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Q2591331 Linguística
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Concepções de Linguagem no Ensino de Língua


A primeira tendência se refere ao subjetivismo individualista; para essa concepção, a função da linguagem seria a de representação do pensamento humano e do conhecimento adquirido ao longo da vida. A expressão do pensamento seria construída na mente e exteriorizada como uma espécie de tradução. Nessa perspectiva, língua e linguagem seriam a mesma coisa. Dois elementos centrais regem o subjetivismo individualista. O primeiro elemento é o sistema linguístico visto como estático, isto é, sem qualquer possibilidade de mudança. O segundo elemento envolve a capacidade psicológica do sujeito de dominar esse sistema linguístico para ser capaz de organizar os pensamentos e se comunicar. Assim, cria-se uma ilusão da existência de uma só língua, e qualquer transgressão a esse sistema linguístico é visto como errado. Não há qualquer interferência social, histórica ou cultural para com a língua. Como seria, então, o ensino de Português no Brasil a partir dessa concepção?

Antes de 1950, as escolas brasileiras asseguravam o acesso à escolarização apenas para as camadas privilegiadas da população. Os alunos dessas camadas dominavam razoavelmente a norma culta, o que, em tese, poderia favorecer, naquela época, um ensino-aprendizagem de português que buscasse (re)conhecer normas e regras de funcionamento do dialeto de que faziam uso. O estudo das regras das estruturas linguísticas imbrica no que é considerado falar e escrever bem, reforçando o que os estudos linguísticos tradicionais chamam de gramática normativa ou tradicional. Desse modo, a língua é vista como um elemento de expressão do pensamento, subordinando a expressão linguística à organização do pensamento. Para essa concepção, se o indivíduo não se expressa bem, ele não organizou o pensamento de maneira lógica.


PRADO, Arthur Angelo de Oliveira. Concepções de língua(gem) e de ensino de língua portuguesa na perspectiva do aluno, 2019, 149 f. Dissertação (Mestrado em Linguística Apliaca) – Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Letras, Belo Horizonte, 2019. Bibliografia: f. 97-99. Disponível em: <http://hdl.handle.net/1843/LETR-BB5Q8A>. Acesso em: 26 mai. 2024. [Adaptado]. 
No segundo parágrafo, o pesquisador refere-se a como acontecia o estudo das regras das estruturas linguísticas nas escolas brasileiras até meados do século passado. Ele considera que a aplicação de um ensino guiado pela concepção de língua como sistema se justificava porque se tinha
Alternativas

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Tema central: A questão trata das concepções de linguagem predominantes no ensino de Língua Portuguesa até meados do século XX, especialmente a visão da linguagem como expressão do pensamento e sua associação à gramática normativa.

Explicação do tema: Segundo a perspectiva histórica, a escola brasileira atendia principalmente a alunos das elites, já familiarizados com a norma culta. O ensino era centrado em regras gramaticais, reforçando a ideia de que falar/escrever bem dependia da organização lógica do pensamento. Essa abordagem desconsiderava diferenças sociais, históricas e culturais na língua, focando numa única variedade considerada "correta".

Justificativa da alternativa correta (A): A alternativa A — "configurado uma escola para alunos já familiarizados com os padrões que a escola valorizava" — está correta.
Isso ocorre porque, nesse contexto, a gramática normativa era aplicada a públicos já conhecedores da norma culta, tornando o ensino baseado em regras algo funcional, já que o grupo dominante replicava padrões linguísticos de seu convívio. Essa análise está alinhada com autores como Travaglia e Geraldi, que explicam como a escola reforçava uma elite linguística.

Análise das alternativas incorretas:
B) "Relativizado a gramática normativa..." — FALSA, pois a gramática normativa era absolutizada, tida como modelo sem espaço para relativização.
C) "Alterado o condicionamento sociopolítico..." — FALSA, pois esse ensino reforçava, e não alterava, as marcas sociopolíticas da exclusão e do elitismo.
D) "Apreciado o impacto dos fatores externos..." — FALSA, pois a concepção tradicional ignorava o papel de fatores sociais e históricos na formação da língua.

Estratégias para provas: Observe palavras-chave como “familiarizados com os padrões” e desconfie de termos que sugerem flexibilização ou valorização da diversidade linguística para contextos anteriores a grandes reformas educacionais. Prefira alternativas que retratam a realidade excludente e elitista do ensino de português pré-1950.

Para aprofundar, consulte: Travaglia, L.C.; Geraldi, J.W.. Esses autores explicam bem como a associação entre língua e pensamento organizou o ensino tradicional.

Alternativa correta: A

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