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Q2400613 Medicina
Uma paciente de 35 anos foi trazida à Unidade de Pronto Atendimento com relato de exposição acidental de olho direito a ácido tricloroacético, durante a realização de procedimento dermatológico (descrito pela paciente como “peeling”), há cerca de 1 hora. A conduta terapêutica inicial adequada para essa paciente é realizar
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Tema central: lesão ocular química por ácido tricloroacético (TCA), típica de “peelings”. É uma emergência oftalmológica em que a conduta inicial define o prognóstico visual.

Alternativa correta: B — irrigação copiosa do olho afetado com solução fisiológica.

Justificativa clínica: Toda exposição química ocular exige irrigação imediata e abundante para remover o agente e normalizar o pH da superfície ocular. Idealmente usar SF 0,9% ou Ringer lactato; na ausência, pode-se iniciar com água corrente até obter solução ideal. Objetivos práticos: remover lentes de contato, instilar anestésico tópico para conforto, everter pálpebras e retirar resíduos, irrigar por pelo menos 30 minutos ou até o pH estabilizar entre 7,0–7,5 por 10 minutos. Essa é a recomendação de UpToDate e do AAO Preferred Practice Pattern para queimaduras químicas oculares.

Fisiopatologia relevante: Ácidos tendem a causar necrose por coagulação, que pode limitar a penetração, mas ainda podem produzir lesões graves da córnea e conjuntiva. Por isso, a remoção rápida do agente é determinante.

Análise das alternativas incorretas

A) Curativo compressivo: contraindicado no início. Oclusão aumenta o tempo de contato do ácido, retém calor e retarda a irrigação, piorando a lesão. Curativo só tem papel em abrasões mecânicas selecionadas, não em queimaduras químicas.

C) “Neutralização” ácido–base: não se recomenda aplicar base em queimadura por ácido (e vice-versa). Reações podem ser exotérmicas, agravar a lesão e o controle de pH é imprevisível. A conduta segura e padronizada é lavagem copiosa até normalização do pH.

D) Profilaxia para tétano e raiva: raiva não tem relação com exposição química ocular. Tétano é considerado em ferimentos penetrantes ou contaminados; queimadura química superficial ocular, isoladamente, não indica profilaxia de rotina.

Após a estabilização inicial: reavaliar acuidade visual, realizar fluoresceína para epitélio corneano, considerar antibiótico tópico profilático, cicloplegic para dor, controle de pressão intraocular e encaminhar com urgência ao oftalmologista. Nunca atrasar a irrigação para “esperar o especialista”.

Dica de prova: diante de “ácido/álcali no olho”, pense imediatamente em IRRIGAÇÃO, medir pH, eversão palpebral e anestésico tópico. Desconfie de opções que proponham oclusão ou neutralização química.

Referências: American Academy of Ophthalmology, Preferred Practice Pattern – Chemical Injuries of the Ocular Surface; UpToDate – Evaluation and management of ocular burns and chemical injuries.

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A exposição ocular a substâncias químicas como o ácido tricloroacético, um agente cáustico usado em peelings dermatológicos, requer uma ação imediata para evitar danos graves aos tecidos oculares. A alternativa B é a correta pois a irrigação copiosa do olho afetado com solução fisiológica é uma medida de emergência recomendada para diluir e remover o agente químico, minimizando o contato com a superfície ocular e reduzindo o potencial de lesões graves. O procedimento deve ser realizado o mais rápido possível e de forma contínua, idealmente durante 15 a 30 minutos ou até que avaliação médica especializada seja possível. A alternativa A é inadequada porque um curativo compressivo não ajuda a remover o agente cáustico e pode até piorar a lesão pela pressão exercida. A alternativa C é contraindicada, pois a reação de neutralização pode gerar calor e causar mais dano tecidual. A alternativa D é imprópria nesse contexto, pois a profilaxia para tétano e raiva não se aplica a exposições químicas e deve ser considerada somente em ferimentos ou mordidas que potencialmente envolvam esses agentes patogênicos. Portanto, irrigação com solução fisiológica é a conduta inicial e mais urgente para reduzir o dano ocular após exposição a ácidos.

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