Em "Sendo um romance que parte de uma realidade concreta, e...

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Q3575998 Português
[...] seu impactante romance Torto arado (2018) conquistou em Portugal o prestigioso Prêmio LeYa, concedido por unanimidade pelo modo como representa de forma sólida e realista o universo rural brasileiro. O enredo enfatiza trabalhadores sem-terra remanescentes do regime escravista, em especial as personagens femininas duplamente vítimas da violência que impera nos grotões mais afastados, realidade representada por meio de uma sensível e sofisticada escrita, como bem notaram os jurados do concurso em sua nota de justificativa:


"O Prémio LeYa 2018 é atribuído ao romance 'Torto Arado', de Itamar Vieira Junior, pela solidez da construção, o equilíbrio da narrativa e a forma como aborda o universo rural do Brasil, colocando ênfase nas figuras femininas, na sua liberdade e na violência exercida sobre o corpo num contexto dominado pela sociedade patriarcal. Sendo um romance que parte de uma realidade concreta, em que situações de opressão quer social quer do homem em relação à mulher, a narrativa encontra um plano alegórico, sem entrar num estilo barroco, que ganha contornos universais. Destaca-se a qualidade literária de uma escrita em que se reconhece plenamente o escritor. Todos estes motivos justificam a atribuição por unanimidade deste prémio."


Situando a história em uma região remota e imaginária do nordeste brasileiro, Itamar Vieira Junior abrange problemáticas que envolvem proporções maiores ligadas tanto ao modo de funcionamento histórico e social do país quanto à complexa e intrincada rede de sentimentos e emoções intrínsecas ao ser humano. Em concomitância, temos um romance que fornece elementos para debate sobre as desigualdades e violências entre cidade e campo, as desigualdades de gênero, as formas de resistência das religiões de matriz africana e indígena, as permanências e continuidades da escravidão simbolizadas na relação de mando inviolável entre patrão/dono e trabalhador/agregado, assim como do tríplice espólio sobre o trabalhador: sua mão de obra, seu produto final e seu tempo. Somada a esses fatores há também na narrativa uma implícita, mas potente reflexão sobre os sentidos da posse de terra e de uma necessária reforma agrária no território nacional. Ao mesmo tempo, portanto, em que há um "Brasil profundo" sendo problematizado, somos convidados a sentir de maneira pungente o caótico estado emocional de personagens que, mesmo vivendo sobre constante tensão, manifestam complexos e contraditórios estados emocionais.


(Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/1270-itamar-vieira-junior. Acesso em 23 jul. 2025. Adaptado.)
Em "Sendo um romance que parte de uma realidade concreta, em que situações de opressão quer social quer do homem em relação à mulher, a narrativa encontra um plano alegórico, sem entrar num estilo barroco, que ganha contornos universais", as palavras em destaque são, no contexto:
Alternativas

Gabarito comentado

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GABARITO COMENTADO | Cargo: Engenheiro | Tema: Conjunções Coordenativas Correlativas Alternativas

Tema central: A questão avalia o conhecimento de conjunções coordenativas correlativas alternativas, especificamente a expressão “quer... quer...”, fundamental na sintaxe para expressar alternância de ideias ou situações.

Justificativa da alternativa correta (B):

"Quer... quer..." são conjunções alternativas, empregadas para articular ideias que se alternam, e não se somam. Conforme a norma-padrão (Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo), estruturas como “quer... quer...” estabelecem correlação entre elementos ou situações possíveis, geralmente indicando que ambos ocorrem, mas em contextos distintos ou com nuances distintas.

No trecho citado, a expressão “quer social, quer do homem em relação à mulher” mostra que as “situações de opressão” podem se apresentar de maneiras alternativas: de ordem social, ou relacionadas diretamente à posição do homem diante da mulher. Exemplo clássico desse uso: “Quer chova, quer faça sol, iremos trabalhar.”

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta: “Quer... quer...” não pode ser substituído por “e”; substituindo por “e” deixaria de expressar alternância e passaria a somar as ideias, alterando o sentido do texto. Na norma culta, não há equivalência entre essas estruturas.
C) Incorreta: “Quer” aqui não é verbo pleno (no sentido de desejar), e sim conjunção. Interpretar como verbo é um erro frequente.
D) Incorreta: “Quer” não é pronome relativo. Pronomes relativos retomam termos anteriores e relacionam orações; não é o caso.
E) Incorreta: Não se trata de conjunções aditivas (como “e”, “nem”), mas sim de alternativas, que apresentam ideias que se alternam, conforme a gramática padrão.

Estratégia de prova: Atenção a estruturas correlativas e aos conectivos: “quer... quer...”, “ora... ora...”, “ou... ou...” são típicos marcadores de alternância, não de adição ou comparação. Fique atento a tentativas de substituição que alteram o sentido do texto.

Referência: Cunha, Celso; Cintra, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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