Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue...
Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item seguinte.
No que diz respeito à estruturação sintática do período, o emprego do acento grave em “Para evitar prejuízos à voz” é facultativo, uma vez que o termo subsequente é um substantivo feminino singular e está precedido de um verbo que aceita complemento sem preposição.
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GAB. ERRADO
Nesse caso a crase é obrigatória.
O substantivo "prejuízo" (e seu plural "prejuízos") exige, em geral, a preposição "a" para indicar a pessoa, coisa ou entidade que sofre o dano ou a perda.
Regência: prejuízo + a + (algo/alguém)
E como “voz” é um substantivo feminino determinado (a voz), a fusão a + a = à é obrigatória.
prejuízos + a + a voz = prejuízos à voz
JOSUÉ 1:9 ♥
Gabarito: errado.
Não é facultativo.
Prejuízos? a alguém, não é mesmo? Então já temos um "a" oculto após prejuízos.
....a voz... observa que temos mais um "a"
um precisa do outro= a +a = À
VOZ= SUBSTANTIVO FEMININO
A CRASE É OBRIGATÓRIA!!
.... À VOZ...
à voz refere-se a algo.
Se não enquadrar no mnemônio, ATE (antes do a), SUA (pron possessivo femin. depois do a), MARIA (nome próprio feminino depois do a), NÃO SERÁ FACULTATIVO, e sim obrigatório ou proibido.
- Na frase, o acento grave é obrigatório.
No português, a crase só é facultativa em três hipóteses:
- Nomes próprios femininos (Refiro-me à/a Maria);
- Pronomes possessivos femininos no singular (Dirijo-me à/a sua casa);
- Após a preposição "até" (Fui até à/a praia).
Na questão, o substantivo "voz" é substantivo comum feminino singular e não se enquadra em nenhuma das hipóteses de facultatividade.
- Na justificativa, há erro de regência e de análise sintática.
A assertiva associa o acento grave ao verbo "evitar".
“Para evitar prejuízos à voz”
VTD + OD. + C.N.
Ocorre que, na estrutura sintática do trecho, "prejuízos" é complemento verbal do verbo "evitar" (VTD), sendo então objeto direto; e "à voz" é complemento nominal do substantivo "prejuízos".
Como quem causa prejuízo, causa prejuízo a algo ou a alguém, este exige a preposição "a".
Assim, o substantivo "voz" atua como termo regido por "prejuízos" e aceita o artigo definido feminino "a".
Assim, ocorre a crase pela fusão da preposição exigida pela regência nominal de "prejuízos" com o artigo definido de "voz".
APROFUNDAMENTO - Diferença entre complemento nominal e objeto indireto
- A confunsão ocorre quando há objeto direto na frase, pois tanto o complemento nominal quanto o objeto indireto são preposicionados
- Contudo, o objeto indireto vem após um verbo. Se retira-se o O.D. de uma frase e ela mantém sentido, é um objeto indireto.
Ex.: Entregaram o prêmio ao vencedor (retirando o OD: "Entregaram ao vencedor" - mantém sentido, é OI)
VTDI + OD + OI
- Complemento nominal vem após um nome. Se retira-se o O.D. de uma frase e ela perde o sentido, é um complemento nominal
Ex.: Para evitar prejuízos à voz (retirando o OD: "Para evitar à voz" - perde sentido, é CN)
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