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Q1732846 Medicina
Feminina, 35 anos, com mal-estar e icterícia. Exames laboratoriais demonstram: ALT 1.100 U/L, AST 1.300 U/L, Bilirrubina 3,5mg/dl. Não tem alteração neurológica e apresenta alargamento do RNI, que está em 1,9. A creatinina é de 2,5 mg/dl. A paciente nega uso de drogas endovenosas, mas esteve em uma festa há dois dias. Isso posto, a exposição __________ que mais provavelmente a levou a essas anormalidades.
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Tema central: Esta questão aborda a causa mais provável de um quadro agudo de lesão hepática e renal, manifestada por icterícia, transaminases muito elevadas (ALT e AST), alteração da coagulação (RNI elevado) e insuficiência renal aguda em paciente jovem, com exposição em ambiente de festa.

Comentário da alternativa correta (A) à cocaína:

A cocaína é sabidamente hepatotóxica, podendo causar necrose hepatocelular intensa, evidenciada por elevações abruptas de ALT e AST (frequentemente >1000 U/L). O uso agudo também pode provocar rabdomiólise, que cursa com liberação de mioglobina, nefrotoxicidade e elevação rápida da creatinina, compatível com insuficiência renal aguda.

Além disso, cocaína pode induzir alterações na coagulação, demonstradas pelo RNI elevado. O contexto da festa sugere exposição recreativa recente à droga. Conforme descrito no UpToDate 2024, “o uso agudo de cocaína pode causar disfunção hepática, rabdomiólise e insuficiência renal.”

Esse padrão laboratoral e clínico é clássico para intoxicação aguda por cocaína, sendo essa a explicação mais provável para o caso apresentado.

Justificativa das alternativas incorretas:

B) Álcool: Apesar do álcool poder causar hepatite aguda, não é comum elevações tão abruptas de transaminases (geralmente AST > ALT, porém raramente acima de 500 U/L). Não costuma causar rápida insuficiência renal isolada neste contexto.

C) Maconha: Não há evidência científica que relacione maconha a necrose hepática aguda ou rabdomiólise, conforme consensos como o Harrison’s Principles of Internal Medicine.

D) Hepatite C: A fase aguda do HCV é geralmente assintomática e não provoca transaminases muito elevadas ou rápida insuficiência renal.

E) Hepatite A: Segundo diretrizes do Ministério da Saúde: “A transmissão do vírus da hepatite A ocorre predominantemente via fecal-oral, associada a água ou alimentos contaminados.” O contexto de festa não é típico, e o acometimento renal é incomum.

Estratégia de prova: Atenção a detalhes epidemiológicos (tipo de exposição), padrão de exames laboratoriais e quadro temporal agudo, pois os exames sugerem toxicidade e múltiplos órgãos acometidos (hepático + renal), ponto chave para resolver a questão.

Referências: Ministério da Saúde, Protocolo Clínico de Hepatites; UpToDate 2024; Harrison’s Internal Medicine 21ª ed.

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Comentários

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A exposição mais provável que levou a essas anormalidades é a cocaína, como indicado pelo aumento significativo do ALT e AST, bem como pelo alargamento do RNI. A bilirrubina elevada também sugere dano hepático. Embora o álcool possa ser um fator contribuinte, a ausência de alteração neurológica e o uso negado de drogas endovenosas apontam mais fortemente para a cocaína como causa. As hepatites A e C também podem causar icterícia e aumento das enzimas hepáticas, mas são menos prováveis ​​com base nessa apresentação clínica. A maconha não é conhecida por causar danos hepáticos significativos.

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