Leia o excerto a seguir: Projeto estende o Imposto Seletivo...
Projeto estende o Imposto Seletivo para alimentos adoçados
Esse imposto foi criado para tributar consumo de produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente; a Câmara dos Deputados estuda a ampliação.
(Agência Câmara de Notícias, 15.04.25)
O texto altera a Lei Complementar n° 214/25, que regulamentou a reforma tributária, e está em análise na Câmara dos Deputados.
Pela proposta, serão tributados pelo Imposto Seletivo:
– energéticos e refrigerantes;
– biscoitos doces, recheados, bolachas, cookies;
– salgadinhos de milho, batatas fritas, snacks de arroz, bolachas salgadas;
– chocolates em barra, bombons, balas, sorvetes, sobremesas à base de cacau.
Com base nesse excerto, e considerando-se que o Imposto Seletivo busca desestimular o consumo de um produto com vistas a corrigir externalidades negativas, observa-se o Estado buscando exercer a(s) função(ões)
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Comentário:
Tema Central: A questão aborda as funções econômicas do tributo, relacionando a criação do Imposto Seletivo ao combate de externalidades negativas (como consumo de produtos prejudiciais à saúde/ao meio ambiente).
Legislação Aplicável: Não há menção expressa de artigo constitucional, mas, tradicionalmente, a doutrina aplica o art. 3º da Constituição Federal, sobre funções do Estado, e as funções clássicas da tributação: alocativa, distributiva e estabilizadora.
Explicação: Segundo a doutrina de Economia do Setor Público (Mankiw, Giambiagi), os tributos cumprem três funções principais:
Função alocativa: Corrige falhas de mercado, como as externalidades negativas, por meio de tributos que desestimulam comportamentos indesejados.
Função distributiva: Visa reduzir desigualdades, afetando a distribuição de renda.
Função estabilizadora: Promove o equilíbrio econômico, controlando inflação/desemprego.
Exemplo prático: Ao tributar refrigerantes e doces com o Imposto Seletivo, o Estado desestimula o consumo desses produtos, buscando um efeito positivo na saúde pública e no meio ambiente (alocação mais eficiente dos recursos).
Alternativa correta: B) alocativa, apenas.
Justificativa: O objetivo é corrigir externalidades negativas, usando o tributo de modo a realocar recursos na economia (função alocativa).
Análise das alternativas incorretas:
A) Distributiva: Incorreta, pois não visa redistribuição de renda.
C) Alocativa e distributiva: Errada pois não se combina redistribuição de renda aqui.
D) Estabilizadora e alocativa: Incorreta, pois não há intento de controle macroeconômico.
E) Estabilizadora: Incorreta pelos mesmos motivos.
Pegadinha: Fique atento: quando o tributo visa afetar comportamentos de consumo para corrigir prejuízos sociais, trata-se de função alocativa, não distributiva nem estabilizadora.
Neste tema, é recomendada a leitura de Ricardo Lobo Torres ("Curso de Direito Financeiro e Tributário") e Gustavo Brigagão.
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Funções do Estado
- Função Alocativa: Corrige as falhas do mercado, como a falta de oferta de bens públicos (ex: segurança) e os efeitos colaterais da atividade econômica (externalidades), para garantir o uso eficiente dos recursos. * No exemplo da questão, ele atua sobre a externalidade negativa do consumo de alimentos não saudáveis, cujo custo social (ex: gastos no SUS) é maior que o seu preço na prateleira.
- Função Distributiva: Visa reduzir a desigualdade social, ajustando a distribuição de renda e riqueza na sociedade por meio de impostos progressivos e programas sociais.
- Função Estabilizadora: Atua na economia como um todo para manter a estabilidade, controlando a inflação, promovendo o emprego e suavizando os ciclos de crescimento e recessão.
GABARITO: B!
1) Função alocativa
É a função do Estado de corrigir falhas de mercado e organizar a alocação de recursos na economia, especialmente quando:
- o mercado não fornece adequadamente certos bens;
- ou fornece, mas em quantidade/qualidade socialmente inadequadas.
Envolve, por exemplo:
- prestação de bens públicos: segurança, justiça, defesa, iluminação pública;
- correção de externalidades: tributar produtos que geram danos (poluição, problemas de saúde) e incentivar produtos/serviços benéficos;
- regulação de setores essenciais.
Ligando com seus estudos de tributos: quando o Estado usa imposto seletivo para desestimular consumo de bens que geram externalidades negativas, ele está exercendo a função alocativa (usa o tributo como instrumento para corrigir a alocação de recursos, e não apenas para arrecadar).
2) Função distributiva
É a função voltada à distribuição de renda e riqueza na sociedade.
Instrumentos típicos:
- impostos progressivos (como IR com alíquotas maiores para quem ganha mais);
- transferências de renda (auxílios, benefícios assistenciais, aposentadorias de caráter redistributivo etc.);
- políticas públicas que privilegiem grupos vulneráveis.
A ideia é reduzir desigualdades e promover justiça social.
No plano tributário, quando o Estado desenha um sistema em que quem tem maior capacidade contributiva paga proporcionalmente mais, está atuando na função distributiva.
3) Função estabilizadora
Está ligada à estabilidade macroeconômica:
- nível de emprego;
- nível de renda/atividade econômica;
- controle da inflação.
Envolve o uso de:
- política fiscal (gasto público e tributos);
- política monetária (juros, oferta de moeda – aqui mais ligada ao Banco Central).
Exemplos:
- Aumentar gasto público em época de recessão, para estimular a economia.
- Conter gastos/aumentar tributos em contexto de demanda aquecida e inflação alta.
- Medidas para reduzir desemprego ou evitar quedas bruscas do PIB.
Ou seja, a função estabilizadora olha para o “clima geral” da economia e tenta evitar grandes oscilações (forte inflação, recessão profunda, desemprego em massa).
- Alocativa: eficiência → corrige falhas do mercado.
- Distributiva: equidade → reduz desigualdades.
- Estabilizadora: estabilidade → controla inflação, emprego e ciclos econômicos.
A alternativa correta é a B: alocativa, apenas.
Para responder a essa questão, é necessário cruzar os conceitos de Finanças Públicas (Funções do Estado) com as características do novo Imposto Seletivo (IS), apelidado de "Imposto do Pecado".
As funções clássicas do Estado na economia, segundo a teoria de Musgrave, são:
- Função Alocativa: O Estado intervém para corrigir as falhas de mercado e garantir a oferta de bens que o mercado não provê adequadamente ou para desestimular o consumo de bens que geram prejuízos. É aqui que entram as externalidades negativas (custos gerados à sociedade que não estão no preço do produto, como gastos do SUS com doenças causadas por má alimentação).
- Função Distributiva: Focada na redistribuição de renda e redução de desigualdades sociais (ex: programas de transferência de renda ou tributação progressiva).
- Função Estabilizadora: Relacionada ao controle da inflação, manutenção do pleno emprego e estabilidade econômica via política fiscal e monetária.
O enunciado deixa claro que o objetivo do Imposto Seletivo é "desestimular o consumo de um produto com vistas a corrigir externalidades negativas".
- Ao tributar mais pesadamente alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, o Estado está alterando os preços relativos para "alocar" os recursos da sociedade de forma mais eficiente (menos consumo de açúcar = menos doenças = menos gastos públicos com saúde).
- Essa intervenção direta no sistema de preços para corrigir uma falha (externalidade) é o exemplo clássico da função alocativa.
- Função Distributiva: Embora o imposto arrecade dinheiro, seu objetivo primordial neste caso não é tirar de quem tem mais para dar a quem tem menos, mas sim mudar o comportamento de consumo. Na verdade, impostos sobre consumo costumam ser criticados por serem regressivos (pesam mais no bolso dos pobres), o que iria contra a função distributiva pura.
- Função Estabilizadora: O foco não é o equilíbrio macroeconômico (PIB, inflação ou câmbio), mas sim uma questão setorial de saúde e meio ambiente.
CaracterísticaDescriçãoNaturezaExtrafiscal (objetivo de comportamento, não apenas arrecadação).AlvoBens prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.Função EconômicaAlocativa (correção de externalidades).
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