Leia o caso clínico a seguir. Trabalhador rural, do sexo ma...

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Q4153066 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

Trabalhador rural, do sexo masculino, de 40 anos, relata sensação de fisgada em pé direito há duas horas durante o serviço de aragem na cidade de origem. Percebeu apenas movimento entre os arbustos, dois ferimentos puntiformes e dor no local, mas não visualizou as características do animal. Procurou atendimento médico em sua cidade, quando já apresentava-se com edema 3+/4+ até a raiz da coxa direita, equimose, dor intensa, urina diminuída, sangramento gengival e tontura.

O possível diagnóstico e o tratamento indicado, neste caso, são respectivamente,
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A combinação de lesão local exuberante e rapidamente progressiva com sangramento espontâneo e repercussão sistêmica/renal caracteriza acidente botrópico grave, o que indica soro antibotrópico em dose para caso grave.

Tema central: Botropismo grave
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por incompatibilidade sindrômica. Acidente elapídico costuma cursar com pouca manifestação local e síndrome neuroparalítica precoce, não com edema maciço, equimose e sangramento gengival. O enunciado não traz ptose, diplopia, disartria, disfagia ou insuficiência respiratória. Além disso, neostigmina é adjuvante em bloqueio neurotóxico pós-sináptico, não tem papel no quadro hemorrágico-edematoso descrito.
B
Errada
Está errada porque o quadro não é leve nem inespecífico. Mesmo sem visualização da serpente, a decisão no ofidismo é sindrômica, e aqui há sinais clássicos de botropismo grave: edema até a raiz da coxa, equimose, sangramento gengival e oligúria. Isso exclui classificação leve e torna insuficiente a proposta terapêutica de poucas ampolas associadas apenas à analgesia.
C
Errada
Está errada porque o padrão clínico não favorece crotalismo. No acidente crotálico, em geral há pouca manifestação inflamatória local e maior predomínio de neurotoxicidade, mialgia e urina escura por mioglobinúria. Aqui ocorre o oposto: reação local intensa com edema extenso, equimose e sangramento, o que aponta para botropismo. Além disso, chamar de moderado subestima a gravidade, já que há manifestação hemorrágica sistêmica e repercussão renal/hemodinâmica.
D
Certa
A alternativa D corresponde ao quadro de acidente botrópico grave. O enunciado traz dor intensa, edema progressivo até a raiz da coxa, equimose, sangramento gengival e oligúria, conjunto típico de botropismo com manifestação local importante e repercussão sistêmica. Nessa situação, a conduta é soroterapia específica dirigida ao gênero mais provável, com suporte clínico e vigilância de complicações locais e renais.
Pegadinha da questão
A banca explora a tentação de valorizar a ausência de identificação da serpente ou a oligúria isoladamente. O ponto correto é reconhecer que o diagnóstico deve ser feito pela síndrome clínica predominante, e a combinação de lesão local muito exuberante com sangramento espontâneo favorece botropismo grave.
Dica para questões semelhantes
  • Em acidente ofídico sem identificação do animal, defina o soro pela síndrome clínica, não pela incerteza do relato.
  • Lesão local intensa com dor, edema progressivo, equimose e sangramento espontâneo aponta para botropismo.
  • Pouca alteração local com neurotoxicidade favorece elapídico ou crotálico; edema maciço rápido praticamente afasta elapídico.
  • Oligúria não define sozinha crotalismo; integre sempre o dado renal ao padrão local e hemorrágico.

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