O último verso do poema retrata a impossibilidade de um tra...

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Q3836749 Português
Leia o texto abaixo para responder à próxima questão:


Pneumotórax


Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.


Mandou chamar o médico:


— Diga trinta e três.

— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…

— Respire.


……………………………………………………………………….


— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

— Não.


A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.


Manuel Bandeira
O último verso do poema retrata a impossibilidade de um tratamento adequado para o eu-lírico. A resposta incomum configura um recurso estilístico chamado:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: A ironia é o recurso decisivo porque, no contexto do diálogo clínico, a negativa do médico e a frase "— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino." quebram a expectativa de uma orientação terapêutica real, produzindo incongruência entre a gravidade da situação e a resposta apresentada; por isso, o gabarito é A.

Tema central: ironia no desfecho do poema
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o último verso não oferece uma solução terapêutica literal, embora todo o diálogo anterior prepare o leitor para isso. O efeito nasce do contraste entre o atendimento médico, a impossibilidade do tratamento e a resposta final improvável, que rompe a lógica esperada do discurso clínico. Essa incongruência produz humor amargo, sarcasmo e sentido oblíquo, que caracterizam a ironia no desfecho do poema.
B
Errada
Está errada porque o mecanismo central do verso final não é uma transferência de sentido por semelhança. No ponto decisivo, o efeito não depende de um termo metafórico que substitui outro por analogia; depende da inadequação da resposta dentro do contexto médico e da quebra de expectativa construída pelo diálogo.
C
Errada
Está errada porque não há, no desfecho, substituição baseada em contiguidade semântica, como parte pelo todo, autor pela obra ou relação equivalente. O núcleo do efeito estilístico não é metonímico; é a incongruência entre a situação clínica grave e a solução enunciada.
D
Errada
Está errada porque o verso final não organiza uma contradição lógica nem une ideias opostas em formulação paradoxal. O que há é uma resposta imprópria e inesperada para a situação, isto é, estranheza contextual, não paradoxo em sentido técnico.
E
Errada
Está errada porque o desfecho não atenua a gravidade da realidade com uma expressão amenizadora. Ao contrário, a formulação reforça a fatalidade pela via do humor amargo e da inadequação irônica; portanto, o efeito principal não é de suavização, mas de contraste sarcástico.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de marcar metáfora sempre que o enunciado não é literal. Aqui, porém, o decisivo não é uma imagem por semelhança, mas a quebra de expectativa criada pelo contexto clínico e a resposta final inadequada, o que configura ironia.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro a expectativa criada pelo texto antes de nomear a figura de linguagem do desfecho.
  • Se o efeito principal vier da incongruência entre contexto e resposta, examine ironia antes de pensar em metáfora.
  • Não confunda estranheza contextual com paradoxo: paradoxo exige contradição formulada, não apenas resposta imprópria.
  • Quando a formulação indireta não suaviza a ideia, mas acentua a fatalidade com humor amargo, não se trata de eufemismo.

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