Proporção de crianças com celular cai; privacidade e
segurança são os motivos mais citados
A preocupação com a privacidade e a segurança se
consolidou como principal motivo para evitar que crianças
e adolescentes tenham telefone celular. É o que mostra o
modulo temático sobre tecnologia da informação e
comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado no dia 02
de julho de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
No ano passado, a proporção de crianças de 10 a
13 anos que tinham o aparelho caiu pela primeira vez,
desde que a pesquisa começou a ser feita em 2016. O IBGE
identificou que 55,2% dos brasileiros nessa faixa etária
tinham celular, um recuo de 1,5 ponto percentual na
comparação com 2024. A principal explicação para essa
queda pode estar entre aqueles que ainda não têm celular.
O motivo mais alegado foi a preocupação com a
privacidade e a segurança, indicada por 32% dos
responsáveis, 7,8 pontos percentuais a mais do que em
2024. A série histórica mostra ainda que essa proporção
quase dobrou desde 2022. Naquele ano, o principal motivo
alegado pelos pais para que os filhos dessa faixa etária não
tivessem celular era o preço elevado do aparelho, seguido
pela falta de necessidade e pelo fato de que essas crianças
já usavam o celular de outra pessoa. A preocupação com
segurança e privacidade aparecia apenas em quarto lugar.
O analista do IBGE Gustavo Fontes destaca ainda
que o grupo de 10 a 13 anos foi o único que registrou
queda na posse de celular em 2025. Nas outras faixas
etárias, o crescimento se manteve, fazendo com que esse
uso alcançasse 89,8% da população em geral.
"A gente tem visto cada vez mais uma preocupação
com a segurança das crianças, com a exposição delas nas
redes sociais, por exemplo. A gente teve também em 2025
uma restrição ao uso de celulares nas escolas", avalia
Fontes.
Outro dado da pesquisa que fortalece essa
avaliação é a ligeira queda no acesso à internet nessa faixa
etária, independentemente do aparelho utilizado, de 84,9%
para 84,4%. Entre as crianças que se mantêm
desconectadas, o principal motivo alegado é a falta de
necessidade, mas a preocupação com privacidade e
segurança aparece em segundo lugar.
Novamente, este foi o único grupo etário a registrar
queda, mas a pesquisa também identificou uma
estabilidade entre os adolescentes de 14 a 19 anos.
Considerando a população geral, o uso da internet subiu de
89,2%o para 90,5%.