orientada na APS, com medidas conservadoras e reavaliação/encaminhamento se persistir.

Tema central: Disfonia persistente na APS
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A corresponde ao manejo indicado para disfonia subaguda sem sinais de alarme: medidas de higiene vocal, hidratação, cessação do tabagismo e busca de fatores irritativos são adequadas quando o quadro é compatível com laringite pós-viral ou disfonia por abuso vocal. Esse raciocínio é sustentado pelos achados do caso: início após IVAS, profissão com uso intenso da voz e piora ao final do dia, sem sinais clínicos de lesão grave. Pela diretriz citada na base, não há obrigação de laringoscopia imediata nesse momento; o ponto decisivo é não ultrapassar a janela de cerca de 4 semanas sem avaliação laríngea se não houver melhora.
B
Errada
Está errada porque transforma tabagismo leve isolado em critério de encaminhamento imediato. A base afirma que a investigação precoce se impõe quando há sinais de alarme ou suspeita clínica de condição grave. Neste caso, a carga tabágica é baixa, a disfonia tem 3 semanas, começou após IVAS e não há hemoptise, dispneia, perda ponderal, disfagia relevante nem massa cervical. Isso não sustenta videolaringoscopia imediata obrigatória.
C
Errada
Está errada porque corticosteroide sistêmico empírico não é recomendado rotineiramente antes de avaliação laríngea em disfonia sem gravidade. A base é explícita ao desaconselhar essa conduta, tanto por benefício incerto quanto pelo risco de mascarar diagnóstico e expor a efeitos adversos. O cenário descrito não traz situação específica que justifique exceção.
D
Errada
Está errada porque presume refluxo laringofaríngeo sem sustentação clínica e propõe IBP empírico para disfonia isolada. A base informa que não se deve atribuir a maioria dos casos de disfonia pós-viral a refluxo e que a diretriz desestimula antirrefluxo empírico sem sintomas ou sinais compatíveis e sem avaliação laríngea apropriada. Aqui não há relato de sintomas sugestivos de refluxo.
E
Errada
Está errada porque trata a laringoscopia na APS como etapa obrigatória antes de qualquer medida inicial. A base afirma que o exame laríngeo pode ser útil conforme disponibilidade, mas não é requisito universal em caso sem sinais de alarme. O critério temporal é o decisivo: sem gravidade, pode-se iniciar manejo conservador e indicar avaliação laríngea se a disfonia persistir sem melhora até cerca de 4 semanas.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre disfonia com 3 semanas e necessidade imediata de laringoscopia, além da tendência de supervalorizar tabagismo leve ou presumir refluxo como explicação automática.
Dica para questões semelhantes
  • Em disfonia sem red flags, decida pela combinação entre tempo de evolução e sinais de gravidade: o marco relevante é cerca de 4 semanas sem melhora para indicar avaliação laríngea.
  • Valorize o contexto clínico: pós-IVAS e piora com uso profissional da voz favorecem manejo conservador inicial, desde que não haja hemoptise, dispneia, disfagia importante, perda ponderal ou massa cervical.
  • Não aceite corticosteroide sistêmico nem IBP empírico como rotina para disfonia isolada sem visualização laríngea ou sem indicação clínica específica.

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