Criança de 9 anos é trazida à UBS pelos pais com tosse frequ...

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Q3882723 Medicina
Criança de 9 anos é trazida à UBS pelos pais com tosse frequente há 6 semanas, sem febre, sem (Unidade Básica de Saúde) expectoração purulenta e sem alterações no ganho de peso. Refere episódios de chiado ocasional à noite, especialmente em dias de atividades físicas na escola. Antecedentes pessoais: histórico de rinite alérgica leve, sem hospitalizações recentes. Antecedentes familiares: mãe asmática. O exame físico revela pulmões sem sibilos à ausculta, boa saturação e sinais vitais normais. Os pais relatam exposição à poeira doméstica e poucos momentos de atividade física ao ar livre. O objetivo do atendimento é identificar causas, reduzir riscos e evitar intervenções desnecessárias.
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Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Na criança com tosse há 6 semanas, sem febre, perda ponderal, hipoxemia, toxemia, expectoração purulenta, alteração focal ao exame ou outro sinal de alarme, mas com contexto atópico sugestivo de asma provável — chiado noturno, gatilho por exercício, rinite alérgica, mãe asmática e possível exposição ambiental — a APS deve priorizar anamnese respiratória e ambiental qualificada, registro do padrão dos sintomas e seguimento longitudinal, evitando investigação ampla ou medicação inespecífica de rotina.

Tema central: Tosse prolongada na APS
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque prioriza radiografia de tórax e exames laboratoriais de rotina em um quadro sem sinais de infecção complicada, sem repercussão sistêmica e sem red flags. A duração da tosse, isoladamente, não obriga investigação radiológica/laboratorial imediata como primeira etapa quando a história e o exame apontam mais para condição atópica/asmática estável.
B
Certa
A alternativa B é a única que corresponde ao manejo inicial proporcional ao risco e à probabilidade diagnóstica do caso. O quadro sugere doença respiratória alérgica/asma, mas sem gravidade e com exame possivelmente normal fora de crise, o que exige caracterização clínica estruturada: frequência da tosse, relação com noite e exercício, exposições ambientais e evolução. Associar orientação preventiva e acompanhamento longitudinal atende ao objetivo explícito de reduzir riscos e evitar intervenções desnecessárias, sem fechar diagnóstico de forma precipitada nem medicalizar um quadro ainda em qualificação clínica.
C
Errada
Está errada porque propõe tratamento sintomático sem estruturar a hipótese clínica e sem qualificar a avaliação do padrão respiratório. Antitussígeno não trata a causa da tosse prolongada e pode mascarar a evolução; broncodilatador usado apenas 'conforme sintomas', sem estratégia diagnóstica e sem plano de seguimento, não substitui a abordagem racional da tosse persistente em criança.
D
Errada
Está errada porque medidas ambientais são parte da conduta, mas não bastam isoladamente. O caso exige detalhamento do histórico respiratório, identificação de gatilhos, registro sistemático dos sintomas e reavaliação longitudinal, sobretudo diante de suspeita de asma associada a atopia. Orientar apenas ventilação da casa deixa de cumprir o núcleo da avaliação clínica necessária.
E
Errada
Está errada porque não há gravidade nem falha de manejo inicial na APS que justifiquem encaminhamento direto à pneumologia infantil. Sem hipoxemia, desconforto respiratório, perda de peso, febre persistente, alteração focal ao exame ou outra condição de alerta, o cenário é compatível com manejo inicial resolutivo na atenção primária, com reavaliação programada e escalonamento apenas se houver dúvida diagnóstica persistente, piora ou má resposta.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: achar que ausculta normal exclui asma e achar que tosse por 6 semanas, por si só, exige exames imediatos ou encaminhamento, quando o enunciado descreve um quadro estável, atópico e sem sinais de alarme.
Dica para questões semelhantes
  • Em tosse prolongada na infância, primeiro procure sinais de alarme; se eles não estão presentes, a história clínica e o contexto ambiental passam a decidir a conduta inicial.
  • Chiado noturno, sintomas ao exercício, rinite alérgica e história familiar de asma aumentam a probabilidade de asma mesmo com exame físico intercrítico normal.
  • Na APS, manejo inicial adequado inclui registrar padrão e frequência dos sintomas, orientar redução de exposições e programar seguimento, em vez de pedir exames amplos ou prescrever medicação inespecífica de rotina.

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