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Q3882717 Medicina
Durante o atendimento em uma Unidade Básica de Saúde, um homem de 28 anos, previamente hígido, apresenta crise tônico-clônica generalizada na sala de espera, com duração aproximada de 2 minutos. A equipe realiza medidas de segurança, garantindo proteção da cabeça e posicionamento lateral. Após o episódio, o paciente apresenta sonolência e confusão leve (fase pós-ictal), sem sinais de trauma. Após estabilização, o paciente relata que essa foi a primeira crise convulsiva de sua vida. Nega uso de álcool ou drogas ilícitas, não faz uso de medicações contínuas, e não há antecedentes familiares de epilepsia. Sinais vitais estáveis, glicemia capilar = 94 mg/dL.
Qual deve ser a conduta mais adequada após estabilização clínica?
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Primeira crise convulsiva em adulto previamente hígido, sem causa precipitante evidente e já estabilizado, não deve ser tratada como epilepsia nem encerrada com alta simples; o passo adequado é encaminhar para serviço de urgência/pronto atendimento para avaliação diagnóstica complementar.

Tema central: Primeira crise convulsiva
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe anticonvulsivante profilático e alta precoce após 30 minutos, mas a primeira crise convulsiva em adulto requer investigação complementar e avaliação do risco de recorrência antes de qualquer decisão sobre antiepiléptico contínuo. Cessação espontânea da crise não resolve a necessidade de definir a causa do evento.
B
Certa
A alternativa B está correta porque, após as medidas iniciais de suporte e estabilização, a primeira crise tônico-clônica generalizada da vida exige investigação diagnóstica complementar em serviço com maior capacidade de avaliação. A UBS pode excluir causas imediatas simples, como hipoglicemia, mas não deve dar alta definitiva nem iniciar tratamento crônico sem estratificação etiológica.
C
Errada
Está errada porque punção lombar não é exame rotineiro na primeira crise convulsiva. Ela depende de indicação clínica específica, especialmente suspeita de infecção do sistema nervoso central. No caso, não há febre, rigidez de nuca, imunossupressão ou rebaixamento persistente inexplicado que sustentem essa hipótese, e a própria realização imediata na UBS é inadequada sem essa indicação.
D
Errada
Está errada porque uma única crise isolada não permite diagnosticar epilepsia sem critérios adicionais. O critério diagnóstico usual exige pelo menos duas crises não provocadas com intervalo maior que 24 horas ou uma crise com contexto que indique alto risco de recorrência, o que não foi demonstrado no enunciado. Portanto, iniciar tratamento contínuo nesse momento é prematuro.
E
Errada
Está errada porque a recuperação pós-ictal esperada e a estabilidade clínica não eliminam a necessidade de investigação da primeira crise convulsiva. Glicemia normal apenas afasta hipoglicemia como causa imediata, mas não exclui causas agudas, estruturais ou metabólicas que precisam de avaliação complementar.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre crise convulsiva isolada e epilepsia, além da falsa impressão de que melhora clínica após a fase pós-ictal autoriza alta da UBS sem investigação.
Dica para questões semelhantes
  • Em adulto com primeira crise convulsiva, diferencie estabilização inicial de encerramento do caso: mesmo estável, o paciente ainda precisa de investigação etiológica.
  • Não diagnostique epilepsia por uma única crise sem critérios adicionais de recorrência ou alto risco definido.
  • Punção lombar só entra quando houver suspeita clínica de infecção do SNC ou outra indicação específica; não é exame universal da primeira crise.
  • Glicemia normal afasta hipoglicemia, mas não afasta a necessidade de encaminhamento para avaliação complementar.

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