Avalie o que se afirma a respeito dos elementos da frase “....
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Ano: 2022
Banca:
FCM
Órgão:
IF-AM
Provas:
FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Administração
|
FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Agronomia/Ciências Agrárias |
FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Artes |
FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Automação/Controle |
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FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Eletrônica |
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FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Pedagogia |
FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Letras - Língua Portuguesa e LE - Espanhol |
FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Letras - Língua Portuguesa e LE - Inglês |
FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Matemática |
FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Produção Animal |
FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Tecnologia, Gerenciamento e Materiais de Construção |
FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Medicina Veterinária |
FCM - 2022 - IF-AM - Professor PEBTT - Informática |
Q4078666
Português
Texto associado

A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO
SEGUINTE.

Enigmas do Ah Q, de Lu Xun
Mário Sérgio Conti*
É algo à ser feito. Nem sempre porque senão fica chato. É proveitoso ler de fio a pavio um livro sem saber
nada, ou quase nada, do seu autor e do ambiente
histórico, social e artístico no qual foi escrito. Quanto
mais remoto, melhor.
A leitura às cegas acende a imaginação. Faz com
que se volte à pureza das primeiras leituras, as da
infância, quando a mente livre preenche os espaços
opacos gerados pela falta de referências e contexto.
Fundem-se num mesmo lance encantamento, curiosidade, interpretação e crítica.
Além de fazer sentido em si, o texto não pode ser
chato. Deve aliciar, enredar, levar o leitor ignorante,
mas seduzido, à página seguinte, e assim sucessivamente até a última. Isso ocorre em "O Diário de um
Louco ‒ Contos Completos", de Lu Xun.
Ele reúne 33 contos, publicados entre 1926 e 1936.
Escritos em chinês, foram traduzidos por três homens
e duas mulheres de nomes brasileiros. São contos
realistas que se passam em vilarejos do meio rural.
Talvez por isso surjam tantos animais (coelhos, gatos,
patos) e se dê ênfase à natureza (a luz da lua, o amanhecer, o vento, chuvas). Os relatos dizem respeito
ao presente, com recuos comedidos ao passado.
A leitura é instigante. Entra-se num universo à anos luz das tradições greco-romanas, judaico-cristãs e
afro-ameríndias. O que parece haver é o empenho de
um artista em contar a seus conterrâneos as tensões
entre senhores e subalternos, tradição e modernidade, entre uns pobres diabos e outros diabos pobres.
No mais das vezes, os relatos são cruéis e terminam
de supetão, deixando enigmas no ar.
O melhor conto é o mais longo, "A Verdadeira História de Ah Q", de 1921. Com 60 páginas, o narrador
começa por falar da dificuldade de se escrever sobre
um sujeito de nome inexplicável; e cita Confúcio: "Se
o nome não está correto, a palavra não faz sentido".
Ah Q não tem família nem amigos nem nada. Faz trabalhos esporádicos, enche a cara, perambula, dorme
num templo. É o tolo que todos desprezam. Todavia,
ele se tem em alta conta porque cultiva um mecanismo psicológico que lhe serve de compensação.
Se um poderoso o esmurra, vê na humilhação um sinal da sua importância, já que foi alguém de posses
que o atacou. Ou ele mesmo se estapeia ainda mais,
e assim infla à autoestima. Ou esquece o caso ‒ porque o esquecimento, pensa, é um "tesouro herdado
de seus antepassados".
Com isso, a submissão e suas autojustificativas ficam
históricas. E talvez tenham alcance social porque a
vila inteira às aceita e compartilha. A comparação é
absurda, mas Ah Q lembra o protagonista de "Estorvo", de Chico Buarque ‒ o ser que se desfaz e não
acaba, segue se decompondo.
Certo dia se escutam os ruídos de uma revolução que
se aproxima. A aldeia se põe em polvorosa. Confuso
e oportunista, Ah Q quer aderir aos revoltosos. Debalde. É preso. Ordenam-lhe que assine um papel,
mas não sabe escrever. O parvo acaba desenhando
um círculo: é sua confissão e sentença de morte. É
levado pela vila, e "o público seguia a carroça como
formigas".
O herói da resignação imagina que o fuzilamento era
justo: "Que motivo haveria para executar alguém que
não fosse mau?". Já a conclusão do narrador acerca
de Ah Q é inapelável: "Como era ridículo!".
* Jornalista e apresentador de televisão.
Folha de São Paulo, 11 junho 2022. Adaptado.
Avalie o que se afirma a respeito dos elementos da
frase “...o empenho de um artista em contar a seus
conterrâneos as tensões entre senhores e subalternos, tradição e modernidade, entre uns pobres diabos e outros diabos pobres.”
I – O adjetivo “pobres”, posposto ao substantivo, adquire o sentido de “desprovidos de recursos financeiros”.
II – O adjetivo “pobres”, nesse contexto, anteposto ao substantivo, significa “dignos de dó”, “insignificantes”.
III – O emprego de palavras como “tradição” e “modernidade” evidencia o fenômeno semântico denominado sinonímia.
IV – A regência incorreta do verbo “contar” caracteriza uma impropriedade que fere a norma-padrão da língua portuguesa.
Está correto apenas o que se afirma em
I – O adjetivo “pobres”, posposto ao substantivo, adquire o sentido de “desprovidos de recursos financeiros”.
II – O adjetivo “pobres”, nesse contexto, anteposto ao substantivo, significa “dignos de dó”, “insignificantes”.
III – O emprego de palavras como “tradição” e “modernidade” evidencia o fenômeno semântico denominado sinonímia.
IV – A regência incorreta do verbo “contar” caracteriza uma impropriedade que fere a norma-padrão da língua portuguesa.
Está correto apenas o que se afirma em