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Tema central: lesão ocular química por ácido tricloroacético (TCA), típica de “peelings”. É uma emergência oftalmológica em que a conduta inicial define o prognóstico visual.
Alternativa correta: B — irrigação copiosa do olho afetado com solução fisiológica.
Justificativa clínica: Toda exposição química ocular exige irrigação imediata e abundante para remover o agente e normalizar o pH da superfície ocular. Idealmente usar SF 0,9% ou Ringer lactato; na ausência, pode-se iniciar com água corrente até obter solução ideal. Objetivos práticos: remover lentes de contato, instilar anestésico tópico para conforto, everter pálpebras e retirar resíduos, irrigar por pelo menos 30 minutos ou até o pH estabilizar entre 7,0–7,5 por 10 minutos. Essa é a recomendação de UpToDate e do AAO Preferred Practice Pattern para queimaduras químicas oculares.
Fisiopatologia relevante: Ácidos tendem a causar necrose por coagulação, que pode limitar a penetração, mas ainda podem produzir lesões graves da córnea e conjuntiva. Por isso, a remoção rápida do agente é determinante.
Análise das alternativas incorretas
A) Curativo compressivo: contraindicado no início. Oclusão aumenta o tempo de contato do ácido, retém calor e retarda a irrigação, piorando a lesão. Curativo só tem papel em abrasões mecânicas selecionadas, não em queimaduras químicas.
C) “Neutralização” ácido–base: não se recomenda aplicar base em queimadura por ácido (e vice-versa). Reações podem ser exotérmicas, agravar a lesão e o controle de pH é imprevisível. A conduta segura e padronizada é lavagem copiosa até normalização do pH.
D) Profilaxia para tétano e raiva: raiva não tem relação com exposição química ocular. Tétano é considerado em ferimentos penetrantes ou contaminados; queimadura química superficial ocular, isoladamente, não indica profilaxia de rotina.
Após a estabilização inicial: reavaliar acuidade visual, realizar fluoresceína para epitélio corneano, considerar antibiótico tópico profilático, cicloplegic para dor, controle de pressão intraocular e encaminhar com urgência ao oftalmologista. Nunca atrasar a irrigação para “esperar o especialista”.
Dica de prova: diante de “ácido/álcali no olho”, pense imediatamente em IRRIGAÇÃO, medir pH, eversão palpebral e anestésico tópico. Desconfie de opções que proponham oclusão ou neutralização química.
Referências: American Academy of Ophthalmology, Preferred Practice Pattern – Chemical Injuries of the Ocular Surface; UpToDate – Evaluation and management of ocular burns and chemical injuries.
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