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Q2400616 Medicina
Lactente de 1 mês de vida comparece à consulta de puericultura com queixa de lacrimejamento constante e involuntário e de secreção ocular em olho direito, desde o período neonatal, eventualmente associada a um acúmulo de crosta nos cílios. Genitores negam sinais de prurido e comprometimento do olho esquerdo. Exame físico: epífora em olho direito e crosta nos cílios à direita. Diante do exposto, assinale a alternativa correta.
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Tema central: Lactente com epífora unilateral desde o período neonatal, sem prurido e com crostas nos cílios, sugere obstrução congênita do ducto nasolacrimal (OCDN), e não conjuntivite infecciosa.

Resposta correta: BObstrução do ducto nasolacrimal com indicação de massagem hidrostática de Crigler.

Raciocínio clínico: Na OCDN, há falha de abertura da membrana no válvula de Hasner, levando a lacrimejamento constante, secreção e crostas por estase, tipicamente unilateral e presente desde o nascimento, com conjuntiva geralmente sem hiperemia. Até 90% resolvem espontaneamente até 6–12 meses. A massagem de Crigler aumenta a pressão no saco lacrimal e pode romper a membrana (SBP, AAO, UpToDate).

Conduta prática (protocolo):

- Massagem de Crigler: dedo indicador sobre o saco lacrimal (canto medial), deslizar firmemente para baixo em direção à asa do nariz; 5–10 movimentos por sessão, 4–6 vezes/dia.
- Higiene palpebral para remover crostas; colírio antibiótico apenas se secreção purulenta importante por superinfecção.
- Reavaliação: se persistir após 6–12 meses ou infecções recorrentes, sondagem do ducto.
- Alerta: febre, eritema doloroso no canto medial e secreção sob pressão sugerem dacriocistite → urgência.

Por que as demais estão incorretas?

A) Conjuntivite por Chlamydia trachomatis: ocorre entre 5–14 dias com conjuntival hiperemia, secreção mucopurulenta e, muitas vezes, bilateralidade. O quadro descrito é lacrimejamento crônico unilateral sem hiperemia, mais compatível com OCDN (SBP/OMS, UpToDate).

C) Conjuntivite gonocócica (N. gonorrhoeae): início 2–5 dias, secreção profusamente purulenta, edema palpebral intenso e risco corneano, exigindo ceftriaxona sistêmica. Ausência de hiperemia importante e o curso crônico tornam essa hipótese improvável (AAP/CDC, AAO).

D) Blefarite: inflamação da borda palpebral com ardor/prurido e descamação, geralmente bilateral e pouco comum em neonatos como diagnóstico primário. Além disso, o sintoma dominante aqui é epífora, típico de OCDN. Limpeza isolada não resolve a causa obstrutiva.

Como acertar em provas: Diante de epífora unilateral desde o nascimento + crostas e sem hiperemia, pense em OCDN. Conjuntivites tendem a ter hiperemia, secreção abundante e curso agudo. Exames úteis (quando necessário): teste de desaparecimento da fluoresceína e refluxo à pressão sobre o saco lacrimal.

Referências-chave: Sociedade Brasileira de Pediatria (puericultura e oftalmologia), American Academy of Ophthalmology (Pediatric Ophthalmology/Strabismus PPP), UpToDate (Congenital nasolacrimal duct obstruction).

Gabarito: B

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A questão apresentada descreve um caso clínico de um lactente com lacrimejamento constante e secreção ocular unilateral desde o período neonatal, sem sinais de prurido, o que sugere uma causa obstrutiva mais do que uma infecção. A obstrução do ducto nasolacrimal é comum em recém-nascidos e lactentes e pode resultar em epífora (lacrimejamento excessivo) e secreção ocular devido à estase de lágrimas. A alternativa B é correta porque a massagem do conduto nasolacrimal, também conhecida como manobra de Crigler, é um método de tratamento inicial recomendado para aliviar a obstrução de forma não invasiva. A conjuntivite neonatal, que é mencionada na alternativa A, geralmente apresentaria sinais de inflamação ocular mais difusa e poderia afetar ambos os olhos. A Neisseria gonorrhoeae, mencionada na alternativa C, causaria uma conjuntivite mais severa e com secreção purulenta intensa, o que não é compatível com o quadro descrito. A blefarite, apresentada na alternativa D, é uma inflamação das pálpebras que geralmente não causa epífora como sintoma principal. Portanto, a descrição do caso aponta para uma obstrução do conduto nasolacrimal, sendo a massagem hidrostática de Crigler o tratamento inicial apropriado.

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