Assinale a alternativa em que, no excerto apresentado, a pal...
Astrônomos detectam mais distante rajada de rádio já vista no Universo
Fenômeno é uma das explosões de rádio mais energéticas já observadas e sua origem longinqua foi decifrada por cientistas utilizando o Very Large Telescope (VLT)
O Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, detectou a mais distante rajada rápida de rádio (em inglês, fast radio burst, ou FRB) já registrada no Universo. O feito foi relatado nesta quinta-feira (19) na revista Science.
A explosão de ondas cósmicas foi tão veloz que durou menos de um milissegundo. Apesar da duração muito curta, a rajada liberou uma energia impressionante, equivalente à emissão total do nosso Sol ao longo de 30 anos. Isso faz dessa FRB uma das mais energéticas já observadas.
A explosão, chamada FRB 202206104, foi observada primeiramente em junho de 2022 pelo telescópio de rádio Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP), na Austrália, e superou o recorde de distância em 50%.
“Usando a matriz de pratos do ASKAP, conseguimos determinar precisamente de onde veio a explosão”, diz Stuart Ryder, astrônomo da Universidade Macquarie na Austrália e coautor do estudo, em comunicado. “Em seguida, usamos o VLT no Chile para procurar a galáxia de origem, encontrando a mais antiga e mais distante do que qualquer outra fonte de FRB até agora, e provavelmente dentro de um pequeno grupo de galáxias em fusão.”
Essa galáxia de origem da rajada está tão distante que sua luz levou 8 bilhões de anos para nos alcançar. A descoberta confirma que as FRBs podem ser usadas para medir a “matéria perdida” entre as galáxias, fornecendo uma nova maneira de “pesar” o cosmos.
Segundo o colíder do estudo, Ryan Shannon, professor na Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, mais da metade da matéria do Universo falta nos cálculos que consideram somente os átomos dos quais nós somos feitos. “Acreditamos que a matéria ausente está escondida no espaço entre as galáxias, mas pode ser tão quente e difusa que é impossível de ver com técnicas normais”, ele explica.
Encontrar FRBs distantes, portanto, é fundamental para medir com precisão a matéria ausente do Universo, como demonstrado pelo falecido astrônomo australiano Jean-Pierre Macquart em 2020. O cientista é autor da relação de Macquart, que prevê que, quanto mais distante uma rajada rápida de rádio estiver, mais gás difuso ela exibe entre as galáxias.
“Algumas FRBs recentes pareciam quebrar essa relação”, conta o pesquisador. “Nossas medições confirmam que a relação de Macquart se mantém além da metade do Universo conhecido”, completa.
Até o momento, cerca de 50 FRBs foram identificadas, com quase metade delas sendo detectadas pelo ASKAP. “Embora ainda não saibamos o que causa essas explosões massivas de energia, o artigo confirma que as FRBs são eventos comuns no cosmos e que podemos usá-las para detectar a matéria entre as galáxias e entender melhor a estrutura do Universo”, diz Shannon.
Revista Galileu. Disponível em <https://revistagalileu.globo.com/ciencia/espaco/noticia/2023/10/astronomos-detectam-mais-distante-rajada-de-radio-ja-vista-no-universo.ghtml>
Assinale a alternativa em que, no excerto apresentado, a palavra “que” atua como pronome relativo.
Gabarito comentado
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Tema central: A questão aborda Morfologia – Pronomes Relativos, pedindo que o candidato reconheça a função do “que” como pronome relativo em um trecho selecionado do texto.
Regra essencial: Segundo Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), o pronome relativo “que” retoma um termo antecedente e introduz uma oração subordinada adjetiva, conferindo coesão ao texto sem repetir o termo anterior. Exemplo: “O livro que comprei é interessante.”
Análise da alternativa correta (C):
Na frase: “O cientista é autor da relação de Macquart, que prevê que, quanto mais distante uma rajada rápida de rádio estiver, mais gás difuso ela exibe entre as galáxias.”
O “que” atua como pronome relativo por retomar o termo “relação de Macquart” e introduzir a oração subordinada adjetiva “que prevê que...”, atribuindo uma característica a esse antecedente. Esta é a única opção em que o “que” exerce a função pedida.
Análise das alternativas incorretas:
A, B e D: Em todos estes casos, o “que” introduz orações subordinadas substantivas (objetiva direta) e atua como conjunção integrante, não havendo antecedente expresso. Exemplos: “Acreditamos que a matéria…”, “A descoberta confirma que as FRBs…”
E: Aqui, o “que” tem valor de conjunção consecutiva, expressando consequência (“tão veloz que durou menos de um milissegundo”). Não exerce o papel de pronome relativo.
Dica de prova: Para identificar o pronome relativo, procure se o “que” retoma um termo imediatamente anterior, substituindo o substantivo para ligar e detalhar as duas orações (ex: “o projeto que apresentei”). Atenção: conjunção integrante nunca terá antecedente explícito!
Resumo: Alternativa C é correta, pois o “que” retoma o antecedente e introduz uma oração adjetiva. As demais apresentam conjunção integrante ou consecutiva.
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