Além de usos cosméticos, as lentes de contato também podem ...
Gabarito comentado
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Tema central: Lentes de contato terapêuticas como estratégia de proteção corneana, alívio da dor e suporte à cicatrização. A chave para acertar é reconhecer qual lente “mascara” irregularidade óptica (RGP/escleral) e qual apenas protege o epitélio (gelatinosa de bandagem).
Gabarito (incorreta): C
Por quê? Irregularidades corneanas (p. ex., ceratocone, cicatrizes, pós-cirurgia) são melhor neutralizadas por lentes rígidas gás-permeáveis (RGP) ou esclerais, que criam uma superfície refrativa regular com lágrima-reservatório por baixo. Lentes gelatinosas moldam-se à córnea e, em geral, não corrigem irregularidades significativas; podem auxiliar conforto, mas não “regularizam” a óptica de forma efetiva. Referências: AAO BCSC Cornea; Kanski; UpToDate (Therapeutic soft contact lenses; Scleral lenses for irregular cornea).
Análise das demais alternativas (corretas):
A. Na ceratopatia bolhosa, a lente gelatinosa de bandagem reduz a dor ao proteger as terminações nervosas do atrito palpebral e estabilizar o epitélio. É conduta clássica de alívio enquanto se maneja o edema (hipertônicos, controle de IOP) ou se avalia cirurgia (endotelioplastia). Evidência: AAO PPP Córnea; UpToDate.
B. A descemetocele (ulceração até a membrana de Descemet) tem alto risco de perfuração. Medidas de ponte podem incluir lente escleral (vault total) ou gelatinosa de grande diâmetro para proteção temporária, muitas vezes após adesivo tecidual/AMT. Exige monitorização rigorosa e rápida abordagem definitiva (cola cianoacrilato, membrana amniótica, enxerto tectônico). A ideia de reduzir movimento (“ajuste mais firme”) visa minimizar cisalhamento, mas deve-se balancear com oxigenação. Diretrizes: AAO BCSC; UpToDate (Management of corneal perforation/impending perforation).
D. Na ceratite filamentar, a lente gelatinosa de bandagem diminui o trauma mecânico e ajuda a romper o ciclo dor–espasmo–injúria epitelial, associando-se a lubrificação intensa, N-acetilcisteína e tratamento da causa (p. ex., blefaroespasmo). É opção reconhecida em protocolos clínicos. Referências: AAO PPP Olho Seco/Doenças da Superfície Ocular.
Dicas de prova:
- Quando ler “neutralizar irregularidade óptica”, pense em RGP/escleral, não em gelatinosa.
- “Bandage” = proteção epitelial e analgesia; não corrige óptica irregular de forma relevante.
- Em descemetocele, cuidado: é emergência. Lente pode ser ponte, mas a conduta definitiva costuma ser cirúrgica.
Fontes: American Academy of Ophthalmology (BCSC Cornea & External Disease; Preferred Practice Patterns), UpToDate (Therapeutic soft contact lenses; Scleral lenses; Management of corneal thinning/perforation), Kanski’s Clinical Ophthalmology.
Resposta incorreta: C.
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