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Q3882720 Medicina
Na abordagem de pessoas consideradas “doentes difíceis”, qual estratégia da Medicina de Família e Comunidade (MFC) é mais indicada para melhorar a adesão e o relacionamento terapêutico?
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O caso cobra a melhor estratégia da MFC para melhorar adesão e relacionamento terapêutico em pessoas consideradas "doentes difíceis"; pela BASE DE DECISÃO MÉDICA, isso se resolve com consulta centrada na pessoa, escuta ativa e compreensão do contexto biopsicossocial, o que torna a alternativa D a correta.

Tema central: Consulta centrada na pessoa
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque transforma o encaminhamento em resposta principal para um problema que, no enunciado, é de adesão e relacionamento terapêutico. Na MFC, encaminhar imediatamente para evitar envolvimento prolongado fragmenta o cuidado e enfraquece a longitudinalidade e a coordenação do cuidado. Encaminhamento tem indicação técnica específica, não deve ser usado como fuga do manejo do vínculo.
B
Errada
Está errada porque uma abordagem rígida, centrada apenas em sinais clínicos objetivos, é insuficiente para um problema relacional e comportamental-terapêutico. Em pacientes com baixa adesão ou vínculo difícil, desconsiderar contexto psicossocial, expectativas, medos e barreiras práticas impede compreender o adoecimento e reduz a chance de construir um plano terapêutico efetivo.
C
Errada
Está errada porque reduzir o tempo da consulta piora justamente o elemento que precisa ser qualificado: a interação clínica. Menos tempo, nesse contexto, significa menos escuta, menos entendimento mútuo e menor possibilidade de plano compartilhado, o que tende a piorar adesão e relação terapêutica em vez de melhorá-las.
D
Certa
A alternativa D está correta porque expressa a estratégia estruturante da Medicina de Família e Comunidade para manejo relacional de pacientes rotulados como "difíceis": escuta qualificada, compreensão da experiência do adoecimento, do contexto familiar, social e emocional, e construção compartilhada do cuidado. Essa abordagem melhora aliança terapêutica, comunicação, vínculo longitudinal e adesão, que são exatamente os objetivos cobrados na questão.
E
Errada
Está errada porque medicalização não resolve, por si, a origem relacional, comunicacional ou psicossocial da dificuldade. Prescrever medicamentos pode ter papel conforme o caso, mas como estratégia principal para melhorar vínculo e adesão é inadequado, pois desloca o foco do problema central e pode substituir indevidamente a abordagem contextual necessária.
Pegadinha da questão
A banca contrapõe a abordagem centrada na pessoa ao modelo biomédico defensivo: encaminhar, protocolizar rigidamente, encurtar consulta ou prescrever como resposta principal podem parecer condutas objetivas, mas não são a melhor estratégia quando o objetivo explícito é melhorar vínculo e adesão.
Dica para questões semelhantes
  • Se o problema central for adesão, conflito relacional ou vínculo difícil na APS/MFC, procure a alternativa que fortalece escuta, vínculo e plano compartilhado.
  • Diferencie necessidade técnica de especialista de encaminhamento usado para evitar manejo longitudinal; a segunda lógica contraria a MFC.
  • Quando a questão opuser abordagem biomédica isolada versus contexto biopsicossocial, em MFC o critério decisivo costuma ser compreender a pessoa no seu contexto.
  • Não confunda controle sintomático ou aplicação de protocolo com resolução de problema relacional; em baixa adesão, isso costuma ser insuficiente isoladamente.

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