Homem de 30 anos relata histórico de, pelo menos, cinco epis...

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Q3882715 Medicina

Homem de 30 anos relata histórico de, pelo menos, cinco episódios de dor de cabeça intensa nos últimos meses. Refere que as crises têm início gradual, com dor unilateral, pulsátil, de forte intensidade, durando cerca de 6 a 8 horas, e que pioram com atividade física ou luz intensa. Durante os episódios, sente náuseas e grande desconforto com luz e sons, melhorando ao repousar em ambiente escuro e silencioso. O exame físico é normal.


Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é o padrão clínico de enxaqueca sem aura: crises recorrentes de cefaleia unilateral, pulsátil, forte, com duração de horas, piora com atividade física e associação com náusea, fotofobia e fonofobia. Como o enunciado descreve exatamente esse fenótipo, com exame físico normal e sem aura, o gabarito é A.

Tema central: Enxaqueca sem aura
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o quadro preenche o fenótipo migranoso clássico: episódios repetidos ao longo de meses, dor unilateral e pulsátil, forte intensidade, duração de 6 a 8 horas, piora com atividade física, náusea, fotofobia e fonofobia, com melhora em ambiente escuro e silencioso. Além disso, não há descrição de sintomas neurológicos focais reversíveis antes da dor, o que afasta aura e sustenta especificamente enxaqueca sem aura.
B
Errada
Cefaleia tensional não corresponde ao fenótipo descrito. Ela costuma ser bilateral, em pressão ou aperto, de leve a moderada intensidade, sem piora importante com atividade física e sem náusea proeminente. Aqui há dor pulsátil, forte, unilateral, com náusea e piora com esforço, conjunto que afasta cefaleia tensional.
C
Errada
Cefaleia em salvas pode ser unilateral, mas o restante do quadro não encaixa. As crises em salvas são tipicamente orbitárias, supraorbitárias ou temporais, muito intensas, de curta duração, e acompanhadas de sinais autonômicos ipsilaterais como lacrimejamento, hiperemia conjuntival, congestão nasal ou ptose, além de inquietação. Neste caso, a duração é de 6 a 8 horas, há náusea, fotofobia e fonofobia, e não há sinais autonômicos cranianos.
D
Errada
Sinusite aguda exige contexto rinossinusal infeccioso, com congestão ou obstrução nasal, rinorreia purulenta, pressão facial e outros sintomas nasossinusais típicos. O enunciado não traz nenhum desses elementos e, ao contrário, descreve crises recorrentes com padrão migranoso clássico. Portanto, o diagnóstico não é sinusite aguda.
E
Errada
Tumor intracraniano não é a melhor explicação para um padrão episódico típico de cefaleia primária com exame físico normal. Lesão expansiva costuma levantar suspeita por cefaleia progressiva, persistente ou associada a sinais de alarme, déficits neurológicos, alteração cognitiva, crises epilépticas, papiledema ou sinais de hipertensão intracraniana. Nada disso foi descrito; o quadro é sindromicamente migranoso.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de valorizar apenas a unilateralidade e confundir com cefaleia em salvas ou de banalizar como cefaleia tensional. O que decide não é um achado isolado, mas o conjunto: duração de horas, pulsatilidade, piora com atividade física, náusea, fotofobia e fonofobia.
Dica para questões semelhantes
  • Reconheça enxaqueca sem aura quando houver dor unilateral, pulsátil, forte, com duração de 4 a 72 horas e associação com náusea e/ou fotofobia-fonofobia.
  • Use a piora com atividade física como critério de separação em relação à cefaleia tensional.
  • Não classifique como cefaleia em salvas apenas por ser unilateral; confirme duração curta e sinais autonômicos ipsilaterais.
  • Em questões de diagnóstico, exame físico normal e ausência de sinais de alarme pesam contra causas secundárias quando o padrão é migranoso típico.

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